Pesquisa avalia armazenamento de grãos no MT
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Imagem: Leonardo Gottems
ESPECIAL

Pesquisa avalia armazenamento de grãos no MT

A capacidade estática tem que crescer 228,9% até 2028
Por: -Eliza Maliszewski

Saiu da Universidade Federal Fluminense (UFF), mais precisamente do Programa de Pós-Graduação em Geografia, uma análise do sistema de armazenamento de soja no maior estado produtor da oleaginosa, o Mato Grosso.

A pesquisa faz parte da tese de doutorado de Luciano Bomfim do Nascimento, defendida em 2018 e orientada pelo professor doutor Jacob Binsztok, Prof. Titular  de  Geografia  Humana da UFF. Eles analisaram a concentração da armazenagem pelos quatr principais grupos de grão do estado: Bunge, Cargill, ADM e Amaggi. O levantamento usou como base dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e informações em páginas e sites oficiais das prefeituras locais e das corporações analisadas.

Segundo o artigo os quatro grupos estão presentes em todas as regiões mato-grossenses: Norte, Nordeste, Sudeste e Sudoeste mato-grossense, apenas não possuem armazém no Centro-Sul. Juntos, detém 145 unidades, sendo apenas 15 do tipo convencional e o restante são graneleiros. De um total de 32.486 milhões de toneladas de capacidade de que possui o estado de Mato Grosso, as corporações contribuem com 6.064.000 toneladas, representando 20% do armazenamento.

A Amaggi detém a maior capacidade (1.745.720t), seguida pela Cargill (1.703.726t), Bunge (1.538.000t) e a ADM (1.076.899t), revelando uma certa homogeneidade entre a capacidade de armazenamento dessas empresas e uma competitividade expressiva pelo grão nessas áreas, de acordo com os autores do estudo.

Também foi constatado que os grupos estão situados em pontos estratégicos para o escoamento de grãos nas rodovias BR-364, BR-163 e BR-158. “A armazenagem em Mato Grosso não é bem distribuída, pelo contrário, está concentrada nos municípios que são grandes produtores de grãos”, apontam os autores.

Os municípios nos quais estão presentes as corporações quase sempre se repetem, com sete possuindo as quatro empresas em seu território: Sorriso, Rondonópolis, Primavera do Leste, Campo Novo do Parecis, Lucas do Rio Verde, Nova Mutum e Querência – os três primeiros detendo a maior quantidade de armazéns, com 14 unidades cada um.

Quanto à capacidade de estocagem, Sorriso é o maior armazenador, seguido por Primavera do Leste, Lucas do Rio Verde, Rondonópolis, Nova Mutum e Sapezal. A concentração da capacidade de armazenamento nesses municípios é explicada pela significativa produção de grãos de suas áreas agrícolas.

Mesmo assim o artigo destaca que a capacidade de armazenamento dos municípios que são grandes produtores de soja e milho não é suficiente para atender toda a produção, havendo grande déficit no segmento. Eles observam que, dentre as corporações analisadas, a maior parte dos armazéns utilizados pelos produtores pertence a essas empresas, apenas os grandes produtores possuem instalações, gerando perda de lucratividade para os demais. “O estado precisaria de maior investimento público em linhas de financiamento para o segmento de armazenamento, principalmente para os médios e pequenos produtores”, destacam.

Um estudo realizado pela Associação dos Produtores de Soja do Mato Grosso (Aprosoja-MT), em 2019, confirma o déficit de armazenagem no estado. Sendo líder na produção de grãos, com expectativa de colher 34,6 milhões de toneladas de milho e 36,9 milhões de soja no ciclo 20/21, alguns gargalos ainda são significativos, como o da armazenagem.

Também com base em dados da Conab acrescidos de informações do AgroMT Outlook 2028, do Imea, o estudo calculou qual seria esta deficiência. A conclusão foi que o ritmo intensificado da produção agrícola não foi acompanhado na mesma proporção pela capacidade estática de armazenagem do país. “Em 2018, o Brasil registrou capacidade de armazenagem de 162,9 milhões de toneladas. Uma evolução de apenas 26,8% em uma década, representando menos da metade da evolução registrada na produção de grãos do país no mesmo período”.

Em Mato Grosso a capacidade estática dos armazéns é capaz de cobrir apenas 57,8% de todo o volume de grãos produzidos, representando um déficit de 27,4 milhões de toneladas para armazenamento dos grãos. Este valor representa 41,0% do total do déficit de armazenagem do Brasil, que conta com uma capacidade estática de 166,3 milhões de toneladas e tem produção estimada em 233,28 milhões de toneladas para a safra 18/19. 

Para acompanhar a evolução da produção o estado precisaria ter capacidade de armazenagem estática de 123,4 milhões de toneladas até 2028. “Isso indica que a capacidade estática tem que crescer 228,9%, o que representa 85,9 milhões de toneladas, em uma década”.
 


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