Países africanos vão plantar algodão com tecnologia do Brasil

Agronegócio

Países africanos vão plantar algodão com tecnologia do Brasil

Estratégia: Iniciativa da Embrapa ocorre após apoio a brasileiros na disputa com Estados Unidos na OMC
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Brasília - O Brasil começou a saldar sua dívida com os países africanos que apoiaram o processo aberto na Organização Mundial do Comércio (OMC) contra os subsídios pagos pelos Estados Unidos aos seus produtores de algodão. A Embrapa África e a Agência Brasileira de Cooperação (ABC), vinculada ao Itamaraty, vão investir US$ 4 milhões e transferir tecnologia nacional a projetos de produção da fibra nos países do chamado "Cotton-4".

Os governos de Benin, Burkina Faso, Chade e Mali, que têm 30% das exportações atreladas ao algodão, terão apoio para tornar competitiva sua produção no mercado internacional por meio da adaptação de sementes às savanas africanas, recuperação da qualidade dos solos, introdução de técnicas de controle de pragas e doenças, além da construção de laboratórios de pesquisa e treinamento na região.

"Em 2003, quando começou a disputa na OMC, os 'Cotton-4' votaram com o Brasil contra subsídios americanos", diz o coordenador da Embrapa África, Cláudio Bragantini. "O Brasil quer aproximação política com os africanos. E a Embrapa ajuda ao aumentar a produção de alimentos e de algodão, além de abrir mercado para máquinas, equipamentos, insumos e sementes brasileiras."

A Embrapa África usará como unidade-piloto o Centro Regional de Pesquisa Agrícola de Sotuba, cidade próxima de Bamako, capital do Mali. "Os pequenos produtores começaram a deixar o algodão de lado e passaram a produzir milho, arroz e milheto para consumo próprio. A economia desses países sofreu os efeitos disso", diz Bragantini. O algodão significa, em média, 8% do PIB total no "Cotton-4".

No Mali, a área plantada recuou de 600 mil para menos de 300 mil hectares. O Benin planta 250 mil hectares e Burkina Faso, 600 mil. No Chade, onde 12% da população depende do algodão, a área é inferior aos 300 mil hectares. Nos quatro países, a produtividade beira 1 mil quilos por hectare. No Brasil, onde foram cultivados 842 mil hectares na safra passada, a média chega a 3,6 mil kg/ha - no Centro-Oeste, supera os 4 mil kg/ha.

Em julho, foram plantadas dez variedades de algodão da Embrapa e cultivares locais da África nos campos de Sotuba. A meta é selecionar as sementes mais resistentes às doenças devastadoras da cultura e mais adaptadas ao clima e ao solo locais. "É um projeto inédito conservacionista, que inclui plantas de cobertura para proteção do solo e plantio direto em associação com milho e sorgo", explica Bragantini.

O projeto de quatro anos prevê a participação de empresas privadas com forte influência do governo nos países do "Cotton-4". Os produtores receberão os insumos, a assistência técnica e terão a garantia da compra da safra para a exportação. O projeto-piloto será desenvolvido em 12 hectares. A estação de Sotuba disseminará tecnologias além dos sistemas agrícolas, como ensaios em pequenas plantadeiras de parcelas manuais ou semi-mecanizadas.

A iniciativa no "Cotton-4" também ajudará a desenvolver um projeto específico para elevar a produção de arroz no Senegal. O país africano produz apenas 20% do consumo interno total. O arroz significa 16% do déficit da balança comercial. Em três anos, a ABC deve investir US$ 1 milhão para bancar a transferência de tecnologia brasileira. A Embrapa começará a testar variedades de arroz para áreas irrigadas, terras altas e sequeiro. O projeto-piloto será feito na estação experimental de Saint-Louis, cidade do norte do país, na fronteira com a Mauritânia.

Pelo projeto, a Embrapa implantará a mecanização das lavouras com pequenos equipamentos e levará tecnologia de pós-colheita, com secadores e beneficiadoras de arroz. A Abimaq tem interesse em vender máquinas agrícolas e equipamentos para a infraestrutura das áreas experimentais. Nos testes, serão selecionadas três variedades de arroz e empresas brasileiras venderiam de 10 a 12 toneladas de sementes básicas para a multiplicação. Em seguida, será implantado um programa de produção autônomo de sementes.


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