Moinhos de trigo do Grande ABC resistem à pressão argentina

Agronegócio

Moinhos de trigo do Grande ABC resistem à pressão argentina

Por:
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Leone Farias
Do Diário do Grande ABC

Atividade tradicional na região, o segmento de moinhos de trigo do Grande ABC luta, em meio às dificuldades do cenário econômico, para se manter competitivo e rentável. A concorrência com a farinha argentina, que tem invadido o mercado nacional, e a dependência da matéria-prima importada são desafios para as empresas do ramo.

O diretor-superintendente do Moinho Santa Clara, Cristian Saigh, afirma que não se intimida, apesar de observar retração de 8% nas vendas no primeiro quadrimestre. "São 82 anos de casa (a companhia foi fundada em 1927), sou a terceira geração à frente da empresa", afirmou.

O executivo citou que a lucratividade da fabricante é pequena - "estamos no limite mínimo de rentabilidade" - mas garante que o segredo da longevidade é manter estrutura enxuta, "sem luxos", e fazer "o trabalho de formiguinha", ou seja, privilegiar os pequenos varejos e padarias para diluir o risco. "A receita no ‘varejinho"" é melhor", afirmou. A opção por esses canais de distribuição tem garantido bons resultados. Em 2008, foram R$ 180 milhões em faturamento.

Em relação aos custos, os moinhos da região buscam alternativas ao trigo argentino. É uma necessidade em vista de o governo de Cristina Kirshner ter taxado as exportações desse cereal em 28% e passado a subsidiar as vendas externas de farinha. Além disso, esse país enfrentou a pior seca da sua história, que dizimou parte da colheita.

Saigh tem importado o insumo do Uruguai, cujo valor gira em US$ 310 a tonelada, e negocia com Canadá e Estados Unidos (que têm preços em média US$ 45 mais caros).

Outra empresa tradicional do ramo, o Moinho São Jorge, de Santo André, fundado há 58 anos e que já viveu dias lendários - seu salão de festas, conhecido como Palácio de Mármore foi incluído nas visitas do Itamaraty na década de 1960 - também busca equacionar a questão do fornecimento. "Temos emissários no Exterior, na Rússia, na Ucrânia e na Turquia, não podemos ficar sem o produto", afirmou o diretor Nilo Sírio.

O executivo da fábrica de Santo André destacou que a produção agrícola brasileira vai aumentar neste ano, reduzindo a dependência externa. "Devemos chegar a mais de 6 milhões de toneladas, para consumo de 10,5 milhões a 11 milhões, ou seja, mais da metade. Há dois anos, 80% do que consumíamos era importado", assinalou.

No ano passado, o Moinho São Jorge produzia mensalmente 16 mil toneladas de farinha, volume 40% inferior ao que fazia em 2007. O executivo afirmou que o moinho tem mantido volume baixo de fabricação até que se resolva, de forma satisfatória, a questão da importação.

Subsídios - Os custos mais elevados em função da necessidade de importar esbarram também nos custos do frete e na alíquota de 10% da TEC (Tarifa Externa Comum), cobrada na importação do item de fora do Mercosul. "Teríamos de reajustar o nosso produto, mas o mercado não comporta. Até porque a Argentina traz a farinha pronta subsidiada, a preço de dumping (abaixo do custo)", assinalou Sírio.


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