Pecuária extensiva tradicional deve desaparecer em MS, prevê analista
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Agronegócio

Pecuária extensiva tradicional deve desaparecer em MS, prevê analista

Rebanho bovino encolheu, mas ganhou qualidade e produtividade
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Rebanho bovino de MS encolheu, mas ganhou qualidade e produtividade

Em um período de oito anos, entre 2003 e 2011, o rebanho bovino de Mato Grosso do Sul encolheu de 24,9 milhões de cabeças para 21,5 milhões de animais, uma redução de 13,6%, segundo dados da Federação de Agricultura e Pecuária do Estado (Famasul) e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Essa redução do rebanho, segundo a economista e coordenadora da Unidade Técnica Econômica (Unitec) da Famasul, Adriana Mascarenhas, pode ser atribuída a três fatores: a descoberta de foco de febre aftosa em Mato Grosso do Sul em 2005, a crise econômica mundial de 2008 e ao ciclo de diversificação de atividades no agronegócio do Estado.

"O produtor percebeu que o maior ativo que ele possui é a terra que tem em suas mãos e, por isso, ele está diversificando suas atividades para aproveitar melhor esse ativo. Está investindo também no plantio de grãos (soja e milho), de cana e de florestas. Essa é uma tendência muito forte. Não acredito que voltemos a ter um rebanho de 25 milhões de animais, mas isso não significa queda de produção porque estamos registrando aumento de produtividade", explica.

Adriana diz que o rebanho bovino do Estado evoluiu muito nos últimos anos em qualidade e ganhou muito produtividade, com os criadores investindo cada vez mais no melhoramento genético dos animais e no aprimoramento do manejo.
"O pecuarista que criava seu rebanho de forma extensiva, quase que simplesmente deixando o boi no pasto já é uma figura rara no Estado e a tendência é que ele desapareça. Atualmente a pecuária demanda tecnologia. O produtor tem que ser um empreendedor rural, que está antenado com o mercado e que usa a tecnologia que tem ao seu dispor", explica.

Neste cenário, de produção altamente tecnificada, a coordenadora da Unitec diz que a perspectiva para pecuária sul-mato-grossense é muito positiva. "A pecuária hoje oferece muitas oportunidades e não precisamos ter o maior rebanho bovino do País para aproveitá-las. Necessitamos sim ter uma produção de carne com qualidade e com sustentabilidade para atender os mercados que estão se abrindo para nós", analisa.

Reforçam a avaliação de Adriana os números da balança comercial do Estado. De acordo com a Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic) as exportações de carne bovina congelada e refrigerada de Mato Grosso do Sul somente entre os meses de janeiro e setembro deste ano já superam em volume e em receita o total comercializado pelo Estado destes dois tipos de produto em todo o ano passado.

Em 2011, conforme a Secex, a carne bovina congelada foi o quinto produto no ranking de exportações sul-mato-grossenses, com vendas de 64,6 mil toneladas e receita de US$ 306,7 milhões, enquanto que a carne bovina resfriada foi o 12º na relação, com uma comercialização de 8 mil toneladas que renderam US$ 49,8 milhões.

Já de janeiro a setembro de 2012, o volume de carne bovina congelada exportada pelo Estado foi de 74,2 mil toneladas e a receita chegou a US$ 330,5 milhões (7,7% a mais do que em todo o ano passado). O produto também avançou duas posições no ranking de exportações do Estado e passou a ocupar o terceiro lugar. Em décima apareceu a carne bovina resfriada, com vendas de 8,6 mil toneladas e resultado financeiro de US$ 52,8 milhões (6% acima do arrecadado nos 12 meses de 2011).

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