OMS recomenda menor consumo de açúcar


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OMS recomenda menor consumo de açúcar

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A Organização Mundial de Saúde (OMS) planeja divulgar nesta quarta-feira uma polêmica recomendação sobre o consumo de açúcar que afetará o Brasil, maior exportador mundial do produto.

A OMS quer aconselhar que o açúcar seja limitado a 10% de uma nutrição saudável, para evitar a propagação de obesidade, que atinge mais e mais também as nações em desenvolvimento.

A indústria açucareira dos Estados Unidos é a primeira a reagir: exige que o relatório não seja divulgado por julgá-lo muito restritivo. Os industriais americanos contestam conclusões de que refrigerantes adocicados contribuem para a pandemia da obesidade e sugere um limite maior, de 25%.

Se não for atendida, a indústria norte-americana ameaça pedir ao Congresso que suspenda o pagamento da contribuição anual de US$ 406 milhões para a OMS.

"Os dólares dos contribuintes não devem ser usados para apoiar relatórios enganosos, sem base científica e que não ajudam na saúde e no bem estar dos americanos, e menos ainda do resto do mundo", diz a carta da indústria norte-americana à OMS, revelada ontem pelo jornal The Guardian, de Londres.

O consumo global de açúcar aumenta 2% em média. O Brasil é um dos principais beneficiados, com exportações de US$ 2,178 bilhões no ano passado. Brasil, União Européia, Tailândia, Austrália e Cuba, que fazem 72% de todas as exportações mundiais de açúcar, temem prejuízos e apoiaram iniciativa da Organização Internacional do Açúcar contra o relatório da OMS.

Líder em consumo

O Brasil vende muito, mas é também um campeão do consumo. O brasileiro consome em média 58 quilos por ano comparado a apenas sete quilos consumidos por pessoa na China, 18 na Índia, 34 nos Estados Unidos, 38 quilos na União Européia e 50 em Cuba.

Os governos de países produtores de maneira geral enfrentam o dilema entre os interesses econômicos, que são fortes, e os de saúde pública, pois a redução do consumo de açúcar pode poupar inclusive gastos governamentais com doenças.

Recentemente, Brasília sugeriu que a OMS tivesse cautela sobre o estudo. Tanto mais que há divergências científicas sobre o limite do consumo de açúcar. A fúria maior, em todo caso, é mesmo dos norte-americanos. A associação açucararia uniu esforços com outros seis grupos alimentares e pediu para o secretário de saúde dos Estados Unidos, Tommy Thompson, usar toda a influência americana para que a OMS retire o relatório. A coalizão conta com a participação do US Council for International Business, que reúne mais de 300 empresas, incluindo a Coca-Cola e a Pepsico.

Os americanos querem também uma analise do impacto econômico das recomendações sobre os 192 países membros da OMS.

As ameaças americanas são consideradas na OMS, segundo o Guardian, como chantagem, inclusive maior do que qualquer pressão exercida pelo lobby do tabaco. Segundo a OMS, o estudo foi elaborado por um grupo de 30 especialistas independentes e suas conclusões estariam em conformidade com relatórios de 23 países.


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