Participantes do Congresso Agroflorestal formulam propostas para o setor

Agronegócio

Participantes do Congresso Agroflorestal formulam propostas para o setor

“O congresso terá uma série de desdobramentos”, salientou o pesquisador José Felipe Ribeiro, presidente do VII CBSAF, durante a solenidade de encerramento
Por: -Janice
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As discussões e propostas surgidas durante o VII Congresso de Brasileiro de Sistemas Agroflorestais (VII CBSAF), encerrado ontem (25) à noite em Luziânia (GO), serão apresentadas a gestores públicos para auxiliar na formulação de políticas para o desenvolvimento dos sistemas agroflorestais (SAFs). Os participantes prepararam um diagrama com 13 propostas para os SAFs e aprovaram cinco moções de apoio, encaminhadas à Sociedade
Brasileira de Sistemas Agroflorestais. “O congresso terá uma série de desdobramentos”, salientou o pesquisador José Felipe Ribeiro, presidente do VII CBSAF, durante a solenidade de encerramento.

Após a programação de painéis, conferências, oficinas e círculos de experiências, encerrada na quinta-feira (25) na Confederação Nacional dos Trabalhadores na Indústria (CNTI), em Luziânia (GO), parte dos 556 congressistas participa das visitas técnicas a sistemas agroflorestais nesta sexta-feira (26). Estão sendo visitados os sítios Geranium, Alegria, Frutos da Terra, Santa Felicidade, Semente e a vitrine tecnológica da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – Embrapa.

Para Tatiana de Abreu Sá, diretora-executiva da Embrapa, a discussão sobre SAFs acontece em “momento oportuno” por ser um modelo capaz de recuperar áreas de baixa produtividade agrícola e possibilitar produção
diversificada tanto para o consumo interno quanto para exportação. Os organizadores destacam que o evento alcançou os objetivos de troca de saberes com o diálogo entre educadores, estudantes, gestores públicos, produtores e cientistas.

Os estudantes elogiaram a metodologia participativa do congresso e  aprovaram a participação dos produtores nos debates. Para Melina Goulart, estudante de engenheira florestal da Universidade Federal Rural do Rio de
Janeiro, a troca de conhecimento entre agricultores e a academia foi o ponto mais positivo do congresso. A estudante carioca destaca que a necessidade de investir mais em extensão rural foi um tema recorrente nas discussões. “É preciso ampliar os agentes multiplicadores para expandir os SAFs”, comenta.

A data do evento, no final do primeiro semestre letivo, não agradou a todos os estudantes. “Coincidiu com a data das provas. Se não fosse isso, a participação de estudantes teria sido maior”, explica Melina.

“Resultados refletem a realidade”

Em clima de despedida, dezenas de agricultores, pesquisadores, estudantes e técnicos, participantes do congresso se reuniram na última atividade coletiva para refletir sobre a importância e o significado do evento para
cada um. Durante o Círculo de Integração, o que se ouviu foram depoimentos emocionados e declarações de compromisso em defesa dos sistemas agroflorestais no mundo. Para o pesquisador da Embrapa Tabuleiros Costeiros (Aracaju –SE), Edmar Siqueira, a contribuição do evento certamente vai fazer a diferença no que diz respeito ao direcionamento e elaboração de políticas públicas para o setor. “Os resultados foram significativos e refletem a realidade de quem trabalha com SAFs hoje”,
comentou.

No grande encontro de gente que sabia com gente que não sabia tanto sobre sistemas agroflorestais, o que não faltou mesmo foi uma sequência de declarações de gratidão pela oportunidade de tantos encontros. “O que eu aprendi aqui durante esses dias passa longe do que se aprende na academia – é muito mais”, comentou o engenheiro florestal Iberê Marti, de Alta Floresta (MT). Filho de agricultor, elogiou a metodologia participativa do
congresso, que permitiu, segundo ele, compartilhar muito mais conhecimento. “Nas conferências tradicionais, a gente só escuta, mas não tem muita chance para falar”, disse.

Mas, para o agricultor Pedro de Souza, do Vale do Ribeira (SP), o significado foi outro. “Sinto-me como soldado de uma luta na defesa dos SAFs. Vocês a partir de agora são a minha família e sou muito grato porisso”, afirmou, emocionado. “A música que tanto cantamos sobre gentileza, para mim representa ‘gente ilesa’ – e vocês são gente ilesa, ou seja, gente do bem”.

Cinco moções são aprovadas

Ao final do congresso, quatro moções foram apresentadas à plenária para aprovação e uma outra sugerida e aprovada. As moções são resultado dos quatro dias de debates entre os participantes. A primeira delas, submetida à votação referia-se à implantação imediata do Plano Nacional de Silvicultura com Espécies Nativas e Sistemas Agroflorestais (Pensaf). A segunda, sobre a criação da Rede de Sementes da Amazônia, considerada
fundamental à valorização de espécies nativas da região.

Além disso, os participantes aprovaram a adesão e apoio ao movimento ambientalista e de agricultores familiares, do Ministério do Meio Ambiente e do Desenvolvimento Agrário, contra o desmonte da legislação ambiental brasileira, especialmente o Código Florestal. A quarta moção também aceita pela plenária pedia o encaminhamento de carta à ministra Dilma Roussef, da Casa Civil, pela suspensão do plantio e venda de milho transgênico.

Por último, o técnico Roberto Ruiz, do Instituto para o Desenvolvimento e para a Paz Amazônica, da região de San Martin, no Peru, sugeriu encaminhar ao Governo do Peru moção de apoio ao movimento indígena amazônico do Peru a favor da manutenção das terras indígenas. Todas as moções foram entregues ao presidente da Sociedade Brasileira de Sistemas Agroflorestais, Ivan Crespo.

Além das moções, foi elaborado um plano com treze propostas para o desenvolvimento dos SAFs, entre elas, a capacitação de técnicos, criar redes, fortalecer a extensão rural, aumentar rendimento dos SAFs e criar grupos de trabalho para propor legislação específica que ordene e facilite a implantação dos SAFs.

Rede Agroflorestas

Um dos principais resultados do VII Congresso Brasileiro de SistemasAgroflorestais é a formação de uma rede virtual de comunicação (agroflorestas.ning.com), aberta não só aos participantes como a outras pessoas interessadas em se manter atualizadas e colaborar com a troca de informações sobre SAFs. Em menos de 48 horas após a criação, a comunidade virtual já contava com 92 membros. Chamada Rede Agroflorestas, a ferramenta reúne vários encaminhamentos do evento, como propostas resultantes das oficinas, apresentações dos palestrantes das conferências e painéis. Por meio dela, também é possível criar grupos de discussão e
estabelecer contatos.

Trabalhos premiados

O Centro Internacional de Pesquisa Agroflorestal (Icraf) premiou os autores dos dois melhores trabalhos apresentados no Congresso Brasileiro de Sistemas Agroflorestais (CBSAF) com duas passagens para o Nairobi/Quênia, onde vai acontecer o II Congresso Mundial de Sistemas Agroflorestais, em outubro deste ano. Foram inscritos 320 trabalhos no evento, dos quais foram aprovados 226 para apresentação.

Em primeiro e segundo lugares estão os seguintes trabalhos: “Implantação de sistemas agroflorestais em área de preservação permanente pelos re-educandos do IPA (Instituto Penal Agrícola) do município de São José do Rio Preto-SP”, de João Fernando Lima Benedetti e equipe; e “Enriquecimento de capoeiras na Amazônia Centra: desenvolvimento de oito espécies nativas sob diferentes condições de luminosidade”, de Ana Catarina Jakovac e
equipe.

Caso nenhum dos autores não atendam os requisitos exigidos pelo edital, foram selecionados mais dois trabalhos na seguinte ordem: “Aspectos Socioambientais de um Saf de erva-mate com eucalipto e feijão para agricultura familiar”, de Alexandre França e equipe; e “Conhecimento local sobre pimentas em quintais florestais na Apa do Rio Curiaú, Macapá, Amapá, Brasil”, de Luciano Araújo Pereira e equipe.

Para ler outras notícias sobre o VII Congresso Brasileiro de Sistemas Agroflorestais acesse www.embrapa.br/viicbsaf. O evento é promovido pela Sociedade Brasileira de Sistemas Agroflorestais e realizado pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), em parceria com a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Distrito Federal (Emater/DF) e organização não-governamental Mutirão Agroflorestal. A organização do VII CBSAF é da Embrapa Transferência de Tecnologia (Brasília/DF) com apoio da Embrapa Cerrados (Planaltina –DF), Embrapa Floresta (Colombo/PR) e Embrapa Informação Tecnológica (Brasília/DF). As informações são da assessoria de imprensa da Embrapa Cerrados.


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