As cotações do milho na Bolsa de Chicago recuaram na última semana de outubro, pressionadas pelo avanço da colheita nos Estados Unidos e pelas perspectivas de aumento da produção argentina. Segundo dados divulgados pela Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário (CEEMA), o primeiro vencimento do cereal fechou a quinta-feira (29) a US$ 4,51 por bushel, abaixo dos US$ 4,60 registrados uma semana antes.
O preço chegou a US$ 4,48 por bushel em 27 de outubro, a menor cotação desde 13 de agosto. Em 21 de setembro, o cereal havia alcançado US$ 5,43 por bushel. Desde então, perdeu quase US$ 1 em pouco mais de um mês.
A pressão sobre o mercado vem, principalmente, do avanço da colheita norte-americana. Até 25 de outubro, os trabalhos haviam alcançado 60% da área semeada, abaixo da média histórica de 66%, segundo os dados apresentados pela CEEMA.
Produção argentina amplia concorrência
Na Argentina, o adido do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) em Buenos Aires projeta uma produção de 62 milhões de toneladas de milho na safra 2026/27. O volume supera em 7 milhões de toneladas a estimativa divulgada pelo próprio USDA em seu relatório de oferta e demanda de outubro.
Segundo a projeção do adido, o país vizinho deverá exportar 43 milhões de toneladas do cereal no novo ano comercial, aumentando a concorrência para o milho brasileiro. A estimativa considera uma área semeada de 8 milhões de hectares e produtividade média de 7.750 quilos por hectare. O consumo interno argentino é projetado em 19,1 milhões de toneladas, enquanto os estoques finais devem atingir 5,6 milhões de toneladas.
Atraso no plantio gera incerteza sobre a safra
Apesar das projeções elevadas, ainda será necessário acompanhar o desenvolvimento da safra argentina. A Bolsa de Cereais de Buenos Aires informa que o excesso de umidade e as baixas temperaturas nas regiões oeste e sul da área agrícola estão atrasando o plantio, que alcançou 39,8% da área prevista.
A própria Bolsa trabalha com uma estimativa de produção de 66 milhões de toneladas de milho, volume superior ao projetado pelo adido norte-americano.
A diferença entre as estimativas reforça a necessidade de acompanhar o avanço do plantio e as condições das lavouras argentinas, enquanto o mercado internacional segue atento à oferta dos principais países produtores.