Opinião: Lobby americano venceu, mas temos a Ásia

Agronegócio

Opinião: Lobby americano venceu, mas temos a Ásia

O etanol de cana reduz as emissões em até 61%, enquanto o de milho reduz em somente 20%
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O etanol de cana reduz as emissões em até 61%, enquanto o etanol de milho reduz em somente 20%
 
Humberto Viana Guimarães*
 
O setor sucroalcooleiro iniciou 2010 com uma excelente notícia. No dia 3 de fevereiro, a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (Environmental Protection Agency, EPA), confirmou o etanol de cana-de-açúcar como “biocombustível avançado”, em razão de que o mesmo reduz as emissões dos gases do efeito estufa (GHG) em pelo menos 50%, quando comparado com a gasolina.

Segundo a EPA, o etanol de cana reduz as emissões em até 61%, enquanto o etanol de milho reduz em somente 20%. Uma grande vitória do setor liderado pela União da Indústria de Cana–de-Açúcar, resultado do profícuo trabalho do seu presidente, Marcos Jank, e de Joel Velasco, representante da Unica nos Estados Unidos.

No artigo O etanol e o descaso dos governantes, publicado aqui neste Jornal do Brasil na edição de 9 de maio, analisei detalhadamente a política de subsídios para o setor de bicombustível estadunidense através da VEETC – Volumetric Ethanol Excise Tax Credit. Como sabemos, essa política de restrição à importação do etanol de cana-de-açúcar e os diversos subsídios venceriam em 31 de dezembro de 2010 e engloba: a) tarifa de importação sobre o etanol de cana US$ 0,54/galão mais 2,5% ad valorem; b) US$ 0,45/galão para os grandes produtores misturarem o etanol de milho à gasolina; c) US$ 0,10/galão para o pequeno produtor; e d) US$ 1,01/galão para o produtor de etanol celulósico. Soma-se a tudo isso, mais US$ 1/galão para os produtores de biodiesel que tiveram esse subsidio encerrado em 2009 e restaurado agora, retroativo ao início de 2010.

À época, a minha conclusão foi clara, ou seja, a proposta dos diversos setores norteamericanos para prolongar a tarifa de importação e os vários subsídios seria aprovada, o que de fato aconteceu, e foi prorrogada até 31 de dezembro de 2011, e seguramente, mais adiante será prorrogada uma vez mais, em prejuízo do nosso setor sucroalcooleiro.

O meu raciocínio, não obstante o brilhante trabalho da Unica, foi embasado em função do empenho do autor do projeto, senador Chuck Grassley (R, Iowa), junto com o lobby da National Corn Growers Association (NCGA), aliado ao Renewable Fuels Association, Growth Energy e a American Coalition for Ethanol, somado ao efetivo apoio do presidente Barack Obama, fez carreira em Illinois, segundo maior produtor de milho, depois de Iwoa, e do outro lado, o descaso do governo brasileiro e da falta de empenho da nossa capenga diplomacia petista.

Dessa forma, enquanto os nossos parlamentares estavam preocupadíssimos (e como!!!) em aumentar 61,8% os seus próprios salários e mordomias, o presidente Barack Obama sancionou, no dia 17/12, a Tax Relief, Unemployment Insurance Reauthorization, and Job Creation Act of 2010, após o Senado americano tê-la aprovado em 15/12 – com todos os 100 senadores presentes (D, 58 e R, 42) – com uma acachapante vitória de 81 votos a favor e somente 19 contra. Na Câmara de Deputados (House of Representatives, D, 255 e R, 178), foi aprovada, em 16/12, com a presença de 425 parlamentares, sendo que 277 (65%) votaram a favor e 148 contra (35%). Ou seja, na hora de lutar e defender os seus interesses, unem-se democratas e republicanos visando os valores maiores da nação.

O meu ponto de vista é que, não podemos continuar insistindo ad eternum com o governo americano. Um justa reclamação na OMC é válida, mas a sua decisão é demorada, custosa e com resultados duvidosos. Nesse sentido, faz-se necessária a atenta leitura do excelente texto em defesa do etanol de cana-de-açúcar Another Wasted Year elaborado pelo GLG (www.glgroup.com, 13/12/10).

Temos que, principalmente, incrementar o nosso mercado interno, com a utilização cada vez mais crescente de etanol nas frotas de ônibus e caminhões, e continuar com os investimentos em infraestrutura. Afinal, perdemos uma batalha, mas não uma guerra.

Os mercados asiáticos, principalmente Japão e China, são altamente promissores, e onde a Unica já deveria ter escritórios de representação comandados por profissionais da estirpe de Joel Velasco, praticando a “diplomacia empresarial” como bem ensina o professor Marcos Troyjo.
 
*Humberto Viana Guimarães, Engenheiro Civil e Consultor
Artigo publicado no Jornal do Brasil
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