O outro lado da crise no setor sucroenergético
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Agronegócio

O outro lado da crise no setor sucroenergético

Falta de gestão pode ter ajudado a declinar a cadeia produtiva no País
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Falta de gestão pode ter ajudado a declinar a cadeia produtiva da cana-de-açúcar no País

Dourados (MS) - A falta de planejamento nos investimentos das usinas sucroalcooleiras a partir de 2008 - início da crise financeira mundial - pode ter ajudado a levar o setor ao atual número de falências. Só neste ano, 12 unidades de produção devem ser fechadas no Centro-Sul do País, três só no Paraná, conforme dados da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica). De acordo com Marcos Fava Neves, professor titular da área de planejamento da Universidade de São Paulo (USP), muitas usinas exageraram nos investimentos sem uma previsão mercadológica.


O especialista não retira a responsabilidade do governo federal perante a crise vivida pela cadeia produtiva, mas salienta que o setor privado necessita se organizar melhor para trabalhar com a atividade. Na área agrícola, por exemplo, ele explica que o setor pecou principalmente na falta de renovação dos canaviais, plantio fora de época, levantamento de perdas com o sistema mecanizado, baixo índice de capacitação técnica e biotecnológica, entre outras questões básicas que não têm sido aplicadas.

A consequência dessa gestão deficiente, revela Neves, foi a baixa produtividade das lavouras brasileiras em pleno período de preços baixos do açúcar e principalmente do etanol. No setor industrial, o especialista destaca que faltam investimentos na substituição de equipamentos e monitoramento dos custos operacionais das usinas. Segundo ele, empresas que tiveram uma boa gestão estão em uma melhor situação.


Em relação à responsabilidade do governo federal, Neves acrescenta que é necessário que seja definida uma estratégia energética. O especialista destaca que a elevação para 25% de etanol na gasolina, medida que terá início a partir de maio, já é um grande avanço. Segundo Neves, o consumo mensal no Brasil deverá passar de 653 milhões de litros para 830 milhões de litros por mês. "Já passamos pelo fundo do poço, o setor está começando a se recuperar", destaca.

Mais cana

Durante a segunda edição do simpósio Agroenergia em Curso, evento promovido pelo Projeto Agora, entidade criada por 15 associações e empresas da cadeia produtiva da cana-de-açúcar, ocorrido na última quinta-feira em Dourados (MS), o diretor técnico da Unica, Antonio de Padua Rodrigues, revelou que não há crescimento porque faltam recursos para investimentos.


Segundo ele, 42% do setor possui uma dívida líquida de R$ 100 por tonelada de cana processada. Rodrigues estima que o endividamento do setor para esta safra chegue a R$ 56 bilhões, 4% a mais se comparado ao mesmo período do ano passado. "O setor precisa buscar aumentar a sua produtividade para ampliar a oferta de produto", observa.

* O jornalista viajou a Dourados a convite do evento.

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