Mineiro come mais suíno

Agronegócio

Mineiro come mais suíno

O consumo per capita subiu de 19 quilos, em 2009, para 21 quilos em 2010
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O Estado de Minas Gerais  - Um dia depois de a China anunciar que começará a importar carne de porco de frigoríficos brasileiros, a Associação dos Suinocultores de Minas Gerais (Asemg) comemora um levantamento sobre o ingrediente indispensável à boa parte da saborosa e diversificada culinária mineira: o consumo per capita do alimento no estado subiu de 19 quilos, em 2009, para 21 quilos em 2010. O número supera a média nacional, que é de 14 quilos, e a de outros países, como Rússia (16 quilos) e Japão (18 quilos) – a Espanha, com 66 quilos, é a campeão mundial. O resultado, além de manter Minas com o título de estado que mais consome o produto no Brasil, antecipou uma meta que a entidade, no início de 2010, havia se programado para alcançar apenas no fim de 2012.


O bom desempenho do mercado de suínos se deve a vários fatores, mas, principalmente, ao aumento do poder aquisitivo das classes mais baixas e às sucessivas escaladas do preço da carne bovina nos açougues. Para se ter ideia, entre janeiro e dezembro de 2010, enquanto o preço da carne de gado saltou 25,51%, o da de porco subiu 14,86%, segundo levantamento da Fundação Ipead/UFMG. “Também se deve a outros motivos, como a adaptação nossa ao mercado. Por exemplo, há 20 anos atrás, o porco tinha quatro cortes (costela, lombo, lombinho e pernil). Hoje, há mais de 90. Ou seja, a pessoa não precisa mais levar para casa a peça inteira do pernil. Pode levar bifes”, explica João Bosco Martins de Abreu, presidente da Asemg.

Ele admite que os negócios envolvendo frango e boi ainda colecionam números mais atraentes do que o do setor que representa. No fim de janeiro, estudo da consultoria Informa Economics FNP revelou que cada brasileiro, em média, consome 44,7 quilos da ave e 35 quilos de carne de boi. Mas o presidente da Asemg destaca que os suinocultores vêm conquistando maior espaço a cada ano. E cita um indicador importante para reforçar suas palavras: a média de animais vivos comercializados semanalmente saltou 18,6% entre 2009 e 2010, de 1.107.154 cabeças para
1.313.276 unidades.

Só o frigorífico Uberaba, um dos maiores do estado, abateu cerca de 1,2 mil porcos por dia no ano passado. “Foram cerca de 84 toneladas de carne (a cada 24 horas). Em 2011, o número já subiu para 1,5 mil (cabeças), ou aproximadamente 100 toneladas”, comemora Carlos Ferreira Rocha, gerente comercial da empresa e assessor da presidência do Sindicato das Indústrias de Carnes e Derivados de Minas Gerais (Sinduscarne). “No confronto entre 2010 e 2009, o setor vendeu 20% a mais de carne suína. O grande motivo foi a alta do preço do mercado de boi”.


Venda cresce nos açougues

Alguns açougues, tipo de estabelecimento que interessa diretamente ao consumidor, registraram justamente este percentual. O proprietário do açougue Rei da Carne, Orlando Costa Amaral, ressalta que “boa parte da clientela migrou” para o alimento mais barato. “Estamos vendendo 20% a mais de porco e 20% a menos de boi, pois a primeira custa pouco mais da metade da segunda”, acrescenta o comerciante, apontando para a tabela de preços do tradicional ponto de venda no Mercado Central de BH, na qual consta que o contra-filé bovino sai a R$ 17,90 e o lombo sem osso a R$ 9,90.

A diferença entre os dois tipos de carne favorece a família da representante comercial Marcilene Andrade, de 36 anos, fã de pratos preparados com a carne suína. “Em casa, fazemos muito lombo assado”, diz Marcilene, que nesta quarta-feira (13) levou ao Mercado Central dois colegas de São Paulo – o assessor comercial Thiago Chessa, de 29, e a enfermeira Robessi Andréia Rodrigues, de 30 – para apreciar uma porção de torresmo de barriga acompanhada de uma cerveja gelada. “Não deixaríamos de provar um dos pratos típicos de Minas”, afirmou o rapaz.

“O paulistano adora carne de porco”, acrescentou a amiga, que se encantou com o cartão-postal da capital, onde os bares e restaurantes servem um cardápio variado cujo carro chefe é a carne de porco. Os pratos com suínos também têm boa saída na tradicional churrascaria Porcão, no Bairro São Bento, Região Centro-Sul da capital. Lá, porém, o pernil e a costelinha são os preferidos dos clientes. “Em média, servimos 80 quilos destes cortes por semana”, calcula Sidnei Ferreira da Silva, chefe de carne do restaurante.


Gripe A(H1N1)

A estatística também mostra que a equivocada associação da carne porco à gripe H1N1, há quase dois anos, não afetou o setor no estado. Apesar de ser o maior consumidor per capita do alimento, Minas é o quarto maior produtor da carne, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína.

Para saber mais

Nutricionistas alertam que tanto a carne de porco quanto a bovina têm pontos positivos e negativos. Uma das críticas dos especialistas recai sobre as chamadas partes gordas de ambos os alimentos. Por outro lado, as partes magras dos dois animais contém ferro, nutriente que previne a anemia. “Na de boi, há 2 miligramas para cada 100 gramas de alimento cru. Na de porco, 0,5 miligramas”, diz a professora Carla de Oliveira Barbosa Rosa, coordenadora do curso de Nutrição do Centro Universitário Newton Paiva. Porém, destaca a especialista, que o percentual de nutriente encontrado na carne de porco pode ser fomentado com o consumo de outros alimentos, como laranja, abacaxi e goiaba. “A carne de boi é a melhor fonte de ferro para alimentação, mas variedade é importante. Se a pessoa comer apenas um tipo de carne, vai garantir somente aquele tipo de nutriente naquele alimento”. Na visão dela, portanto, ambas carnes são importantes. Porém, segundo a especialista, que também é consumidora, a família deve levar em conta a disparidade de preço no momento da compra. “Dá para usar a carne de porco em substituição à de boi. O teor de proteína e o valor calórico são praticamente os mesmos em ambas as carnes sem gorduras.”

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