Norte do ES vive um novo ciclo na produção do café conilon

Agronegócio

Norte do ES vive um novo ciclo na produção do café conilon

A safra marca o fim do modelo agrário e o início da do avanço genético
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A safra do café conilon, a ponto de terminar no Norte e Noroeste do Espírito Santo, projeta um novo ciclo marcado pelo fim de um modelo agrário e começo de outro graças à revolução tecnológica no campo.

O retrato de plantas do Conilon (Coffea Canephora), originárias dos países africanos de 2,5 metros de altura, sendo colhidos com varas e escadas são imagens do passado. Este tipo de café quase não existe mais e a incipiente era do conilon é caracterizada pelo avanço genético.

A produtividade média das variedades criadas nos centros de ciências agrárias capixabas, entre os quais o Vitória rendem entre 70 a 80 sacas por hectare. Em lavouras irrigadas, adubação e poda colheram-se até 110 ou mais sacas em áreas bem menores. Apesar da fase lucrativa, a alta produção ocorre em "ilhas de fertilidade" porque na média os cafezais no Norte ainda produzem no máximo 25 sacas por hectare com 1,7 mil plantas, atestam técnicos do Instituto Capixaba de Pesquisa e Extensão Rural (Incaper) de Colatina e Marilândia.

O café baixo, galhos robustos e grãos maiores foram projetados pelos pesquisadores capixabas que este ano colhem os frutos do trabalho em equipe que ajudou na redenção do agronegócio-café no Estado. "As coisas mudaram na região. Apesar das dificuldades, o preço da saca compensa", confirma o produtor rural Nilson Campostrini Filho que cultiva café, cacau e coco às margens do Rio Doce, em Maria Ortiz.

Este ano, a previsão da safra recorde de conilon na ordem de 470 mil sacas esta prestes a ser concretizada em Colatina e Marilândia, devendo gerar cerca de R$ 85 milhões brutos em créditos, na estimativa do Incaper colatinense. Aliás, o berço do Conilon Vitória é o jardim clonal da Fazenda Experimental de Marilândia onde nasceu e foi lançado no mercado em 2004. Somente em Colatina com 15 mil hectares de café, o saldo da safra de 2007 está estimada em 350 mil sacas. Em Marilândia a previsão gira em tono de 120 mil sacas.

Dados da Secretaria de Agricultura de Colatina indicam que o café ainda é o patrão-maior no município, por extensão em outras cidades vizinhas do Pólo de Colatina.

O número

O preço atual da saca do café conilon é de R$ 190,00, segundo a cotação da Cooperativa Agrária dos Cafecultores de São Gabriel da Palha (Cooabriel).

Memória

Os primeiros plantios comerciais de conilon foram introduzidos em São Gabriel da Palha em 1971 pelo então prefeito Dário Martinelli, ainda hoje um dos maiores produtores e entusiastas da cultura que ajudou a criar na região. A política de incentivar o surgimento das plantações que originou a nova era do conilon foi seguida pelo seu sucessor o ex-prefeito Eduardo Glazar. Hoje, São Gabriel é conhecida como a "Capital Nacional do Conilon".

Plantio depende de análises:

"Um bom plantio depende dos tratos culturais. Análise de solo e foliar são vitais. Sem tecnologia da irrigação, controle de doenças e adubação não existe lavouras rentáveis. A fase do improviso ficou para trás", disse o agrônomo José Carlos Grobério, chefe do Incaper de Colatina. Devido à topografia acidentada das terras do Norte, outro aspecto traçado pelos técnicos é seguir a curvas de nível ao planejar a plantação. Segundo o Incaper, Colatina deve superar as 250 mil sacas produzidas em 2006, chegando a 320 mil e Marilândia 120 mil sacas.

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