Milho pode subir? Safra dos EUA será decisiva
Mercado do milho entra em outubro sob pressão e cautela
Foto: Nadia Borges
O mercado do milho ganhou sustentação nas últimas semanas, mas a pressão da colheita nos Estados Unidos limita uma alta mais intensa. Segundo dados divulgados pela Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudo de Mercado Agropecuário, entre 28 de agosto e 24 de setembro, as cotações internacionais reagiram, enquanto no Brasil os preços também avançaram diante de uma oferta em recuo e de uma demanda firme.
Segundo dados divulgados pela Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudo de Mercado Agropecuário, o milho saiu de US$ 5,10 por bushel em 27 de agosto para US$ 5,43 em 21 de setembro. Depois, o mercado perdeu parte dos ganhos. Na quinta-feira (24), o bushel fechou em US$ 5,26, ante US$ 5,30 uma semana antes.
A média de agosto ficou em US$ 4,69 por bushel, alta de 5,6% em relação à média de julho. O cenário externo, porém, apresenta poucas alterações mesmo diante da redução confirmada na produção dos Estados Unidos, cuja colheita já começou.
Segundo dados divulgados pela Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudo de Mercado Agropecuário, o relatório do USDA divulgado em 11 de setembro estimou a produção final de milho dos Estados Unidos em 401,3 milhões de toneladas.
O volume representa uma redução de 5,4 milhões de toneladas em relação à projeção de agosto e de 31 milhões de toneladas na comparação com a produção registrada no ano anterior.
Para 2026/27, os estoques finais norte-americanos foram estimados em 39,8 milhões de toneladas, dois milhões de toneladas abaixo do indicado em agosto. A produção mundial, por sua vez, foi projetada em 1,290 bilhão de toneladas, oito milhões de toneladas a menos do que a estimativa anterior. Os estoques finais mundiais devem alcançar 272,1 milhões de toneladas, queda de 2,5 milhões de toneladas em relação à previsão de agosto.
Segundo dados divulgados pela Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudo de Mercado Agropecuário, a colheita de milho nos Estados Unidos havia alcançado 13% da área até 20 de setembro, acima dos 11% registrados na média histórica.
Os embarques semanais norte-americanos também chamaram atenção. Na semana encerrada em 17 de setembro, foram embarcadas 1,9 milhão de toneladas, volume acima do esperado pelo mercado.
Esse foi o maior volume registrado para a semana em 44 anos. Japão e México responderam, juntos, por 58% do milho embarcado no período.
Nesse cenário, a pressão exercida pela colheita nos Estados Unidos vem impedindo uma valorização maior das cotações internacionais.
O mercado passa a acompanhar o comportamento do clima nas regiões produtoras norte-americanas e os possíveis efeitos sobre o andamento da colheita.
Segundo dados divulgados pela Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudo de Mercado Agropecuário, o USDA estima que o consumo mundial de milho poderá superar a produção em quase 30 milhões de toneladas na safra 2026/27.
No Brasil, os preços internos do milho também apresentaram melhora no período analisado. Segundo dados divulgados pela Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudo de Mercado Agropecuário, as principais praças do Rio Grande do Sul trabalhavam com valores de R$ 61 por saca.
Nas demais regiões do país, os preços ficaram entre R$ 51 e R$ 66 por saca. Apesar da melhora nas cotações internas, as exportações brasileiras ainda enfrentam dificuldades no ritmo dos negócios. Os preços nacionais permanecem menos competitivos em relação aos praticados pelos concorrentes.
A expectativa é de melhora no cenário de exportações a partir de meados de outubro. Segundo dados divulgados pela Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudo de Mercado Agropecuário, tanto o mercado mundial quanto o brasileiro apresentam demanda firme diante de uma oferta em recuo. A reação dos preços, entretanto, não deve ocorrer de forma linear.
No mercado internacional, será necessário absorver a entrada da safra norte-americana. No Brasil, os preços dependerão do ritmo das exportações, do câmbio, da demanda interna e, principalmente, da disposição dos produtores em vender.
Mesmo com essas variáveis, a expectativa apresentada pela análise é de melhora dos preços internos do milho ao longo do restante do segundo semestre.
Na B3, segundo dados divulgados pela Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudo de Mercado Agropecuário, os contratos para o primeiro semestre de 2027 estão próximos de R$ 80 por saca.
Com a combinação entre a entrada da safra dos Estados Unidos, a evolução das exportações brasileiras, o comportamento da demanda e a disponibilidade de venda dos produtores, outubro ganha importância para a definição dos próximos movimentos do mercado mundial e nacional do milho.