OMC tenta manter chances da Rodada de Doha

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OMC tenta manter chances da Rodada de Doha

A OMC busca hoje reacender as esperanças por um novo acordo comercial global
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A Organização Mundial do Comércio (OMC) busca nesta sexta-feira (22-06) reacender as esperanças por um novo acordo comercial global, apesar do fracasso das negociações entre os quatro principais agentes do processo, na véspera.

Três deles - o chanceler brasileiro, Celso Amorim; a representante comercial dos EUA, Susan Schwab; e o comissário de Comércio da União Européia, Peter Mandelson - embarcaram para Genebra depois da reunião de Potsdam (Alemanha), que terminou em desacordo.

O êxito do encontro do chamado G4, do qual participava também o ministro indiano de Comércio, Kamal Nath, era considerado essencial para resgatar a Rodada de Doha para liberalização do comércio global, lançada há seis anos pela OMC.

Os representantes dos países ricos e dos países pobres se culparam mutuamente pelo fracasso. Depois do resultado de Potsdam, o diretor-geral da OMC, Pascal Lamy, convocou uma reunião para esta sexta-feira a fim de demonstrar que ainda está em busca de um rumo para a rodada.

"A convergência entre esses membros [G4] teria sido útil para abrir caminho para uma convergência multilateral. Mas útil não significa indispensável", disse Lamy em nota.

"Agora peço aos membros do G4 que contribuam com o processo multilateral de negociação, que vai continuar a partir de hoje em Genebra [onde fica a sede da OMC]."

Desde que foi lançada, ainda sob o impacto dos atentados de 11 de setembro de 2001 contra os EUA, a Rodada de Doha esbarra em vários problemas, especialmente na área de tarifas e subsídios agrícolas, assunto politicamente delicado para praticamente todos os países.

EUA e UE exigiam, como contrapartida à abertura de seus mercados agrícolas, mais acesso para a exportação de produtos agroindustriais e serviços aos países em desenvolvimento.

Fontes comerciais disseram que os EUA, responsabilizados no ano passado por um fracasso semelhante nas negociações do G4, desta vez ofereceram em Potsdam cortes mais profundos em seus subsídios agrícolas, sugerindo um teto de 17 bilhões de dólares por ano.

Mas Brasil e Índia disseram que isso estava aquém das suas reivindicações e que eles não estavam dispostos a mexer nas tarifas industriais, segundo essas fontes.

Nath, da Índia, disse nesta sexta-feira que seu país não pretende abrir seu mercado e "comprometer a sobrevivência dos agricultores" a fim de fechar um acordo comercial.

As fontes comerciais alertam que, sem acordo preliminar no G4, será difícil o plenário da OMC, que tem 150 países-membros, cumprir o prazo do fim de julho para a conclusão da Rodada de Doha. Mas alguns ministros insistem que o processo multilateral ainda não acabou.

Fontes oficiais disseram que os chefes das comissões de negociação da OMC para questões agrícolas e industriais continuarão trabalhando para apresentar até o fim da semana que vem propostas para resolver o impasse.

Mas o tempo é curto. Lamy disse que, se não houver um consenso até agosto, as negociações podem ser congeladas durante anos ou mesmo abandonadas totalmente, levando a um aumento nas medidas protecionistas e nas disputas comerciais.

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