Pastagens: Desastre pós seca

Agronegócio

Pastagens: Desastre pós seca

Depois da estiagem, muitos produtores esbarram na morte do braquiarão
Por: -Vera Ondei
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Depois de uma estiagem que avançou além da conta em 2010, muitos produtores esbarram na morte do braquiarão

As chuvas que voltaram a cair a partir de outubro-novembro, e que devem perdurar satisfatórias em todo o País, segundo prevê os meteorologistas, não foram suficientes para acabar com os estragos provocados pela longa estigem ocorrida em 2010. O motivo é que muitas pastagens não rebrotarão porque simplesmente morreram no período seco, principalmente as áreas de braquiarão. "Estamos em 22 de dezembro e há fazendas em Goiás ainda em situação muito crítica. Para se ter ideia, nesta quarta-feira (22) estive em um retiro de uma fazenda no município de Britânia onde normalmente são trabalhadas 1.800 cabeças mas que estão comportando apenas 400", diz Ricardo César dos Passos, veterinário e diretor da Cria Fértil, empresa de consultoria, com sede em Goiânia. "Muitas áreas de braquiarão estão mortas, as invasoras aumentaram muito e de quebra está vindo a lagarta e comendo bem. Até parece que estamos em julho-agosto", diz.

O Brasil tem aproximadamente 154 milhões de hectares de pastagens cultivadas. Calcula-se que 135 milhões (87,6%) do total estão formados com braquiárias e, destes, 60 milhões são de braquiarão (marandu). "É de extrema importância para a pecuária alertar sobre a necessidade de diversificar culturas de pastagens. O Norte do País já sofreu muito com a monocultura do braquiarão e em consequência as cigarrinhas, seguido de morte. Agora, no Centro-Oeste vem a morte destas braquiárias provocada pela seca. Precisamos de mais pesquisas sobre o tema para entender melhor pois há casos de áreas vizinhas onde um pasto morreu e outro não", diz Ricardo Passos.

Na pecuária, uma das principais causas de degradação de pastagens é a conhecida Síndrome da Morte do Braquiarão, que ocorre principalmente na época das chuvas, em solos com baixa permeabilidade. As várias ocorrências de morte no Pará e Sul do Maranhão estão associadas a essa causa.

Saída - A única medida para recuperar é avaliar a área degradada para checar se há sementes novas germinando. Neste caso se deve fazer a veda e controlar as invasoras com herbicidas. "Caso não tenha sementes germinando, a única medida é a reforma. A maioria das áreas vedadas se recupera, com certeza. O problema é que muita gente que veda precisa alugar pastos. Mas, como a carência é geral não há bons pastos para alugar e assim não se veda todas as áreas comprometidas", diz Ricardo Passos.

O especialista reforça a necessidade de formação de pastagens com várias cultivares. Por exemplo, em propriedades onde se têm solos corrigidos e há possibilidade de adubação dos panicuns e andropogon, esta é uma saída para aumentar as lotações nestas áreas e conseguir vedar mais áreas de braquiárias. "Estamos fazendo isto como saída. Na minha experiência deveríamos ter aproximadamente 30 % de andropogon ou panicum como mombaça ou massai para equacionar a entrada das águas. O andropogon veio da tanzânia e suporta até 9 meses de estiagem sem morrer, em função do sistema radicular profundo e armazenamento de reservas.

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