Recuos chegam a 22% em municípios produtores, enquanto o avanço do plantio e o crescimento do etanol de milho modificam as perspectivas de demanda.
As dificuldades para ampliar as exportações brasileiras de milho continuam pressionando as cotações no mercado interno, especialmente nas regiões mais distantes dos portos. A concorrência internacional e a menor competitividade do produto nacional reduziram a capacidade de escoamento da produção, aumentando a disponibilidade do cereal no país. Segundo a CEEMA, os preços permanecem acima dos níveis observados no primeiro semestre, mas acumularam perdas expressivas desde setembro.
Em Sorriso, no norte de Mato Grosso, a saca de milho registrou desvalorização de 22% desde setembro. Em Rio Verde, no sudoeste de Goiás, a queda chegou a 19% no mesmo período. Os recuos refletem a combinação entre menor força das vendas externas, pressão das cotações internacionais e maior disponibilidade regional do cereal. A situação tem levado produtores a reavaliar suas estratégias de comercialização.
Nas referências do mercado físico divulgadas pela CEEMA, em 28 de outubro, o milho foi cotado a R$ 46,00 por saca em Campo Novo do Parecis (MT), R$ 50,00 em Maracaju (MS) e R$ 52,00 em Rio Verde e Jataí (GO). Em Marechal Cândido Rondon (PR), a referência ficou em R$ 51,00. Os valores foram mais elevados em regiões consumidoras e nos portos, com R$ 65,00 em Santos (SP) e R$ 70,00 em Paranaguá (PR), nas condições CIF informadas pelo levantamento.
A desaceleração das exportações representa um dos principais fatores de pressão. Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), citados pela CEEMA, mostram que o Brasil embarcou aproximadamente 4,15 milhões de toneladas de milho nos primeiros 16 dias úteis de outubro. A média diária ficou 12,1% abaixo da registrada em outubro de 2025, evidenciando a dificuldade para manter o ritmo de comercialização externa.
A projeção inicial de exportações de 42 milhões de toneladas ao longo do ano perdeu força diante desse desempenho. O boletim aponta que o país poderá encontrar dificuldades até mesmo para atingir 38 milhões de toneladas. Conforme estimativas da Agrinvest, seria necessário embarcar 6 milhões de toneladas em novembro, outros 6 milhões em dezembro e aproximadamente 5 milhões em janeiro para alcançar esse volume no atual ano comercial.
A menor saída de milho para o exterior tende a manter uma quantidade maior de produto disponível no mercado doméstico. Esse cenário coincide com a expectativa de uma safra de verão próxima de 32 milhões de toneladas, ampliando a atenção dos compradores para a oferta dos próximos meses. O ritmo das aquisições internas, especialmente a partir de dezembro, poderá ser decisivo para uma eventual recuperação das cotações.
O plantio da primeira safra de milho 2026/27 chegou a 40% da área prevista no Brasil até 23 de outubro, de acordo com a Conab. O percentual ficou acima da média de 38,9%. Apesar do volume elevado de chuvas em algumas regiões, a implantação das lavouras foi considerada satisfatória no período analisado, preservando as perspectivas de produção.
No mercado físico, os compradores continuam cautelosos diante da possibilidade de manutenção de uma oferta elevada. Do lado vendedor, produtores demonstram maior flexibilidade nas negociações, seja pelo receio de novas desvalorizações, seja pela necessidade de gerar caixa. A combinação desses fatores reduz a sustentação dos preços, sobretudo nas regiões em que os custos de transporte limitam as alternativas de comercialização.
Em contrapartida, a expansão do etanol de milho representa uma fonte crescente de demanda industrial. Dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), apresentados pela CEEMA, indicam que a produção brasileira de etanol a partir do cereal chegou a 2,9 milhões de metros cúbicos entre julho e setembro de 2026. O volume representa crescimento de 23,7% em relação ao mesmo trimestre de 2025.
A participação do etanol de milho na produção nacional de etanol aumentou de 16,29% para 20% na comparação entre os períodos. Mato Grosso liderou a produção, com 1,76 milhão de metros cúbicos, equivalente a 60,72% do total brasileiro. Mato Grosso do Sul, Goiás e Maranhão completam o grupo de principais estados produtores, que juntos concentraram 95,92% do volume nacional.