Odebrecht avança no álcool com a ajuda dos usineiros

Agronegócio

Odebrecht avança no álcool com a ajuda dos usineiros

O grupo adquiriu da família Lamartine 87% da usina; entretanto, a empresa será comandada pelo neto do fundador da usina
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Antes mesmo de ser batizada oficialmente, a divisão de açúcar e álcool da Odebrecht -cujo nome será definido nesta quinta-feira (09-08) pelo conselho do grupo- já começa a gerar frutos, e terá à frente do seu novo negócio empresários com experiência no setor sucroalcooleiro. A tática de expertise já foi colocada em prática na Usina Alcídia, instalada em Teodoro Sampaio. O grupo adquiriu da família Lamartine 87% da usina; entretanto, a empresa será comandada pelo neto do fundador da usina.

Além disso, Lamartine Neto também será responsável pelo pólo produtor do Pontal do Paranapanema (SP), região onde está instalada a Alcídia e onde estão sendo construídas pela Odebrecht três novas unidades produtoras de açúcar e álcool, segundo Eduardo Pereira de Carvalho, um dos sócios da CZRE, empresa que foi incorporada à Odebrecht e que será a divisão sucroalcooleira do grupo. Vale lembrar, que Carvalho foi presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) por sete anos, e agora é executivo da Odebrecht. A expertise de empresários do setor também será utilizada nos dois outros pólos produtores do grupo que estão sendo construídos em Goiás e Mato Grosso do Sul, que terão três usinas cada.

"Além de serem responsáveis pelos pólos, os empresários serão nossos sócios", afirma Carvalho, sem revelar a identidade dos usineiros por estar em fase de negociação contratual.

A produção das usinas da Odebrecht, segundo o executivo, terá início em 2009 e elas terão, em média, capacidade de processar 5 milhões de toneladas de cana-de-açúcar. Quanto à Usina Alcídia, a moagem de cana dessa unidade deve saltar do atual 1,3 milhão de toneladas para 4 milhões de toneladas nos próximos oito anos. Na ocasião, a Odebrecht pretende alcançar uma produção total de 40 milhões de toneladas de cana.

Segundo Carvalho, a divisão de açúcar e álcool será tão importante para o grupo quanto os atuais setores de atuação da Odebrecht - petroquímica e construção. "Em seis ou sete anos estaremos entre os três maiores grupos produtores do País."

Há menos de dois meses, a Odebrecht anunciou investimento da ordem de R$ 5 bilhões no setor de açúcar e álcool. O montante está sendo investido na construção dos pólos produtores e na aquisição de usinas. Entretanto, segundo Eduardo Pereira de Carvalho, o valor não inclui a formação de uma trading, infra-estrutura e aquisição de novas usinas.

Para a formação da trading, a Odebrecht conta com a experiência dos executivos Clayton Miranda, Zenilton Melo e Roger Haybittle, que saíram da Coimex (uma das maiores tradings da área de açúcar e álcool) para formar, junto com Carvalho, a CZRE.

No caso da infra-estrutura, o grupo pretende investir em alcoodutos, terminais marítimos e vias férreas, que facilitem escoar a produção, cujo destino serão os mercados interno -no caso do álcool- e externo, para açúcar. Sobre a aquisição de novas usinas, Carvalho afirmou que o grupo tem sido requisitado por diversas usinas interessadas em fazer negócios, mas que no momento não há nada de concreto. Para estes novos projetos, os recursos provavelmente podem vir por meio da abertura do capital da empresa, que está nos planos da divisão. "Poderemos abrir capital, sim, mas primeiro temos de crescer," conclui Carvalho.

Foi por meio da abertura de capital -no final de 2006- que a Clean Energy Brazil (CEB) realizou seu primeiro investimento, de aproximadamente US$ 127 milhões, com a aquisição de 49% da Usaciga Açúcar, Álcool e Energia Elétrica. Mas, diferentemente da Odebrecht, que manteve membros da família na direção do investimento, a CEB adquiriu a direção da usina. "Não tiramos a família do negócio, mas temos a função de reestruturar e profissionalizar as usinas familiares que vendem parte do negócios para se capitalizar", afirma Marcelo Junqueira, diretor do conselho de administração da Clean Energy Brazil.

Segundo Junqueira, a compra de parte de usinas é um dos negócios do grupo, que também está investindo na construção de novas usinas. A CEB está investindo numa destilaria no Mato Grosso do Sul, a Pantanal que deve começar a operar na safra 2009/10 e recebeu R$ 160 milhões de aporte.

A empresa, que representa diversos investidores, na maioria estrangeiros, também pretende instalar uma usina em Goiás. Trata-se da Usina Água Limpa, que já recebeu uma licença prévia e deve começar a operar em quatro anos com capacidade de produzir 1,5 milhão de litros de álcool.


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