A próxima semana deve ser desanimadora para os preços da soja, de acordo com o que acredita Ruan Sene, analista de mercado da Grão Direto. Isso porque o mercado fica de olho nos dados sobre o avanço da colheita que será informado pelo relatório da Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB).
“A colheita se mostra, atualmente, com 7% de atraso em relação à safra anterior. Contudo, com a chegada do outono, a expectativa é que chuvas diminuam, abrindo, assim, espaço para o avanço rápido da colheita. No entanto, esse avanço pode acarretar em ainda mais problemas logísticos e de armazenagem, pressionando os preços para baixo”, comenta.
Ele afirma ainda que, com a proximidade do início da safra 2023/24 nos EUA, o mercado começará a direcionar mais atenção para o meio-oeste norte-americano. “Na sexta-feira (31/03), o USDA divulgará atualizações dos números de intenção de plantio de soja, que dará direcionamentos para as cotações em Chicago. Para o dólar, espera-se muita oscilação na semana, visto que o mercado segue desconfiado sobre a solidez do setor bancário, que se mostrou frágil ao aumento das taxas de juros norte-americanas. Com isso, podemos esperar uma leve alta no câmbio do Dólar. Diante dos cenários descritos, pode ocorrer uma continuidade de queda nos preços da soja, tanto em Chicago quanto no mercado físico brasileiro”, completa.
Os destaques da semana passada foram o agravamento da situação logística no Brasil e a China comprando soja nos EUA e aumento das taxas de juros norte-americanas. “Diante disso, o contrato com vencimento em maio/23 finalizou a semana sendo cotado a U$ 14,29 o bushel (-3,18%) e o contrato com vencimento em julho/23 encerrou a U$ 14,07 o bushel (-3,70%)”, indica.
“A logística interna do Brasil, principalmente, em relação ao escoamento para os portos, tem sofrido um aumento na demanda. Consequentemente, os preços refletem esse aumento devido à incapacidade de aumento da oferta de transporte rodoviário. Esse gargalo logístico tem influenciado na queda dos preços da soja para os produtores e atrasando os carregamentos para os portos”, conclui.