Nota da Federarroz sobre informações repassadas pela Abiarroz

Agronegócio

Nota da Federarroz sobre informações repassadas pela Abiarroz

Preços pagos ao produtor de arroz subiram meramente 16,99%
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A Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz) garante o abastecimento alimentar do país e lamenta as posições apresentadas pela Associação Brasileira da Indústria do Arroz (Abiarroz), em notícia veiculada na última sexta-feira, dia 1º de Julho, a respeito do comportamento dos preços do arroz, ligado ao suposto movimento especulativo do setor primário. Além de considerar as afirmações uma verdadeira afronta aos bons costumes e ao trabalho harmonioso da cadeia produtiva, a Federarroz entende que elas, claramente, faltam com a veracidade e contextualização dos fatos. 

Ao contrário do afirmado pelo presidente da entidade, Mário Pegorer, os preços pagos ao produtor de arroz subiram meramente 16,99%, na comparação da média de preços do primeiro semestre de 2015 para o mesmo período de 2016 (Cepea/Esalq), muito aquém dos injustificáveis 67% afirmados pelo Presidente da Abiarroz. Ainda assim, considerando pontualmente a última cotação do dia 3 de julho de 2016 com a mesma data  de 2015, o aumento foi de 45,17%. Entretanto, a vigorosa diferença tem origem na queda de preços no período da safra em 2015, oportunidade em que a saca do arroz chegou a R$ 30,00 em algumas regiões do Estado do Rio Grande do Sul. As causas do afundamento dos preços no ano de 2015 foram a excelente produção no período aliada à descapitalização dos produtores pela total ausência de mecanismos de sustentação de preços por parte do Governo Federal, sobretudo o denominado pré-custeio. Vale salientar que nesse período, primeiro semestre de 2015, todos os produtores que venderam o produto, fizeram por preços abaixo do custo de produção, segundo a Conab e Cepea/Esalq, trabalhando com prejuízos incontornáveis de até R$ 10,00 por saca.

Sobre a acusação "movimento especulativo do setor de produção de arroz", a afirmação evidencia certa pretensão e total indiferença ao trabalho coletivo e harmonioso que vem sendo buscado pela cadeia produtiva nos últimos anos. Ainda na semana passada, o Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou medidas para amparo aos produtores de arroz atingidos pelas cheias e demais consequências do fenômeno climático El Niño, com objetivo de mantê-los na atividade e garantir o abastecimento de 2017.

Agravando as consequências da queda de produção na ordem de 16%, segundo o Instituto Riograndense do Arroz (Irga), os custos de produção na fazenda aumentaram 18%, o que elevou o custo unitário por saco de 50 quilos para mais de R$ 47,00. Portanto, diferentemente do suposto movimento especulativo afirmado pelo presidente da Abiarroz, o setor produtivo está buscando a realização de lucro, como qualquer setor empresarial.

O atual momento do mercado de arroz está sendo marcado pelo absoluto equilíbrio entre a oferta e a demanda. Ao contrário dos anos anteriores, a disponibilidade de produto em casca está menos facilitada, principalmente nas regiões produtoras diferentes de Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Também, produtores gaúchos estão mais seletivos à compradores menos tradicionais ou grupos comerciais com histórico de recuperação judicial.

Visando atenuar os equívocos pela interpretação da matéria veiculada pela Abiarroz, resta ressaltar novamente o mal momento vivenciado pelo setor produtivo de arroz no Brasil, com consequente aumento da inadimplência, apesar da elevação dos preços pagos ao produtor, considerados históricos. Entretanto, o Brasil ainda possui historicamente os menores preços mundiais de arroz pagos pelo consumidor, segundo o diretor Comercial do Irga, Tiago Sarmento Barata, certamente assegurados pelo profissionalismo dos produtores brasileiros.

A intencionalidade da criação de facilidades para a entrada de arroz importado, além de desproporcional, pelo afastado risco de desabastecimento, poderá infringir em danos à saúde da população brasileira. São vários os países que produzem arroz sem protocolos de carência e utilizam agroquímicos proibidos no Brasil, e, portanto, possuem custos de produção mais reduzidos. Assim, seria um desincentivo à produção de arroz no Brasil, colocando em risco o abastecimento de 2017 e todo trabalho e esforço realizado pelos Ministérios da Agricultura e Fazenda para amparar os produtores rurais e mantê-los na atividade.

A Federarroz, entidade do setor produtivo de arroz do Rio Grande do Sul, afirma que os produtores gaúchos estão focados em produzir arroz com custos compatíveis, portanto, elevada produtividade, para colocar na mesa do brasileiro alimento barato e saudável. Também acredita que os demais produtores brasileiros de arroz serão capazes de fazer o mesmo. Por anos conseguintes o arroz gaúcho vem sendo atestado como livre de resíduos da agroquímicos, conforme  Plano Nacional de Controle de Resíduos e Contaminantes em Produtos de Origem Vegetal (PNCRC/Vegetal), organizado pelo Ministério da Agricultura.
 

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