Mercado mundial de leite é debatido em Uberlândia

Agronegócio

Mercado mundial de leite é debatido em Uberlândia

Produtores rurais, profissionais da área, empreendedores e lideranças políticas ouviram as orientações sobre o cenário técnico da pecuária leiteira nacional
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O crescimento da cadeia leiteira no Brasil foi tema do 8º Interleite, Simpósio Internacional sobre Produção Intensiva de Leite, aberto nessa quinta-feira (02-08), em Uberlândia, no Center Convention. Produtores rurais, profissionais da área, empreendedores e lideranças políticas ouviram as orientações sobre o cenário técnico da pecuária leiteira nacional, incluindo a importância da organização dos setores produtivos, a competitividade e as perspectivas futuras para o mercado de lácteos no Brasil e no exterior.

Minas Gerais possui a maior bacia leiteira do País, com uma produção que, em 2006, bateu recorde e alcançou a marca de 7,2 bilhões de litros. O plantel bovino do Estado é o terceiro maior do Brasil e soma cerca de 22,1 milhões de cabeças. Deste total, o Triângulo Mineiro e o Alto Paranaíba respondem por 24%.

Segundo o presidente da Câmara do Leite, da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg), Eduardo Dessimoni Teixeira, este crescimento da atividade leiteira em todo mundo é uma ótima oportunidade para a região. "As perspectivas são muito boas. Há uma demanda crescente. O poder aquisitivo da população está crescendo muito, principalmente em países mais populosos. Isso é importante para os produtores da região, pois eles passam a ter opções melhores de venda, diante da grande concorrência por parte das indústrias, pelo leite produzido aqui no Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba", garantiu.

De acordo com Eduardo Dessimoni, a exportação da região está concentrada principalmente no leite em pó. A Nestlé, em Ituiutaba, está capacitada a produzir em torno de 2 milhões de litros de leite em pó por dia. A Itambé, cerca de 1 milhão de litros. Em Corumbaíba, existe uma outra indústria que produz 400 mil litros por dia. Em Patos de Minas, existe um projeto para implantação de uma indústria com a capacidade de produção de 500 mil litros por dia, além de várias empresas de todo o Brasil que estão captando o leite da região.

A produção nacional de leite cresceu cerca de 48% nos últimos 10 anos. O aumento acentuou-se principalmente a partir de 1999, período em que o crescimento atingiu 23%. Hoje a produção cresce em média 4,2% ao ano, com uma produção de 26,5 bilhões de litros, o que representa de R$ 15 bilhões, de acordo com o presidente da Comissão Nacional de Agropecuária e Leite (CNA), Rodrigo Sant?Anna Alvim.

Segundo ele, mesmo com este desempenho, o País ainda pode aumentar muito mais e tornar-se o maior país exportador de leite do mundo. Para que isso aconteça é necessário aplicar novas práticas tecnológicas. "A produção de leite na Nova Zelândia e no Brasil é à base de pasto. Porém, lá eles conseguem colocar apenas três vacas em um hectare, enquanto no Brasil colocam-se até 15 animais. Tem alguns experimentos em centros de pesquisas que falam em até 20 vacas em um único hectare. A vaca deles produz 15 litros por dia. Com a mesma média de produção de leite por animal, nós poderemos produzir três vezes mais do que o país mais importante do mercado internacional de lácteos", garantiu.

O Brasil tem hoje capacidade para atender à grande demanda que existe, principalmente nos países em desenvolvimento. Estudos revelam que os países desenvolvidos vão manter o consumo per capita enquanto os países em desenvolvimento, na Ásia, em alguns países da América do Sul e Central, e principalmente da África, crescerão significativamente. "A não ser o Brasil, não existe outro país do mundo que possa aumentar a produção nos patamares necessários para atender a esse aumento de demanda. É simples entender isso. Enquanto países como os Estados Unidos têm produtividade de 10 mil quilos por animal/ano, a média brasileira é de 1,4 mil quilos por animal/ano. Só que nós podemos crescer e eles não podem", afirmou Rodrigo Sant?Anna.

Para competir no mercado internacional, Uberlândia e região, assim como todo o Brasil, precisam percorrer um longo caminho. "Nós precisamos de uma infra-estrutura básica para a produção de leite. As estradas vicinais, por exemplo, por onde escoa nossa produção, têm que estar compatíveis com a dos países que competem com o Brasil. Hoje, o pecuarista brasileiro não compete com os seus vizinhos de fazenda, mas com os produtores de países como a Nova Zelândia e Austrália", comentou o presidente da Câmara do Leite da Faemg, Eduardo Dessimoni. "Eles têm um diferencial muito grande que é esta infra-estrutura. No Brasil, a indústria e o produtor estão cumprindo o seu papel. Agora precisamos de uma contrapartida do Estado, com estradas melhores e energia elétrica de qualidade. Assim, a cadeia toda se desenvolve", completou.

Segundo o presidente da Comissão Nacional de Agropecuária e Leite da CNA, Rodrigo Sant?Anna, só o Brasil ainda tem área disponível para ser ocupada pela pecuária leiteira. "Nós temos que melhorar nossas pastagens, a nutrição dos rebanhos e a nossa genética. Além disso, temos mais de 100 milhões de hectares de terras desocupadas que podem ser incorporadas à área de produção, sem se desmatar um hectare sequer da Amazônia. Somos o único país que tem condição de crescer para abastecer o mundo", ressaltou Rodrigo Sant?Anna.

O Brasil exportou 600 milhões de litros de leite no ano passado e este ano a expectativa que chegue a 800 milhões. Isso equivale a US$ 168 milhões e neste ano deve bater a casa dos US$ 200 milhões. "Nós temos uma vocação para a exportação de leite. Esse momento é muito bom. Precisamos aproveitar e ampliar nossas participações. Isso é resultado da eliminação dos subsídios das exportações na União Européia, desde junho do ano passado. É um crescimento significativo que só não será maior porque o mercado doméstico está aquecido. Nós temos uma economia que deve crescer mais de 4%, o que aumenta o poder de consumo da população", disse o presidente da Federação dos Produtores de Leite da América Latina, Vicente Nogueira.

Segundo o pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Paulo do Carmo Martins, o grande desafio neste momento de crescimento é melhorar a qualidade da produção, não somente por meio dos produtores como também das indústrias. "O Brasil está preparado para competir lá fora. E acredito que ainda poderemos ser uma potência nesta atividade. Precisamos apenas de um tempo para melhorar nossa qualidade", disse.


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