No etanol e na eletricidade, usinas flex ampliam rede sustentável

Agronegócio

No etanol e na eletricidade, usinas flex ampliam rede sustentável

Mais do que competidores, biocombustíveis e bioenergia são parceiros para viabilizar o álcool de celulose no Brasil
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A energia gerada da biomassa de cana-de-açúcar pode ser a ponte para viabilizar os biocombustíveis de segunda geração no Brasil. Ao contrário do que se poderia supor, a bioeletricidade não concorre com o etanol celulósico, mas é complementar. “A busca por fontes seguras, limpas e renováveis de energia elétrica tornou-se preocupação mundial. E a bioeletricidade é uma solução que pode muito bem deflagrar outra revolução, à parte, na mesma escala do etanol”, avalia o presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Marcos Jank.

A possibilidade de usar o bagaço da cana tanto para produzir álcool como eletricidade dá mais segurança à usina, que pode optar por um produto ou por outro de acordo com as condições de mercado, considera Pedro Luiz Fernandes, presidente regional para a América Latina da empresa dinarmaquesa Novozymes. “Vale mais a pena produzir mais etanol e pagar pela energia? Produzir menos álcool para não ter gastos com eletricidade? Diminuir a produção de etanol para exportar energia? Essas são perguntas que os gestores das usinas terão que fazer todos os dias”, avalia. Para Fernandes, a possibilidade de optar pelo produto que for mais conveniente para a saúde da empresa, como já acontece com o acúçar e o álcool, confere mais flexibilidade ao setor sucroalcoolerio e mitiga os riscos para a cadeia produtiva.

Até recentemente, cerca de dois terços do potencial energético da cana-de-açúcar não eram utilizados. Mas isto está mudando. Montanhas de bagaço que antes se acumulavam nos pátios de usinas, sem uso, hoje geram autossuficiência energética para as unidades processadoras.

A energia gerada nesse processo não só faz com que as usinas sejam 100% autossuficientes, como também permite que elas forneçam excedentes de eletricidade para as redes nacionais de distribuição. Conforme levantamento da consultoria Datagro, a cogeração é uma realidade em todas as 430 usinas brasileiras. Dessas, 42 têm excedente para exportar.

Hoje, o potencial de cogeração da indústria sucroalcooleira nacional é de 1,8 mil megawatts médios em excedentes de eletricidade, o que equivalente a 3% do total necessário para abastecer o Brasil. Com a intensificação do uso da biomassa que vem da cana, estima-se que a capacidade de geração do setor pode atingir até 15 mil megawatts médios até 2020. Isso seria suficiente para fornecer até 15% das necessidades do país, ou o equivalente ao consumo de países inteiros, como Suécia ou Holanda.


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