País exportará 8,5 bi de litros de etanol em 2010

Agronegócio

País exportará 8,5 bi de litros de etanol em 2010

As exportações brasileiras de etanol saltarão de 3,1 bilhões em 2006 para 8,5 bilhões de litros em 2010
Por: -Theo Carnier
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As exportações brasileiras de etanol, que saltarão de 3,1 bilhões em 2006 para 8,5 bilhões de litros em 2010, continuarão a ter os Estados Unidos como alvo preferencial. Mesmo com a sobretaxa de 54 centavos de dólar por galão que o produto brasileiro paga para entrar no mercado norte-americano, além do imposto de 2,5%, o Brasil vai tentar ganhar espaço nesse mercado. Em 2007, as vendas externas devem ser de 4 bilhões de litros.

Os maiores exportadores de etanol do País são Coimex, Crystalsev, Copersucar, Cosan e Petrobras. “Apesar do peso das tarifas, o produto brasileiro é competitivo e vamos continuar o trabalho de ampliar nossa participação nos Estados Unidos”, afirma Jacyr Costa, presidente da Associação Internacional de Comércio de Etanol (International Ethanol Trade Association - Ietha), lançada no final do ano passado por iniciativa do Brasil.

Costa baseia seu otimismo nos baixos custos de produção do etanol brasileiro e nas necessidades americanas: “Nos Estados Unidos, a produção se concentra nas regiões norte e central, longe das principais áreas consumidoras, que são as costas Leste e Oeste e região do Golfo. Como os custos de transporte são elevados, esse quadro favorece o produto brasileiro”, garante.

Os números mostram que o quadro é favorável para o etanol brasileiro, produzido de cana (o etanol norte-americano é feito com base no milho). De acordo com análise da consultoria especializada F.O.Licht, os custos de produção do Brasil são inferiores a US$ 200 por metro cúbico, em comparação aos US$ 400 a US$ 450 nos outros países.

Além disso, as principais regiões produtoras nos Estados Unidos estão mesmo distantes dos maiores consumidores: segundo estudo da empresa Hart Energy, o estado com maior capacidade de produção naquele país é Iowa, com 1,6 bilhão de galões por ano, seguido por Illinois, com 718,5 milhões e por Nebraska, com 580,5 milhões de galões — todos localizados nas regiões norte e central dos EUA.

“Como nosso custo de produção é baixo, mantemos a competitividade no mercado norte-americano”, garante Jacyr Costa. Na mesma linha, o ex-ministro Roberto Rodrigues garante que o Brasil tem vantagens únicas em relação ao etanol: “O Brasil usa 3 milhões de hectares plantados de cana e tem espaço para dobrar essa área em poucos anos. Sem contar a capacidade do País de gerar tecnologia para ganhar produtividade”.

Com essa perspectiva, Rodrigues acredita que o Brasil tem condições de liderar a opção global por agroenergia, “a mais importante modificação do agronegócio mundial, um novo paradigma, com o gradual ocaso do petróleo como principal fonte de energia”.

De olho nessa constatação, Jacyr Costa lembra que o grande potencial de crescimento do consumo de etanol.

Segundo levantamento da Agência Internacional de Energia (AIE), esse consumo chegará a 153 bilhões de litros no planeta em 2010, se os países adotarem a mistura de 10% do produto ao combustível que utilizam (principalmente a gasolina), o que representa três vezes mais que o nível atual.

Costa acredita que, como os Estados Unidos importam 65% do petróleo que consomem, os norte-americanos têm crescente preocupação com segurança energética — o que os torna um dos principais mercados para os produtores brasileiros, apesar de terem conquistado (com pequena vantagem em relação ao Brasil) a liderança mundial no etanol. “Nosso potencial é enorme, com as vantagens em relação aos custos”, garante Jacyr Costa. Pela análise da F.O. Licht, as importações de etanol brasileiro pelos Estados Unidos estão crescendo em progressão geométrica.

Outros mercados potenciais são países europeus, em que a gasolina tem perdido mercado, como Suécia, França, Holanda e Alemanha, além de asiáticos como Japão e China.

O peso da logística

Nos Estados Unidos, a preocupação com a logística em relação ao etanol reforça a tese de que o etanol brasileiro tem situação privilegiada naquele mercado. Na avaliação de Steve Bleyl, principal executivo do Renewable Products Marketing Group, o setor de etanol é visto como “bastante ineficiente” em relação à logística. Ele considera que o transporte do biocombustível das usinas produtoras para os terminais de combustíveis pode complicar o rápido crescimento do etanol no mercado norte-americano.

Segundo ele, os atacadistas de combustível estão acostumados a lidar com transporte de mais de 10 milhões de galões por vez, enquanto o setor de etanol algumas vezes transporta vagões carregando apenas 30 mil galões. Dessa forma, refinarias de petróleo podem processar tanto produto em um dia quanto as usinas de etanol podem fazer em duas semanas.

Outra mudança, recorda Steve Bleyl, é no meio de transporte utilizado pelo etanol: “Cerca de 75% do volume é entregue agora por via férrea, enquanto há um ano e meio essa proporção era de um terço do total”. Os restantes 25% do etanol norte-americano são transportados por rodovia.

Na avaliação de Bleyl, esse cenário de dificuldades logísticas pode levar empresas a construir usinas de produção de etanol fora do “cinturão do milho” (regiões Norte e central dos Estados Unidos). Por enquanto, no entanto, essa hipótese ainda é remota. Os Estados em que há maiores unidades de etanol em construção ficam principalmente nessas áreas, como Iowa, com 625 milhões de galões, Nebraska, com 537 milhões, e Indiana, com 358 milhões de galões, segundo levantamento do IFQC Biofuels Center.

Proibição do MTBE

Nos Estados Unidos, uma parte expressiva da procura por etanol aconteceu pela obrigação de substituir o MTBE, um aditivo da gasolina que, por seu impacto no meio ambiente, foi proibido ou questionado em 27 Estados do país. O MTBE foi ponto central na discussão sobre mudanças na matriz energética nos Estados Unidos. O produto é uma substância química utilizada na gasolina como aditivo oxigenado e se chama éter metil terbutílico (MTBE é sua sigla em inglês).

O objetivo do produto é reduzir o nível de emissão de monóxido de carbono dos automóveis e sua utilização substitui a do chumbo. O problema é que o MTBE é solúvel em água e difícil de se controlar quando entra em contato com o líquido. Como é armazenado em tanques subterrâneos, pode vazar no solo por muito tempo, chegando a fontes de água, e daí para os centros de distribuição para o consumo.

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