Paraná inicia colheita da mandioca em meio a incertezas
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Agronegócio

Paraná inicia colheita da mandioca em meio a incertezas

Preços pagos aos produtores começam a reagir depois de um ano de baixos valores
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A colheita da safra 2015/16 da mandioca já começou no Estado em um clima de incerteza devido aos baixos preços pagos aos produtores da raiz. Só no ano passado, os valores chegaram a ficar abaixo do custo variável de produção. Depois de meses registrando baixas, os preços da matéria-prima reagiram neste ano e o agricultor paranaense começa a registrar uma pequena margem de lucro sobre a sua produção.
Segundo dados do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), o preço médio pago ao produtor pela tonelada da raiz tem girado em torno de R$ 220, enquanto o custo médio de produção está calculado em R$ 203 a tonelada. O menor preço registrado pelo Deral em 2015 foi em setembro, quando o valor da tonelada da raiz chegou a R$ 141,32.
Methodio Groxko, economista do Deral, explica que devido a esses preços baixos muitos produtores desistiram da atividade. Essa desistência, avalia ele, será sentida nesta safra. No ciclo 2015/16 a área em produção com a cultura está estimada em 128 mil hectares, contra 142 mil hectares referente à safra anterior. A estimativa de produção para o atual ciclo é de 3,5 milhões de toneladas, contra 3,9 milhões de toneladas referente ao ciclo anterior.
Segundo o economista, essa queda no volume de produção pode até ser relativamente positiva para o setor porque pode ajudar a elevar o preço da tonelada da raiz devido à redução da produção. Assim, a tendência é que no segundo semestre o valor da mandioca aumente, o que elevará consequentemente a margem de lucro do produtor que, por enquanto, está bem apertada.
Ivo Pierin Junior, presidente da Câmara Setorial da Mandioca do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), afirma que o volume de raiz que será colhido nesta safra deverá ser o suficiente para atender à demanda da indústria. Mas Pierin Junior alerta que a mandioca que está no campo pode ser de menor qualidade nesta safra porque, no ano passado, devido aos baixos preços pagos aos produtores da raiz, muitos agricultores pararam de investir na atividade, como deixar de utilizar alguns insumos que ajudam no bom desenvolvimento da raiz. Além disso, completa ele, as chuvas que caíram sobre o Estado podem afetar a qualidade da mandioca.

Clima
O economista do Deral afirma que as fortes chuvas que atingiram todo o Estado nesse início de ano não atrapalharam o andamento da safra, diferentemente do que ocorreu no ano passado. Em todo o País, segundo informações divulgadas pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/USP), o clima também ficou na semana passada favorável à colheita da raiz de mandioca, onde muitos produtores puderam retomar os trabalhos em todas as regiões produtoras.
Nas fecularias, ainda segundo a entidade, a quantidade recebida e o ritmo de processamento tiveram expressivo crescimento na semana passada. Porém, ainda há algumas empresas em manutenção que devem retomar a produção somente em fevereiro. No mesmo período, os pesquisadores do Cepea avaliaram que aumentou também a demanda industrial e, em alguns casos, houve até alguma disputa pela matéria-prima, o que levou empresas a aumentarem os preços pagos aos produtores. Assim, conclui o relatório do Cepea, mesmo com maior oferta, a demanda se ajustou e os preços seguem firmes.


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