Minc sugere boicote à carne vinda de desmatamento

Agronegócio

Minc sugere boicote à carne vinda de desmatamento

Ministro adiantou que bancos oficiais não deverão financiar empresas que desmatam
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O governo federal vai criar uma série de mecanismos para evitar a comercialização de carne bovina que tenha origem em áreas de desmatamentos ilegais na Amazônia. A informação foi prestada pelo ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, em entrevista coletiva após o lançamento do ""Pacto pela Sustentabilidade"" da rede Wal-Mart, na última terça- feira, em São Paulo. Minc se referiu várias vezes à decisão como ""boicote"".

Uma das medidas a serem adotadas nos próximos dias é que os bancos oficiais, inclusive o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), não façam financiamentos a empresas que destróem a floresta amazônica. ""A pecuária é um setor que está fora de controle naquela região; e por isso criamos esse decreto, uma pequena maldade, que obriga o frigorífico a disponibilizar a lista de seus fornecedores"". De acordo com o ministro, ""o frigorífico é corresponsável pelo crime ambiental praticado pelo pecuarista"".

O ministro fez questão de destacar que as barreiras serão criadas para punir apenas os pecuaristas que não trabalham de acordo com a lei. ""A nossa intenção não é fazer um boicote generalizado, mas um boicote direcionado, que leve à mudança do comportamento do banco que financia, do frigorífico que compra e sobretudo da rede de supermercados que vai escolher o frigorífico para colocar a carne na prateleira; o boicote vai crescer e é bom que cresça"".

Minc disse ainda que a questão da origem da carne é bem mais séria do que se pensa e que não se limita apenas ao problema do desmatamento. ""Quem desmata, geralmente pratica o abate ilegal porque não tem a licença da Vigilância Sanitária em dia, e ainda joga as tripas do boi pirata no meio do rio, causando poluição"". Ele citou que o programa de rastreabilidade a ser desenvolvido com o Ministério da Agricultura vai amenizar o problema.

Gás carbônico

O ministro também informou que está para ser criado um selo para controlar o gás carbônico emitido pelos veículos na atmosfera. ""Nós vamos fazer nos próximos dias, as portarias que tornam obrigatória, tanto pelas indústrias quanto pelas montadoras, a declaração do gás carbônico que os veículos emitem; as empresas já declaram os poluentes dos veículos, mas não o CO2 que causa o efeito estufa"". Minc comparou que a forma será semelhante à tabela criada pelo Inmetro para identificar o consumo de energia elétrica nos eletrodomésticos.

O ministro demonstrou ainda que estava contente com a redução dos índices de desmatamento na Amazônia. Segundo ele, o índice registrado este ano é o menor dos últimos 20 anos, o que vai contribuir para que o Brasil cumpra a meta estabelecida pelo protocolo de Kyoto até o ano de 2017. ""O Brasil deixará de emitir mais CO2 do que a soma de todas as reduções propostas pelos países ricos e que não estão sendo cumpridas. Nós estamos fazendo a nossa parte, mas ainda não estamos satisfeitos com isso porque o desmatamento na Amazônia continua muito alto"".

Eli Araujo


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