Os gafanhotos serão uma preocupação no futuro?
CME MILHO (DEZ/20) US$ 3,690 (-2,43%)
| Dólar (compra) R$ 5,39 (0,33%)

Imagem: Pixabay

NUVEM DE GAFANHOTOS

Os gafanhotos serão uma preocupação no futuro?

O grande desafio é como acompanhar e prever a formação dessas nuvens
Por: -Aline Merladete
382 acessos

A formação de uma nuvem de gafanhotos no início do mês de junho tem causado preocupação e entidades estão em alerta para combate-los. Os gafanhotos da espécie Schistocerca cancellata, conhecida como gafanhoto migratório sul-americano. Têm grande potencial de dano já que se alimenta de vegetais, lavouras e pastagens.

A praga está presente no Brasil desde o século XIX e causou grandes perdas às lavouras de arroz na região sul do País nas décadas de 1930 e 1940. Desde então, tem permanecido na sua fase “isolada” que não causa danos . Os fatores que levaram ao ressurgimento desta praga em sua fase mais agressiva na região estão sendo ainda avaliados pelos especialistas e podem estar relacionados a uma conjunção de fatores climáticos, como temperatura, índice pluviométrico e dinâmica dos ventos.

De acordo com a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, o Brasil está preparado. “Montamos um plano de monitoramento para acompanhar o deslocamento desses gafanhotos. Esperamos que não cheguem ao Brasil mas já temos um grupo preparado para todas as ações”, garantiu a ministra Tereza Cristina.  

Mas a questão é: os gafanhotos serão uma preocupação no futuro?

De acordo com o consultor do Agrotempo, Gabriel Rodrigues, entre abril e maio de 2020 alguns países da África passaram pelo pior surto de gafanhotos-do-deserto já presenciado na Etiópia e na Somália nos últimos 25 anos e no Quênia em 70 anos. 

 

Os gafanhotos são primordialmente solitários, porém quando há uma explosão populacional, alguns hormônios são ativados nestes gafanhotos jovens. Esses hormônios provocam uma mudança de comportamento fazendo com que eles tenham essa tendência de se agrupar e  formar enxames provocando essas nuvens. Essa alteração hormonal provoca até uma mudança na coloração, fazendo com que os insetos tenham um tom de cor "areia" ao invés de verde.

"Esse boom populacional ocorre após um período de maior aquecimento, onde a atmosfera tem capacidade de reter mais água, e por esse mesmo motivo a atmosfera demora mais para condensar essa água e formar as nuvens de chuva, prolongado o período seco. E ao chegar a estação das chuvas, os acumulados tendem a ser menos frequentes e acima da média. Possibilitando que praticamente todos os ovos que foram botados na estação seca sejam eclodidos. E que por uma demanda de alimentos, devido à grande população de insetos, o enxame é forçado a migrar em busca de recursos", ressalta, Gabriel.

Em um estudo publicado em 2018 os autores correlacionam uma nuvem de gafanhotos na Costa Rica nos anos de 1877 e 1878 com um “mega” El-Niño que ocorreu no período. Então segundo esse estudo, quando há um aquecimento anômalo, há uma maior possibilidade de ocorrer esse boom populacional dos gafanhotos. Devido às alterações climáticas onde a temperatura média global está esquentando, é possível que essas pragas de gafanhotos passem a ficar mais comuns no futuro.

O consultor ainda diz que, o grande desafio é como acompanhar e prever a formação dessas nuvens. Recentemente um estudo feito na Argentina apontou que imagens de satélite e algoritmos matemáticos estatísticos podem ser usados para compor um sistema de alertas no surgimento de novos enxames. Outro estímulo é o desenvolvimento de sistemas que sejam capazes de fazer a previsão do deslocamento dos insetos. Diferentemente de modelos matemáticos de dispersão de poluentes, o comportamento dos insetos não tem uma correlação direta com a direção dos ventos. Mas sabe-se que as baixas temperaturas e alta umidade relativa do ar são fatores que provocam uma diminuição na atividade dos insetos e o retardamento do avanço do enxame. 

Até então a solução encontrada para conter a explosão de gafanhotos é a pulverização de pesticidas - no ar ou diretamente no solo - apesar dos riscos atrelados a essa prática. 
 


Atenção: Para comentar nesta página é necessário realizar o seu cadastro gratuíto ou entrar.
  • Clicar no botão Entrar caso já possua cadastro no Agrolink
  • Se não tiver cadastro ainda em nosso site Cadastre-se gratuitamente e terá acesso a conteúdos exclusivos
  • Clique aqui todas as vantagens de fazer seu cadastro no Agrolink