Países da América Latina avaliam desafios para adaptação da agricultura ás mudanças climáticas

Agronegócio

Países da América Latina avaliam desafios para adaptação da agricultura ás mudanças climáticas

Objetivo da reunião foi identificar temas comuns
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Representantes de ministérios da Agricultura e Meio Ambiente da região se reuniram para avançar com o diálogo entre mudanças climáticas e agricultura

Os setores ambiental e agrícola dos países da América Latina firmaram posição conjunta para que as políticas públicas para adaptação às mudanças climáticas tenham metas de desenvolvimento nacional, ao invés de apenas uma visão setorial. Representantes dos ministérios da Agricultura e do Meio Ambiente do continente e de organismos que prestam cooperação técnica aos países se reuniram na sede central do Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA), em San Jose, na Costa Rica.

O objetivo da reunião foi identificar temas comuns e elaborar argumentos mais sólidos para a 20ª Conferência das Partes (COP20) da Convenção Marco das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UMCCD, na sigla em inglês), que será realizada em Lima, Perú, em dezembro deste ano. O encontro foi organizado pelo IICA, o Departamento Norte-americano de Agricultura (USDA, em inglês) e a Agência Alemã de Cooperação (GIZ).

“É necessário que nossos governos desenhem uma política ambiental para que a agricultura possa enfrentar as mudanças climáticas e empreguem sistemas de alerta precoce e de seguros de colheita. Desta forma, nossos sistemas agropecuários poderão subsistir de forma sustentável”, disse a vice-ministra de Agricultura e Pecuária da Costa Rica, Gina Paniagua.

Tema não se restringe ao setor ambiental

O diretor de Mudanças Climáticas do Ministério do Meio Ambiente e Energia da Costa Rica, William Alpízar, afirmou que “a adaptação da agricultura pode significar um aporte transcendental para a conservação dos recursos naturais. O assunto não se restringe à questão ambiental, é um tema que diz respeito a todos”.

“É fundamental conhecer o impacto das mudanças climáticas e as atuais vulnerabilidades dos setores críticos de cada país. Além disso, devem ser realizados estudos interdisciplinares que considerem aspectos socioeconômicos, físicos e biológicos”, apontou a pesquisadora Graciela Magrín. Ela coordena o capítulo sobre América Central e do Sul do informe Câmbio Climático 2014, impactos e vulnerabilidade, do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, em inglês).

“O impacto das mudanças climáticas na agricultura é maior que em qualquer outro setor. Há muito que se compreender sobre essa relação. A COP20 é uma grande oportunidade para trabalharmos juntos e apoiar as ações dos ministérios da Agricultura e Meio Ambiente”, afirmou o subdiretor do IICA, Lloyd Day.

A inclusão da agricultura nas negociações internacionais é um mandato da UNCCD. Um grupo de trabalho específico deve ser criado dentro da Convenção Quadro, explicou Julie Lennox, ponto focal para assuntos referentes às mudanças climáticas e chefe da Unidade de Desenvolvimento Agrícola da sede subrregional da Comissão Econômica para América Latina e Caribe (Cepal).

Em 2013, segundo um informe do IICA, 17 países das Américas enviaram considerações a favor da criação de um grupo focado na agricultura para a UNCCD. Com base nestes argumentos, foi firmado um acordo para a exploração de quatro áreas de trabalho: sistemas de alerta precoce e medidas de contingência em eventos extremos, análises de risco para cenários de mudanças climáticas, medidas de adaptação e práticas e tecnologias para produtividade sustentável. “Enquanto se cria esse grupo, a agricultura deve assessorar os negociadores dos ministérios de Relações Exteriores e Meio Ambiente, além de avançar com as ações nacionais de mitigação e adaptação de olho nas oportunidades e riscos internacionais”, disse Lennox.

Alertas do IPCC

O relatório do IPCC é um dos três componentes do quinto informe global sobre o tema. No documento, o organismo internacional divulga informações científicas atualizadas sobre as mudanças no clima do planeta. Em outubro, o Painel Intergovernamental publicará a versão final.

Segundo Magrín, o relatório do IPCC indicará que os ecossistemas da América Latina são afetados principalmente pela variação do clima e as mudanças no uso do solo, especialmente pela agricultura. A região tem grandes empreendimentos do agronegócio convivendo com sistema de baixa produtividade e receita dos quais depende a grande maioria da população rural.

Por estas razões, Julie Lennox considerou que um dos objetivos principais das políticas públicas para adaptação às mudanças climáticas devem ser esforços para a redução das emissões. “Deve-se procurar maximizar os benefícios comuns da adaptação e transição para economias mais sustentáveis, ou seja, mais eficientes no uso da água, energia e outros recursos naturais, além de redução do carbono e da aplicação de contaminantes”, apontou.
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