Paraná mantém preço mínimo do trigo

Agronegócio

Paraná mantém preço mínimo do trigo

Preço mínimo é fator de decisão do produtor
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Baixa liquidez faz com que produtores optem por outras culturas o que, segundo Deral, deve reduzir área plantada em 11%

O Conselho Monetário Nacional (CMN) manteve os preços mínimos da safra passada para o trigo paranaense. De acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), os preços básicos definidos para as sacas de 60 quilos são R$ 22,19 para o tipo brando, R$ 26,30 para o tipo pão e R$ 27,54 para o tipo melhorador.


Segundo o economista da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), Pedro Loyola, a manutenção dos preços causa apreensão, pois na safra passada o governo já havia reduzido o valor em 10%. ''O preço mínimo é fator de decisão do produtor. Antes de plantar, ele olha os preços e hoje o milho está melhor. O produtor está desestimulado a plantar trigo no Paraná'', argumenta.

Na safra passada, segundo dados da Conab, o custo operacional médio para produção de trigo em Londrina foi de R$ 33,21 por saca, atingindo uma produtividade de 2,6 mil quilos por hectare. Segundo Loyola, em razão do baixo preço pago pelo produto em relação ao custo, muitos agricultores têm optado por outras culturas. ''Os produtores não estão reclamando do preço ainda porque o preço da soja e do milho esta cobrindo o trigo'', ressalta.


O segundo levantamento de safra feito pelo Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento (Seab) aponta que a área plantada com trigo no Paraná deve cair 11% em relação à safra passada, recuando de 1,17 milhão de hectares em 2009/2010 para 1,04 milhão de hectares nesta safra. Loyola lembra que a safra passada também apresentou uma redução de 11% em relação à 2008/2009.

A redução da área deve refletir em uma diminuição na produção do grão no Estado. De acordo com a engenheira agrônoma do Deral, Margorete Demarchi, a produção esperada para esta safra é 16% menor do que a do ano passado, passando de 3,44 milhões de toneladas para 2,88 milhões em 2010/2011. ''O plantio ainda é muito incipiente, mas os produtores estão mais estimulados a plantar milho por ter mais liquidez'', avalia.


De acordo com o engenheiro agrônomo da Conab, Eugênio Stefanelo, o zoneamento climático do trigo indica início do plantio a partir de 11 de março, mas grande parte dos agricultores planta efetivamente a partir de abril. ''Esse é o terceiro ano consecutivo de redução da área do trigo no Estado'', comenta. Segundo ele, a redução pode não ser tão grande porque alguns produtores perderam o prazo do zoneamento para plantar milho safrinha - devido ao clima - e podem optar pelo trigo.

De todo o trigo colhido na safra passada, ainda restam 30% para ser comercializado no Estado. Segundo Stefanelo, nas duas últimas semanas algumas cooperativas passaram a exportar o trigo armanezado em razão do aumento de preços no mercado externo. O economista da Faep informa que já foi solicitada uma nova classificação para o trigo, mas o governo só deve implementá-la na próxima safra. ''O produtor terá que se preparar, pois os critérios de qualidade serão mais controlados'', afirma.


Outros preços mínimos da safra passada que continuam em vigor este ano são das seguintes culturas de inverno: aveia a R$ 16,02; canola a R$ 28,26; cevada a R$ 22,32; girassol a R$ 25,68; e triticale a R$ 17,10.

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