Minoritários assumem controle da usina Vale do Rosário
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Agronegócio

Minoritários assumem controle da usina Vale do Rosário

A aquisição foi feita através de financiamento do banco Bradesco, num valor total próximo a 800 milhões de dólares
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Os acionistas minoritários da produtora de açúcar e álcool Vale do Rosário, que detinham 49,8 por cento do capital da empresa e resistiram à oferta de aquisição apresentada pela Cosan em janeiro, exerceram nesta terça-feira (27-02) o direito de preferência e assumiram o controle da companhia.

"Já temos o controle da usina hoje", disse o vice-presidente da Vale do Rosário, Cícero Junqueira Franco, acrescentando que o negócio ficou em torno de 380 milhões de dólares.

A Vale do Rosário é a quarta maior usina de açúcar e álcool do país e tem participação em outras duas unidades, o que a coloca como um dos 15 maiores grupos em operação no setor brasileiro.

A compra foi efetuada pela empresa B5, do empresário Luiz Biagi, que detinha, mesmo anteriormente ao negócio, a maior participação no capital da Vale (cerca de 11 por cento). A B5 é quem vai redistribuir as ações adquiridas.

Para a operação, os minoritários utilizaram uma linha de financiamento oferecida pelo banco Bradesco, num valor total próximo a 800 milhões de dólares. A operação foi montada pelos bancos ING e Rabobank.

Numa próxima fase, serão definidos quais acionistas permanecerão na empresa. Alguns deles já demonstraram interesse em deixá-la e outros, a intenção de aumentar suas participações, afirmou Junqueira Franco.

"Aqueles que decidirem sair nós vamos comprar nas mesmas condições que compramos as ações que estavam comprometidas com a Cosan", disse ele.

Em uma etapa seguinte deverão ingressar na companhia novos investidores. Entre os interessados, segundo Junqueira, estão a multinacional Bunge e os fundos Gávea, do ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga, e o GG Investimentos, do ex-ministro Antonio Kandir.

Fusão

Apesar da mudança no capital, a Vale do Rosário mantém o interesse em se fundir com a usina Santa Elisa. O projeto está sendo analisado desde setembro e, segundo Junqueira Franco, está "muito próximo" de acontecer.

Juntas, as duas formariam o segundo maior grupo do setor, com uma capacidade de moagem de cerca de 20 milhões de toneladas de cana-de-açúcar já na safra 2007/08 -- hoje, cada grupo tem cerca de 10 milhões de toneladas.

Mas o projeto prevê expansão, com investimentos em novas usinas e ampliação das existentes. Os recursos para isso viriam do lançamento de ações na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa).

Até a semana passada, havia a expectativa de que a fusão fosse realizada algum tempo depois da definição do novo quadro acionário da Vale. Contudo, segundo Junqueira, existe a possibilidade agora de que a fusão ocorra durante o próprio processo de reestruturação da companhia.

"O projeto da fusão está tão adiantado que é capaz da reestruturação acionária da Vale coincidir com a fusão", disse ele. "Se tivermos um intervalo pequeno entre uma fase e outra, a gente até vai admitir esses novos investidores já depois da fusão pronta."

A presença da Santa Elisa pode até facilitar a entrada de novos investidores, disse Junqueira, ressaltando que a fusão deverá valorizar a companhia, que passará a ter outro nome.


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