Pavan quer fortalecer a agricultura familiar gaúcha

Agronegócio

Pavan quer fortalecer a agricultura familiar gaúcha

Tarso Genro criou a Secretaria do Desenvolvimento Rural e Cooperativismo
Por: -Ana Esteves
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A cada ano que passa, a participação da agricultura familiar na economia do Rio Grande do Sul cresce de forma exponencial. Ciente da importância desse segmento do setor primário para o agronegócio gaúcho, o governador Tarso Genro decidiu criar a Secretaria do Desenvolvimento Rural e Cooperativismo, capitaneada pelo deputado estadual Ivar Pavan. Entre as prioridades da nova pasta está o fomento tecnológico das propriedades familiares, o incremento da renda no campo, discussões sobre reforma agrária, temas que estão sendo tomados como desafios pelo secretário.

Jornal do Comércio - Como ficará a divisão de atribuições entre as secretarias com a criação da pasta do Desenvolvimento Rural e Cooperativismo?

Ivar Pavan - Tem muitos temas que estão no agronegócio e na agricultura familiar ao mesmo tempo. Tem interface em várias áreas. Mas não vai haver dificuldades porque o negócio é colocar uma complementando a outra, como no caso do leite, do vinho, do Sistema Único de Atenção à Sanidade Agropecuária (Suasa), apenas alguns exemplos. No entanto, temos áreas como a de qualificação e atualização tecnológica da propriedade que são uma necessidade muito maior da agricultura familiar. Vamos inclusive criar um programa na linha da formação, qualificação profissional do produtor, do crédito, enfim, toda essa parte que entra gestão da propriedade mais específica da agricultura familiar.

JC – Além da questão tecnológica, que outras prioridades o senhor aponta?

Pavan - Renda também é um grande desafio para a agricultura familiar. Claro que todos os produtores estão pleiteando renda, mas no caso dos pequenos serão programas diferenciados, pois é o problema mais grave para os agricultores familiares. Como é o caso dos produtores de leite. Nesse setor tem um grande número de pequenos proprietários que precisam de investimentos pesados, tanto em qualificação quanto em incentivos de crédito, programas especiais de acompanhamento para que os produtores não saiam do mercado. O grande produtor normalmente dispõe de uma tecnologia mais avançada, tem condições de contratar assessoria. Quem precisa de assistência técnica pública é o pequeno agricultor.

JC – Qual seria o papel da Emater no processo de maior qualificação dos produtores?

Pavan - A Emater é um dos grandes instrumentos da extensão rural, mas seria importante promover uma parceria forte entre ela e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), incluindo aí a Fundação Estadual de Pesquisa Agropecuária (Fepagro). Vamos aproveitar a experiência de cooperativas que também tenham assistência técnica, mas o braço principal será a Emater. As nossas escolas técnicas e universidades farão parte dos programas que vamos montar numa linha de qualificação tecnológica dos produtores. Vamos organizar um programa que congregue todos esses atores que estão no campo e têm uma atuação meio dispersa e juntar o conhecimento de cada um para criar um grande programa de qualificação e qualidade dos produtos.

JC – Uma das pautas de destaque desse ano que passou foi sobre a questão ambiental. Como o senhor deve tratar desse tema?

Pavan - Deveríamos pensar numa grande ação, a partir de um conjunto de políticas públicas tanto na parte de tratamento de dejetos, na criação de suínos e gado leiteiro. E ainda há a questão da adequação das propriedades às normas ambientais, que exigem investimentos e melhor qualificação dos produtores.

JC – Como a sua gestão deve enfrentar o problema da seca?

Pavan – Devemos estar cada vez mais preparados para essa questão da estiagem, que se repete mais a cada ano que passa. Mas também temos outras prioridades como a questão da juventude rural. Precisamos fazer grande debate para que o jovem se sinta valorizado no campo e queira continuar, para evitar o esvaziamento, são os temas que nos desfiam para o futuro. Ainda temos questões pontuais que deverão aparecer eventualmente, como as questões indígenas.

JC – Sobre a viabilidade da cana como forma de incremento de renda ao pequeno produtor? A tendência é mesmo deslanchar?

Pavan - Tem que ver a viabilidade econômica da propriedade, para que o produtor se sinta desafiado a entrar numa nova atividade. É preciso observar que, ao fazer um comparativo da produção de cana com soja, milho ou fumo, essas culturas são muito mais rentáveis.

JC – E o tema da reforma agrária?

Pavan - O tema da reforma agrária está sempre na pauta. Vamos ter que continuar em conjunto com o governo federal e o Incra para resolver os problemas dos assentamentos. Hoje o foco está na qualificação dos assentamentos já feitos. Tem muita gente assentada e com dificuldade porque falta infraestrutura, falta escola, falta água. Tudo isso sem esquecer da necessidade de assentar os sem-terra que aí estão.

JC – A reconversão das propriedades de fumo voltou à pauta com o problema do fumo burley. Como será desenvolvida essa questão?

Pavan - Trata-se de uma atividade que vai perdura por décadas ainda, não é questão de curto prazo. A diversificação não é simples. Não é fácil fazer o produtor que tem largo conhecimento na produção de fumo mudar de ramo. No mínimo essa nova atividade tem que ter retorno similar ao fumo e nenhuma outra atividade tem retorno financeiro tão bom quanto o fumo, nem milho, nem soja, leite, fruticultura. Agora com a quebra de safra a tendência é de que melhore ainda mais o preço do fumo, também motivado pela redução do plantio em alguns países. Diversificação é uma palavra fácil de ser dita, mas implementá-la é outro assunto.

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