Por Aline Merladete com colaboração e revisão de Ubirajara Fontoura, engenheiro agrônomo
A definição da dose e do momento de aplicação do Nitrogênio é um dos principais fatores para a produtividade e a qualidade do trigo. O nutriente participa do crescimento das plantas, da formação de perfilhos e do enchimento dos grãos, mas seu uso inadequado pode aumentar os custos de produção e provocar perdas na lavoura.
O planejamento deve começar antes da semeadura, com a análise de solo e a avaliação do histórico da área. O teor de matéria orgânica do solo (MOS), histórico da área, considerando a cultura anterior, leguminosa ou gramínea, cultivar de trigo a ser semeada, regime pluviométrico e a expectativa de produtividade são critérios importantes para determinar a necessidade de nitrogênio e suas formas de aplicação, no sulco de semeadura ou em cobertura, para cada talhão.
Áreas cultivadas anteriormente com leguminosas, como soja, ervilhaca e outras, podem apresentar maior disponibilidade do nutriente, permitindo ajustes nas doses. A eficiência da nodulação e capacidade de captação de N atmosférico são fatores importantes. Pesquisadores, tem mostrado que a soja em um ciclo de cultivo pode deixar no solo 100 kg/ha de N. As resposta de aplicação de N em trigo, no entanto, podem apresentar diferentes respostas, dependendo do teor de matéria orgânica do solo, cultivar, regime de chuvas e outros.
Perfilhamento é o principal momento de aplicação
A dose total de N recomendado, geralmente será na semeadura no sulco de plantio e a maior parte costuma ser aplicada em cobertura, no início do perfilhamento, quando a planta começa a formar novos colmos e define parte do número de espigas por área. Nessa fase, o nutriente favorece o desenvolvimento das folhas e contribui para o potencial produtivo. Do total de N/ha recomendado, 15 a 25% serão aplicados no sulco de semeadura e o restante no início do perfilhamento. Caso a dosagem para aplicar em cobertura for superior a 80 kg/ha, deverá fazer aplicações parceladas, espaçadas de 15 a 20 dias.
Em geral, os parcelamentos são necessários em sistemas de maior intensidade tecnológica, como irrigação, nível de adubação, cultivar e outras. Nestes casos uma segunda aplicação pode ocorrer durante o alongamento dos colmos. A decisão depende do vigor das plantas, das condições climáticas e da expectativa de produtividade. Esse manejo também pode contribuir para o teor de proteína dos grãos, especialmente em trigos destinados à panificação.
Devemos lembrar que o excesso de nitrogênio pode provocar crescimento vegetativo exagerado, aumentar o risco de acamamento e favorecer doenças foliares de final de ciclo. Em lavouras com essas características, a segunda cobertura pode ser reduzida ou até suspensa.
As condições de umidade também exigem atenção. Aplicações próximas à ocorrência de chuva leve ou irrigação podem favorecer o aproveitamento do fertilizante e reduzir perdas por volatilização. Por outro lado, chuvas intensas e solos encharcados e/ou arenosos aumentam o risco de perdas por lixiviação e desnitrificação.
Além do momento de aplicação, a eficiência da adubação depende da correção do solo, do equilíbrio de outros nutrientes, da rotação de culturas e da escolha de cultivares adaptadas às condições da lavoura.
O custo do fertilizante também deve entrar no planejamento. Doses elevadas nem sempre representam maior retorno econômico, especialmente em áreas com limitações de fertilidade, drenagem ou potencial produtivo.