Para onde vai o mercado financeiro com Plano Safra?

Imagem: Pixabay

DEBATE

Para onde vai o mercado financeiro com Plano Safra?

Evento on-line discutiu o cenário atual e as perspectivas financeiras para a próxima safra
Por: -Eliza Maliszewski
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Com o lançamento do Plano Safra na última quarta-feira (17) anunciando o maior volume de recursos, de R$ 236,3 bilhões, o mercado financeiro repercutiu linhas de crédito, taxas de juros, perspectivas futuras e novas oportunidades financeiras como a Cédula de Produto Rural (CPR). O assunto foi tema de um Webinar promovido pela Syngenta, na Feira Virtual 360º.

A expectativa dos debatedores é que “vai ser um excelente ano-safra”, não só para os produtores rurais mas também para os agentes financeiros, que podem oferecer aporte de recursos. O Head Tesouraria e Soluções Financeiras da Syngenta, Henrique Prates, aponta que a ideia é que, cada vez mais, o mercado privado faça financiamentos e não somente o governo. “O produtor não vê problema nisso. Ele quer boas taxas e competividade independente da fonte, porque no agronegócio concorremos com países que têm taxas muito menores e incentivam seus produtores”, aponta.

Prates explica que o volume de recursos do Plano Safra 20/21 dá a impressão que o aporte cresceu mas o que houve foi mais depósitos a vista devido a pandemia. Os bancos liberaram menos recursos. “Quando o mercado voltar ao normal a tendência é diminuir o depósito a vista e o volume de recursos cair. Temos que buscar mais recursos, com taxas competitivas para ajudar nosso produtor”, comenta.

O superintendente comercial do Banco Santander, Gustavo Andrade, também compartilha da mesma opinião.  Para ele o Plano Safra veio com direcionamento importante com linhas de crédito para pequenos e médios produtores e o aumento da subvenção para o seguro rural é um incentivo para garantir a renda das lavouras, mesmo com perdas climáticas e dar mais segurança para que os agentes financeiros também poderem financiar. “No agro o mercado é resiliente, com expectativa de crescer até 1,5% no PIB este ano, enquanto outros setores podem ter queda de 8%. O Plano Safra é importante sim principalmente em linhas de longo prazo. Vejo com bons olhos mas vejo com muito melhores o espaço que o mercado financeiro pode ocupar”, destaca.

Taxas de juros

Esse é um ponto que gerou polêmica. Muitas entidades se posicionaram a favor de uma redução maior nas taxas. Veja como ficaram os juros em comparação ao ano passado:


Andrade defende que a taxa de juros não precisa ser metade da Selic mas que o ideal é que seja acessível ao produtor e atenda em sua amplitude a necessidade de recursos. As taxas estão em patamares que, segundo o executivo, permitem que todos agentes livres possam financiar sem depender dessa fonte de recursos. “Se você for olhar o financiamento por ano-safra cerca de R$300 bilhões de reais vem do governo e a cadeia do agro financia mais R$ 300 bilhões. O que temos que possibilitar é que esses recursos que vem pela cadeia passem a ser feitos pelos agentes financeiros. O patamar de taxa de juros torna o Plano um pouco menos necessário porque o mercado financeiro tem capacidade de melhorar as taxas”, diz.

Para Prates quanto menor a taxa melhor. Então os juros poderiam ser menores mas, além disso, precisa haver recurso para atender a todos. “Não adianta taxa boa e falta de dinheiro”, conclui.

Oportunidades financeiras

Com a crise imposta pela pandemia, aliada à alta do dólar, surgiram dificuldades de acesso ao crédito, o que também dificultou a projeção dos negócios pelas instituições e empresas.  As emissões de Certificado de Recebíveis do Agronegócio (CRA) pararam ou foram postergadas. A modalidade envolve o investimento em títulos de renda fixa vendidos exclusivamente por uma companhia securitizadora de créditos do agronegócio. Abrange financiamentos ou empréstimos relacionados à produção, à comercialização, ao beneficiamento ou à industrialização de produtos, insumos agropecuários ou máquinas e implementos utilizados na produção agropecuária.

Fernanda Mello, co-fundadora da Vert Securitizadora, acredita que no segundo semestre o mercado estará mais calmo e pode resultar na volta de emissões de CRAs. “O que dificulta isso, hoje, ainda é a burocracia. O processo demanda muitos passos e, muitas vezes, em regiões mais remotas do país fica complicado”, explica.

Algo que veio para facilitar é a possibilidade de emitir a Cédula de Produto Rural (CPR) de forma digital. Trata-se de um título representativo de promessa de entrega de produtos rurais. Fernanda avalia que a CPR eletrônica pode melhorar a disponibilidade de crédito ao produtor, especialmente pequeno e médio. Vai possibilitar a operacionalização do crédito com menos burocracia e permitir a entrada de  novos veículos de financiamento como as fintechs, startups que trabalham para inovar e otimizar serviços do sistema financeiro. “Isso pode ser ampliado e permitir a entrada de novos players, além de agilizar a chegada do dinheiro no campo”, conclui. 


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