As cotações do milho em Chicago também recuaram nesta semana, sendo que o fechamento, para o primeiro mês cotado, ficou em US$ 5,46/bushel na quinta-feira (18), contra US$ 5,55 uma semana antes. Esse comportamento se deu mesmo com as exportações estadunidenses do cereal aumentando. Na semana anterior, o volume embarcado somou 2,2 milhões de toneladas, superando as expectativas do mercado. Em todo o ano comercial as exportações somam 30 milhões de toneladas, contra pouco mais de 16 milhões no mesmo período do ano anterior.
O total a ser exportado pelos EUA, em milho, no atual ano comercial 2020/21, está estimado em 66,2 milhões de toneladas. Depois de 15 semanas, o governo estadunidense anunciou vendas de milho para a China em um total de 2,37 milhões de toneladas nesta semana. O produto é da safra 2020/21. Apesar disso, o mercado está apreensivo pelo surgimento de novos casos de Peste Suína Africana na China, fato que poderá colocar em xeque a importação de 24 milhões de toneladas do cereal, neste ano, por parte do país asiático.
Aqui no Brasil, os preços do milho se mantiveram firmes novamente, com o balcão gaúcho fechando a semana na média de R$ 77,64/saco, contra R$ 44,51/saco um ano atrás. Nas demais praças nacionais os preços oscilaram entre R$ 69,00 em Campo Novo do Parecis (MT) e R$ 94,00/saco em Itapetininga (SP). Vale registrar que o valor CIF Campinas atingiu a R$ 97,00. Com isso, o preço do milho se aproxima dos R$ 100,00/saco em São Paulo. Já na B3 as cotações futuras perdiam um pouco de força,
trabalhando na quinta-feira (18) nos seguintes valores: maio a R$ 94,17; julho a R$ 89,17; setembro a R$ 83,96; e novembro a R$ 85,70/saco.
De forma geral, os preços internos do milho têm sido sustentados pela redução nas vendas por parte dos produtores, os quais esperam novas altas diante da baixa oferta existente. Ao mesmo tempo, os compradores pressionam para aquisição do produto buscando recompor estoques. No Paraná, segundo o Deral, o milho safrinha já teria sido semeado em 72% da área esperada, porém, a janela ideal de plantio já se encerrou em grande parte do Estado. Assim, cerca de 30% da área de milho safrinha poderá ser plantada fora da janela ideal, fato que leva os produtores a perderem a possibilidade de adesão ao seguro rural, lidando com maiores riscos climáticos durante a safra. Já a safra de verão no Paraná estava colhida em 64% da área até o início da presente semana.
No Mato Grosso, até o dia 05/03, cerca de 88% da área esperada para a segunda safra já estaria semeada, contra 97% na média histórica para aquela data. (cf. Imea) Em Goiás, até o dia 16/03, o plantio da safrinha chegava a apenas 50% da área prevista, contra o normal de 70%. Somente 30% das lavouras conseguiram ser plantadas dentro da janela ideal neste Estado. (cf. Ifag) Por sua vez, No Mato Grosso do Sul, a safrinha atingia a 56,5% da área no dia 12/03, contra 71,2% na média histórica para a data. Mesmo assim, espera-se um aumento de 5,7% na área plantada com a safrinha neste ano. (cf. Famasul). Em termos de colheita da safra de verão, o Centro-Sul brasileiro chegou a 57% da área, contra 46% na média histórica. Além dos 64% no Paraná, a mesma atingia a 66% em Santa Catarina e 63% no Rio Grande do Sul. Por sua vez, o plantio do milho safrinha, no Centro-Sul brasileiro, atingia a 77,4% da área esperada no dia 12/03, contra 86,1% na média histórica. (cf. Datagro) Boa parte do plantio, em todo o CentroSul nacional será feito fora da janela ideal.
Neste contexto, as projeções de colheita começam a ser revistas para baixo. Segundo consultorias, a mesma deverá chegar a 80,1 milhões de toneladas, contra 81 milhões projetados anteriormente. (cf. Pátria AgroNegócios) Mesmo assim, a produção deverá ser 6% maior do que a registrada no ano anterior. Algumas consultorias e também a Conab chegam a estabelecer 82 milhões de toneladas para a safrinha. Com isso, a produção total de milho no Brasil tende a girar entre 105 e 108 milhões de toneladas neste ano.
Por outro lado, a SECEX informou que nos primeiros 10 dias úteis de março o Brasil exportou 226.383 toneladas de milho. Com isso, em março, o país embarcou 48% de tudo o que foi registrado em março de 2020. Apesar disso, a média diária exportada está 49,5% abaixo da registrada no mês de fevereiro, porém, 5,4% acima da média de março de 2020. O preço da tonelada exportada está 25,6% acima do registrado um ano antes, batendo agora em US$ 238,70. No total do ano de 2021 esperam-se exportações ao redor de 35 milhões de toneladas, fato que manterá apertados os estoques finais brasileiros de milho.
Enfim, é importante lembrar que o atual quadro do mercado do milho coloca os criadores e as empresas integradoras em dificuldades. Hoje, com o atraso no plantio da safrinha, e diante do fato de a indústria de rações ter milho disponível até o final de maio apenas, haverá grandes dificuldades de abastecimento em junho, julho e agosto.
Portanto, a pressão altista sobre os preços internos do cereal poderá ser ainda maior neste período, especialmente no Rio Grande do Sul e Santa Catarina, onde a quebra na safra de verão chegou a 50%. Não é por nada que os frigoríficos e indústrias de ração vêm pressionando o governo federal para que isente da taxa de importação o grão que pode ser comprado nos EUA.