Micotoxinas no trigo: cuidados após a colheita
Como reduzir o risco de micotoxinas nos grãos
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O período de pós-colheita do trigo, especialmente entre outubro e fevereiro, exige atenção dos produtores e das unidades armazenadoras para reduzir o risco de contaminação dos grãos por micotoxinas. As temperaturas mais elevadas e a presença de umidade favorecem o desenvolvimento de fungos quando as condições de secagem e armazenamento não são adequadas.
Entre as principais micotoxinas associadas ao trigo estão o deoxinivalenol (DON) e a zearalenona, produzidos por fungos do gênero Fusarium, além das aflatoxinas, relacionadas a fungos do gênero Aspergillus. Essas substâncias podem comprometer a qualidade dos lotes, provocar perdas econômicas e representar riscos à saúde humana e animal.
A contaminação pode começar ainda na lavoura. O fungo Fusarium graminearum, associado à giberela, pode infectar as espigas e iniciar a produção de micotoxinas antes mesmo da colheita. Grãos ardidos, chochos, quebrados ou com alterações de coloração apresentam maior probabilidade de contaminação fúngica. Conforme o Engenheiro Agrônomo Ubirajara Fontoura, as anomalias climáticas ocorrentes na atual safra trigo, visto ao fenômeno El Niño, ocorrido na região sul tritícola do Brasil, tem favorecido a presença do fungo, com aparecimento da Giberela em muitas áreas, podendo assim, haver a contaminação dos grãos de trigo com micotoxinas.
Após a colheita, o risco está relacionado principalmente à combinação de umidade elevada, temperaturas favoráveis e presença de grãos danificados ou impurezas. A demora na secagem pode permitir a multiplicação de fungos, especialmente quando o trigo permanece por períodos prolongados em caminhões, moegas ou estruturas sem aeração adequada.
Por isso, uma das primeiras medidas de prevenção é realizar a colheita no ponto adequado e ajustar corretamente as máquinas para reduzir quebras e trincas. Os danos mecânicos facilitam a colonização dos grãos por fungos e podem contribuir para o aumento do risco de contaminação.
A limpeza inicial também desempenha papel importante. A retirada de palhas, poeira, torrões e outras impurezas ajuda a reduzir materiais que podem reter umidade e favorecer o aquecimento da massa de grãos. A classificação permite separar grãos leves ou ardidos, que frequentemente apresentam maior carga fúngica.
Entretanto, a limpeza não elimina completamente as micotoxinas. Uma vez formadas, essas substâncias podem permanecer nos grãos durante o armazenamento e não são totalmente removidas pelo processamento industrial.
Secagem e armazenamento são etapas decisivas.
A secagem rápida é uma das principais medidas para limitar o desenvolvimento de fungos após a colheita. Grãos recebidos com umidade elevada devem ser encaminhados ao processo de secagem com prioridade, especialmente quando apresentam danos ou sinais de contaminação.
O procedimento deve utilizar temperatura e fluxo de ar adequados para reduzir a umidade até níveis seguros, sem provocar danos térmicos significativos. Temperaturas excessivas durante a secagem podem causar trincas, aumentando a vulnerabilidade dos grãos à colonização por fungos.
No armazenamento, o controle da temperatura e da umidade continua sendo fundamental. A utilização de sistemas de aeração ajuda a uniformizar a temperatura da massa de grãos e a reduzir a formação de pontos de condensação dentro dos silos.
O monitoramento por termometria, quando disponível, permite identificar elevações localizadas de temperatura, que podem indicar atividade de fungos ou insetos. Inspeções periódicas também devem observar alterações de cor, odores de mofo, excesso de umidade e sinais de aquecimento.
Outro cuidado é manter silos e armazéns limpos, evitando o acúmulo de resíduos de safras anteriores e possíveis focos de infestação.
Quando houver suspeita de contaminação, a coleta de amostras representativas para análises laboratoriais ajuda a identificar a presença de micotoxinas e orientar as decisões sobre a destinação dos grãos.
O histórico da lavoura também deve ser considerado. Áreas com ocorrência de giberela, chuvas próximas à colheita ou maior incidência de grãos ardidos exigem atenção especial na recepção, classificação e armazenagem.
A segregação desses lotes evita sua mistura com grãos de melhor qualidade e facilita o acompanhamento das condições de armazenamento. Quando forem identificados níveis elevados de micotoxinas, a destinação precisa respeitar os limites legais e as orientações técnicas aplicáveis.
Além dos riscos à saúde, a contaminação pode resultar na desvalorização ou rejeição de lotes, restrições comerciais e aumento dos custos com análises, segregação e redestinação. Essas consequências podem afetar tanto os produtores quanto as unidades armazenadoras.
O Engenheiro Agrônomo Ubirajara Fontoura, destaca que prevenção da ocorrência de fungos micotoxigênicos deverá iniciar no campo, com a adoção de Boas Práticas Agrícolas (BPA), da semeadura até a colheita. Entre elas, chamamos a atenção ao manejo de doenças de espiga, a escolha de cultivares menos suscetíveis, a rotação de culturas e o controle de pragas dos grãos armazenados contribuem para reduzir fatores associados à contaminação. Monitorar com frequência os grãos armazenados através de Analises Laboratoriais que identifiquem a presença dos fungos associados à micotoxinas. Com isso garantimos a qualidade do produto armazenado, sem trazer riscos aos consumidores, tanto aos humanos e aos animais.