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Pesquisa nacional exporta tecnologia de ponta

O Brasil é referência mundial quando o assunto é produção de cana e álcool


O Brasil é referência mundial quando o assunto é produção de cana-de-açúcar e álcool. A tecnologia nacional chegou ao espaço, de onde já se pode monitorar a expansão do plantio no País. O programa Canasat, desenvolvido pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) com base em imagens de dois satélites, mostra que do noroeste de São Paulo, os canaviais espalham-se rapidamente pelo Centro-Sul do País, em direção ao Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Minas, Paraná, Rio e Espírito Santo.

E o Inpe não está sozinho. Esta é apenas uma das inúmeras tecnologias desenvolvidas nas últimas décadas. No campo, programas de adaptação de variedades são cada vez mais eficazes e tornam possível o plantio de cana em praticamente todo o País. (Leia na página ao lado).

A pesquisa ajuda ainda a extinguir práticas agrícolas hostis, como a colheita manual e as queimadas. O mercado já oferece diversas opções de maquinário para cana, especialmente colhedoras, que também reduzem as perdas. Quando se fala em instalação de usina, é aqui no Brasil que investidores vêm buscar informações e adquirir mão-de-obra especializada.

Visitas estrangeiras

O potencial brasileiro nesta área parece ser unanimidade mundo afora. Fabricantes de máquinas para o setor são destino obrigatório para estrangeiros interessados em investir na atividade. "Esperávamos um mercado menos avançado", disse o pesquisador do Instituto de Engenharia Agrícola da Universidade de Hohenheim, Leandro Henz, em visita à indústria Santal, de Ribeirão Preto (SP). O pesquisador acompanhou durante dez dias um grupo de agricultores alemães, produtores de beterraba, que conheceram todas as fases da produção da cana, do campo à indústria.

"Estamos um passo à frente do resto do mundo", diz o presidente da Santal, empresa 100% nacional, Arnaldo Adams Ribeiro Pinto. Na década de 70, uma máquina colhia 150 toneladas de cana por dia. Hoje, colhe 800 toneladas/dia. "São máquinas com desenhos mais eficientes, maior potência e melhor capacidade hidráulica", explica.

Na fábrica da Case IH, em Piracicaba (SP), o gerente de Marketing, Fábio Borgonhone, conta que tem pelo menos sete grupos de estrangeiros com visitas agendadas até junho. A mais recente tecnologia agregada à colhedora da Case é o corte de base. "A máquina copia o terreno e busca o ponto mais baixo antes de fazer o corte", explica. Agora, a empresa está implementando uma nova esteira nas colhedoras, que tem vida útil com 1.500 horas a mais. Na prática, isso significa dois meses a mais de uso.

Nas usinas, a indústria busca tecnologias para melhorar o aproveitamento da cana-de-açúcar. A também brasileira Dedini, fabricante de máquinas para a cultura da cana, tem recebido uma comitiva estrangeira por semana. O interesse, de acordo com a empresa, é comprar o maquinário para montar usinas no Brasil e em outros países. A novidade da Dedini é o chamado DHR (dedini hidrólise rápida), que transforma celulose em álcool. Com ela, o usineiro poderá usar a palha, que hoje é queimada ou deixada no campo, e o bagaço.

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