Pecuaristas prometem barrar retomada do Independência

Agronegócio

Pecuaristas prometem barrar retomada do Independência

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Priscila Machado

SÃO PAULO - A queda-de-braço entre pecuaristas e o frigorífico Independência deve ter continuidade mesmo com a apresentação do plano de recuperação judicial da empresa. Nos próximos dias será finalizado um estudo técnico da Confederação Nacional de Agricultura e Pecuária (CNA) para avaliar os pontos do plano do Independência, que corre o risco de ser impugnado pelos pecuaristas. O estudo está sendo feito com o acompanhamento das federações de agricultura dos estados do Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás.


Entre as determinações, que serão desaprovadas pelos fornecedores da companhia, está o período previsto para o pagamento das dívidas aos credores que têm para receber um valor acima de R$ 80 mil. Para estes, o plano prevê que as parcelas sejam pagas em até 36 meses. Já os produtores querem encurtar esse período para até seis meses.

Outro ponto que será questionado é o valor do empréstimo que será destinado ao pagamento dos fornecedores, da ordem de R$ 330 milhões. Pelo plano da empresa, o montante destinado à dívida junto aos pecuaristas é de R$ 270 milhões. Os produtores querem elevar a quantia já que só no Mato Grosso o débito da companhia ultrapassa os R$ 50 milhões.

"Os pecuaristas não nos deram uma procuração, mas nossos departamentos jurídico e financeiro estão avaliando medidas cabíveis", disse Antenor Nogueira, presidente do Fórum Nacional Permanente de Pecuária de Corte da CNA. Os pecuaristas terão 30 dias, a contar da data de publicação, para apresentar suas objeções. Segundo Nogueira, o pecuarista, de modo geral, está muito apreensivo, tentando levar adiante a venda do gado à vista que, segundo ele, seria a única forma de reverter o quadro de inadimplência dos frigoríficos. "O produtor está passando aperto. A mercadoria que ele tem é o boi, se ele deixa de receber, deixa de repor", afirma Nogueira.


Para Marcos da Rosa, presidente da Comissão de Produtores Credores de Frigoríficos em Recuperação Judicial de Mato Grosso e representante da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), a proposta do Independência é inaceitável. "Nós, que temos a mercadoria que move todo esse sistema, não podemos demorar 36 meses para receber e ainda fornecer gado para eles", diz. "Já sabemos que grandes pecuaristas com valores altos para creditar não aceitam".

De acordo com Rosa, o momento é ruim para comercialização de gado e há o medo de novas recuperações. "O produtor que tem a possibilidade de diminuir o fluxo de oferta de gado para os frigoríficos, está fazendo. Eu continuo abatendo, mas não mato mais um frigorífico", disse a respeito do volume de abates.

Rosa, que é produtor no município de Canarana, no Mato Grosso, também se mostra preocupado com a redução nas opções de empresas para negociar o fornecimento. "Antes tínhamos cinco opções, agora acabo pulverizando a abate em dois frigoríficos", afirma o pecuarista.


Segundo Maria Gabriela Tonini, analista da Scot Consultoria, a crise dos frigoríficos tem influenciado o encolhimento da oferta de bois para o abate. Ela explica que o País, esse ano, está finalizando o ciclo de matrizes, terminando a época da pior oferta, mas o movimento pode ser interrompido pelo novo fator de inibição. Segundo Tonini, encontrar lotes grandes com bezerros padronizados de boa qualidade não tem sido tarefa fácil. E quando existe a oferta, os preços são acima da média dos negócios correntes. "Os produtores que possuem essa mercadoria não estão fazendo questão de vender, a não ser que o negócio compense e compensar significa preço alto", afirma a analista.

De acordo com ela, se a crise dos frigoríficos, que resultou no fechamento de algumas unidades, fosse em época de oferta grande o impacto nos preços seria bem maior. Segundo a última pesquisa do abate de animais divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o abate de bovinos caiu 11,1% nos três primeiros meses do ano ante igual período de 2008. De janeiro a março de 2009 foram abatidas 6,4 milhões de cabeças. Segundo a pesquisa, a crise não permite ainda uma retomada de crescimento dessa atividade.

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