Oito entidades defenderão o tabaco na Suíça

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Oito entidades defenderão o tabaco na Suíça

Oito entidades encaminharam representantes ao evento, mesmo sem a certeza de acesso aos painéis de discussão da COP
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A partir da sexta-feira, 28, líderes do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina começaram a jornada rumo à 8ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro para Controle do Tabaco (COP-8), que ocorre entre segunda e sábado em Genebra, na Suíça. Oito entidades encaminharam representantes ao evento, mesmo sem a certeza de acesso aos painéis de discussão da COP.

Representando a mão de obra da indústria do tabaco, que nos três Estados do Sul reúne 40 mil trabalhadores, Gualter Baptista vai a Genebra pela Federação Nacional dos Trabalhadores nas Indústrias do Fumo (Fentifumo) e pelo Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias do Fumo e Alimentação de Santa Cruz (Stifa). Ele embarca neste sábado e espera ser recebido pelo embaixador do Brasil na Suíça. A partir do encontro, Baptista quer tentar negociar a entrada dele nas audiências. “A indústria do tabaco recebe trabalhadores com idade mais avançada, que dificilmente teriam acesso ao mercado de trabalho. É uma atividade extremamente importante.”

Em nome dos produtores rurais estarão no evento a Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra), a Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul (Fetag) e a Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado de Santa Catarina (Fetaesc). O vice-presidente da Afubra, agrônomo Marco Dornelles, afirma que a meta é fazer pressão para chamar a atenção das autoridades dos 181 países participantes da conferência. “Uma representação diplomática do Brasil estará na COP. Nossa missão é defender o produtor junto a esta autoridade”, diz. Pela Fetag, o vice-presidente de Política Agrícola, Nestor Bonfanti, leva a experiência da conferência do Uruguai, ocorrida em 2010. “Naquela vez houve uma mobilização muito grande e algumas entidades tiveram acesso”, conta.

A Fetaesc, de Santa Catarina, também acredita em uma abertura semelhante ao que ocorreu na COP-4, no Uruguai. É no que aposta Adriano da Cunha, vice-presidente da federação catarinense. “Neste ano, o governo federal está sem a representação dos deputados e mostrou-se aberto ao diálogo em audiências públicas. A esperança de participar da conferência é grande.” Fechando a representatividade do produtor, a Câmara Setorial do Tabaco, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), também vai à COP. O presidente da Câmara, Romeu Schneider, embarca amanhã junto com Dornelles, da Afubra.
A indústria estará representada pelo Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco (Sinditabaco) e pela Associação Brasileira da Indústria do Fumo (Abifumo). O presidente do Sinditabaco, Iro Schünke, embarca hoje. Já o presidente da Abifumo, Carlos Galant, foi ontem.

Amprotabaco participará com comitiva regional
A Associação dos Municípios Produtores de Tabaco (Amprotabaco) confirmou a ida de uma delegação representando a entidade na COP-8. O vice-presidente no Rio Grande do Sul, Rudinei Härter (PDT); o tesoureiro, prefeito de Venâncio Aires, Giovane Wickert (PSB); e o consultor executivo Dalvi Soares de Freitas embarcam hoje para Genebra.

Presidente da Amprotabaco, o prefeito de Santa Cruz do Sul, Telmo Kirst (Progressistas), afirma que os produtos originários do tabaco, combatidos pela COP-8, são legais, de indústrias legais. “Nós vamos lutar até o fim, pois a cadeia produtiva é fundamental para os municípios. Os prefeitos têm sido muito ouvidos depois do surgimento da associação, já que representam uma força muito grande.” O presidente será representado pela comitiva.

Segundo Rudinei Härter, o tabaco influencia diretamente na economia dos municípios produtores. “Eles têm como renda o retorno dos impostos gerados na atividade. São Lourenço do Sul e Canguçu, por exemplo, têm nesta atividade sua principal receita”, destaca. Ele explica que é essencial que se tenha firmeza na defesa da atividade. Pequenos municípios da Metade Sul têm no tabaco a origem de até 80% de suas riquezas.

O tesoureiro da Amprotabaco, Giovane Wickert, analisa que a presença dos prefeitos na COP-8 torna-se importante, uma vez que houve grande mobilização para dar voz à entidade e agora a expectativa é que pelo menos um dos membros da delegação tenha acesso como público durante os debates. “A intenção é que nós possamos expor a cultura do tabaco e a importância dela durante a conferência.”

O consultor executivo da associação, Dalvi Soares de Freitas, destaca a representatividade dos prefeitos junto ao evento. “Ainda estamos aguardando a resposta que deverá confirmar ou não a nossa entrada. No entanto, manteremos uma comunicação frequente com a delegação brasileira”, frisa.

O jornalista e editor da Editora Gazeta, Romar Beling, acompanhará de perto a movimentação da COP-8. Ele é o enviado especial da Gazeta Grupo de Comunicações para a cobertura do evento. O jornalista chegará à Suíça no fim de semana, quando começa a produzir conteúdo para as diferentes plataformas do grupo, atualizando a Rádio Gazeta, o Portal Gaz e a edição impressa da Gazeta do Sul com as principais informações do evento.

Beling já acompanhou duas edições da COP, em Moscou, na Rússia, e em Nova Délhi, na Índia, e há mais de 30 anos registra o desempenho do agronegócio como jornalista do segmento. “Esse ambiente em que representantes de mais de uma centena de países discutem rumos para o tabaco sem dúvida exige toda a atenção da sociedade do Sul do Brasil”, frisa. “Ninguém tem dúvidas da importância do segmento, e olhá-lo só sob o ângulo da saúde jamais poderia dar conta de sua grandeza e dos reflexos positivos para todo o País.” A cobertura da Gazeta conta com patrocínio de Unisc, Sinditabaco, Afubra e Amprotabaco.

Fabricantes rebatem posição adotada pelo governo federal
Flávio Goulart, diretor de assuntos corporativos e comunicação da Japan Tobacco International (JTI) – que nesta semana inaugurou uma fábrica de cigarros em Santa Cruz –, lamenta a posição do Brasil. Para ele, mais uma vez se restringe a entrada dos produtos eletrônicos por via legal, importados ou fabricados nas plantas cigarreiras instaladas no País. Segundo ele, estudos de autoridades da Inglaterra são utilizados para confirmar que o cigarro eletrônico e vaporizadores têm menor potencial de dano à saúde. “O produto já entra clandestinamente no Brasil. Essa restrição continua expondo esse consumidor a um cigarro eletrônico sem qualidade comprovada.”

O argumento da venda a menores de idade também é questionado. Flávio Goulart frisa que os produtos fabricados à base de tabaco são destinados a consumidores adultos. “Jamais a indústria teve a intenção de criar um produto para menores.”

Para a gerente de relações científicas da Souza Cruz, Analucia Saraiva, as declarações da secretária-executiva da Conicq são contraditórias. “A própria comissão havia sinalizado para a criação de um grupo de trabalho, em nível internacional, para auxiliar na regulamentação dos eletrônicos.” Analucia diz que dos 181 países signatários da Convenção-Quadro, 102 já liberaram a fabricação e comercialização dos dispositivos eletrônicos. “O Brasil parece andar na contramão. É inegável a redução de risco, quando se compara o cigarro tradicional com os eletrônicos.”

A Philip Morris Brasil (PMB), por meio de sua assessoria de imprensa, reforça a importância da regulamentação brasileira para os novos produtos. Segundo o comunicado, o cigarro eletrônico é uma alternativa potencialmente mais segura para os adultos fumantes que não conseguem ou ainda não querem parar de fumar. “Nosso futuro sem fumaça não significa um futuro sem tabaco e isso reitera ainda mais o nosso compromisso com a região de Santa Cruz do Sul, onde temos nossa fábrica, uma das mais completas dentro da Philip Morris International no mundo”, ressalta o texto.

A nota termina criticando a forma como o Brasil se posicionará na COP-8. “Acreditamos que as políticas de controle do tabagismo que reduziram a quantidade de fumantes no Brasil não são aquelas que irão levar o País a melhorar a vida dos mais de 20 milhões de brasileiros que continuam fumando.”

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