A safra de algodão 2025/26 registrou forte pressão de pragas, com destaque para a mosca-branca, responsável por 44,9% das ocorrências identificadas nas áreas monitoradas pelo Centro de Inteligência Agronômica (CIA), ferramenta da Syngenta Digital. Segundo dados divulgados pela plataforma, o índice geral de presença de pragas chegou a 7,85% em microrregiões de 31 propriedades brasileiras, em uma área acumulada de 1 milhão de hectares ao longo do ciclo.
O levantamento também identificou os pulgões como o segundo grupo de maior ocorrência, além de apontar diferenças regionais na pressão fitossanitária. Goiás apresentou o maior índice de presença de pragas, enquanto Mato Grosso e Bahia também registraram infestações relevantes durante o desenvolvimento das lavouras.
O monitoramento reforça a importância da identificação precoce dos focos de infestação e do planejamento do manejo fitossanitário para reduzir os riscos à produtividade e à qualidade da pluma.
Mosca-branca e pulgões concentram ocorrências na lavoura de algodão
Segundo dados divulgados pelo Centro de Inteligência Agronômica (CIA), a mosca-branca (bemisia tabaci) foi a principal praga identificada na safra 2025/26, respondendo por 44,9% do total de ocorrências registradas na plataforma. Na sequência, os pulgões (Aphis gossypii) representaram 14,8%. O relatório também identificou o complexo de Spodoptera, com 4,1% das ocorrências, seguido por Helicoverpa, com 2,4%, bicudo-do-algodoeiro, com 1,6%, percevejo-marrom, com 0,9%, lagarta-das-maçãs, com 0,6%, e percevejo-barriga-verde, com 0,5%.
Os dados consolidados mostram que a pressão de insetos esteve entre os principais desafios fitossanitários do algodão durante a temporada, exigindo atenção ao monitoramento e à adoção de medidas de controle adequadas às condições de cada lavoura.
Goiás lidera pressão de pragas entre as regiões monitoradas
A análise regional do CIA apontou diferenças na presença de pragas entre os principais polos produtores de algodão do Brasil. Goiás registrou o maior índice regional, com 13,2%.
Na Bahia, o índice médio chegou a 8,8%, com forte pressão de mosca-branca e pulgões concentrada no Oeste Baiano. Já Mato Grosso, maior produtor nacional de algodão, apresentou índice médio de 7,5%.
No estado mato-grossense, o relatório identificou picos expressivos de infestação no início do estabelecimento das lavouras e no período entre janeiro e maio de 2026.
Para Matheus Kalil, gerente de Dados Agronômicos da Syngenta Digital no Brasil, a velocidade de resposta aos focos de infestação é determinante para o resultado do manejo. “A safra 25/26 no algodão provou que o tempo entre a identificação do foco e a entrada do manejo é determinante para evitar perdas de qualidade da pluma e garantir o bom desenvolvimento da planta. O pico de mosca-branca entre janeiro e maio exigiu um monitoramento mais detalhado e, quem dependia de amostragem tradicional, acabou entrando tarde com as ferramentas fitossanitárias e pagando mais caro pelo controle”, explica.
Ramulária ganha força no segundo semestre
Além das pragas, o monitoramento do CIA identificou doenças que afetaram as lavouras de algodão ao longo do ciclo. O índice geral de presença de doenças foi de 2,4%, segundo dados divulgados pela plataforma.
Entre as enfermidades, a ramulária (Ramularia areola) destacou-se como o principal problema registrado, representando 9,4% de todas as ocorrências de doenças identificadas no sistema.
Embora a presença da doença tenha permanecido baixa no primeiro trimestre, a pressão aumentou a partir de abril e atingiu o pico no início de agosto de 2026. Nesse período, o índice de presença chegou a 10,45% nas microrregiões monitoradas. O levantamento também registrou mancha de alternária ou pinta-preta, com 0,89% das ocorrências, mofo-branco, com 0,2%, e cercóspora, com 0,1%.
Monitoramento de doenças ajuda a orientar o manejo
A identificação das áreas com maior pressão de doenças pode contribuir para o planejamento das medidas de controle e para a proteção do potencial produtivo do algodoeiro.
Segundo Matheus Kalil, o acompanhamento da evolução das doenças permite identificar tendências de aumento da pressão fitossanitária e direcionar as intervenções no campo. “Quando o produtor enxerga o mapa de calor e a tendência da doença ganhando força no talhão, ele consegue antecipar a aplicação localizada, proteger o baixeiro do algodoeiro e preservar o potencial produtivo até a colheita. Esse é o principal valor que o monitoramento com as ferramentas da plataforma Cropwise, assim como a integração de informações e as análises de dados, entregam para o agricultor”, destaca Kalil.
O relatório da safra 2025/26 evidencia a importância do acompanhamento contínuo de pragas e doenças nas áreas produtoras de algodão. A identificação dos focos e a análise da evolução da pressão fitossanitária são ferramentas para orientar as decisões de manejo ao longo do ciclo da cultura.