Novo modelo de crédito busca ampliar vendas a prazo no agro
Estrutura permite antecipar recebíveis e financiar vendas com menor exposição
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A transferência do risco de inadimplência em operações de crédito surge como alternativa para indústrias e distribuidoras do agronegócio que precisam manter as vendas a prazo em um cenário de maior seletividade na concessão de financiamento. Nesse modelo, as empresas podem antecipar o recebimento das vendas e transferir a responsabilidade pelo risco de não pagamento a uma instituição financeira, preservando recursos para continuar atendendo seus clientes.
A modalidade permite que a indústria ou distribuidora realize a venda normalmente e transfira a uma instituição financeira o direito de receber o valor negociado, juntamente com o risco de inadimplência. Dessa forma, a empresa reduz sua exposição ao crédito concedido aos compradores e pode utilizar os recursos recebidos para financiar novas operações comerciais.
Uma das iniciativas que utilizam essa estrutura é o GCI Impulsiona, braço financeiro do Grupo Ceres Investimentos, que movimentou R$ 100 milhões em seu primeiro mês de operação. A empresa projeta apoiar mais de R$ 500 milhões em vendas durante a safra 2026/27, ampliando a utilização do modelo entre grandes indústrias e distribuidoras do agronegócio.
Segundo Oziel Ferreira, CEO da Ceres Agrofinance, a proposta busca atender empresas que precisam continuar oferecendo prazos de pagamento aos clientes sem comprometer sua capacidade financeira. “O nosso papel é assumir o risco de crédito para que a indústria possa continuar vendendo, preservando sua capacidade financeira. Os R$ 100 milhões movimentados no primeiro mês mostram que encontramos uma necessidade real do mercado e uma oportunidade de contribuir para a liquidez da cadeia”, afirma Ferreira.
Uma das características da estrutura é a avaliação do risco de crédito com base em informações que vão além dos indicadores financeiros tradicionais. O histórico comercial dos clientes finais e o comportamento de pagamento ao longo da cadeia são considerados na análise das operações.
Esses dados ajudam a compreender o perfil das negociações e as condições de pagamento dos compradores, permitindo uma avaliação mais detalhada dos riscos envolvidos na concessão de crédito.
“Nossa análise não se limita aos indicadores financeiros tradicionais. O histórico comercial e o comportamento de pagamento dos clientes ao longo da cadeia nos permitem enxergar informações que ajudam a compreender melhor o risco de cada operação. Essa inteligência de dados é fundamental para estruturarmos soluções de crédito mais aderentes à realidade dos negócios”, explica Ferreira.
A transferência do risco também representa uma alternativa para empresas que tradicionalmente utilizam recursos próprios para financiar seus clientes. Ao negociar os recebíveis, indústrias e distribuidoras podem reduzir a concentração dos riscos de inadimplência e manter maior disponibilidade financeira para novas vendas.
De acordo com Ferreira, a procura pela modalidade está relacionada à necessidade de soluções que não se limitem à antecipação dos pagamentos, mas também assumam os riscos associados às operações comerciais.
“Enquanto o mercado recuou do agro, nós decidimos entrar no elo mais importante da cadeia. O nosso movimento de mercado e a adesão das grandes indústrias no projeto mostram que os nossos parceiros estavam esperando alguém disposto a assumir o risco de crédito junto com elas, e não apenas antecipar o recebível”, destaca.
Com a expectativa de apoiar mais de R$ 500 milhões em vendas na safra 2026/27, o Grupo Ceres pretende ampliar a estrutura junto a grandes empresas do setor. O modelo integra um conjunto de soluções financeiras e de gestão de riscos que também contempla operações de câmbio, proteção contra oscilações de preços, derivativos e seguros corporativos e agrícolas.