Mercado interno do milho tem compradores cautelosos
Oferta dos Estados Unidos pressiona cotações em Chicago
Foto: Pixabay
O mercado do milho deve enfrentar pressão sobre os preços no Brasil no curto prazo, diante da perda de competitividade nas exportações, da maior oferta dos Estados Unidos e de compradores internos sem pressa para negociar. Segundo a análise “Direto do Campo”, da Grainsights, produzida pela Grão Direto e divulgada nesta segunda-feira (5), o câmbio, o relatório da Conab e as condições climáticas também estão entre os fatores que podem influenciar as cotações.
No Brasil, o milho perde espaço no mercado internacional. A combinação de preços mais baixos em Chicago, real mais forte e prêmios mais fracos reduz a competitividade do cereal brasileiro. Em alguns destinos, o milho dos Estados Unidos chega a apresentar preços inferiores aos do produto nacional. Com a redução dos embarques, uma parcela maior da oferta permanece no mercado interno. Os compradores aparentam estar abastecidos e negociam sem pressa, enquanto os produtores demonstram maior flexibilidade nas condições de preço e prazo.
Apesar desse cenário, a demanda das usinas de etanol de milho e da produção de carnes continua firme. No curto prazo, porém, a tendência apontada pela análise é de pressão sobre os preços.
Na quinta-feira (15), a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) deve divulgar o primeiro levantamento da safra 2026/27, com as estimativas iniciais para o milho verão e a segunda safra.
O plantio rápido da soja abre uma janela mais favorável para a semeadura do milho segunda safra, reduzindo o risco de implantação fora do período ideal. Ainda assim, as condições climáticas permanecem no radar do mercado. O noroeste de Mato Grosso ainda precisa de chuva, enquanto os modelos indicam risco de precipitações abaixo da média em partes do Brasil em dezembro e durante o verão. Caso esse cenário se confirme, o clima poderá voltar a dar sustentação aos preços mais adiante.
O mercado internacional começa a semana pressionado pelo relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), que elevou as estimativas de produtividade, produção e estoques norte-americanos para níveis superiores à média esperada pelo mercado.
Diante desse resultado, o viés de curto prazo para as cotações do milho em Chicago permanece negativo. Por outro lado, parte dos analistas questiona o aumento das estimativas e considera possível uma revisão para baixo da produção nos próximos relatórios. Outro fator que pode limitar quedas mais acentuadas é o comportamento dos produtores norte-americanos, que estão retendo o grão em vez de ampliar a oferta disponível para comercialização.
No Brasil, o dólar deve continuar como um dos principais fatores de oscilação dos preços do milho nesta semana. O segundo turno da eleição presidencial, marcado para 25 de outubro, também pode influenciar o câmbio, já que novas pesquisas eleitorais tendem a provocar movimentos na moeda. No cenário internacional, o destaque é a divulgação do índice de preços ao consumidor dos Estados Unidos (CPI), prevista para quarta-feira (14). O resultado poderá alterar a direção do dólar no mercado global.
Enquanto os prêmios firmes ajudam a conter parte da pressão sobre a soja, o milho segue com baixa competitividade nas exportações. Por isso, o comportamento do câmbio, a evolução da oferta norte-americana, as informações da Conab e as condições climáticas serão pontos importantes para acompanhar os próximos movimentos do mercado.