Pesquisadores apresentam avanços em culturas de inverno

Agronegócio

Pesquisadores apresentam avanços em culturas de inverno

Cultura do trigo foi abordada em atividade no Paraná
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A unidade do Iapar de Pato Branco realizou nesta quinta-feira (02.10) uma atividade de campo abordando a cultura do trigo. O cereal se aproxima do último ciclo produtivo antes da colheita em quase todas as lavouras da microrregião e, em virtude das chuvas dos últimos dias, já vem demonstrando sinais de prejuízo para o agricultor.

Ao mesmo tempo em que em alguns pontos parciais das lavouras — ou na totalidade — “acamaram”, em outras localidades é possível observar a germinação na espiga, chamada pelos agricultores de brotação.

Segundo o pesquisador da Embrapa Soja de Londrina, André Mateus Prando, que integra o Núcleo temático de Trigo da unidade, existem vários trabalhos de melhoramento genético que apresentam uma maior germinação na espiga de cultivares.

Prado também destacou que “essa germinação não necessariamente precisa ocorrer externamente, mostrando o broto. As vezes somente uma chuva, combinada com altas temperaturas, já é suficiente para dar início ao processo de germinação, que acaba acontecendo somente dentro do grão”, pontuou.

De acordo com o pesquisador, em ambos os casos o grão germinado sai da lavoura com qualidade muito inferior, o que acaba gerando complicações no momento da comercialização por ser considerado um trigo ruim, de baixas características para a indústria, originando produtos, como as farinhas, de má qualidade. “Em consequência da baixa qualidade, o valor de comercialização também é inferior e venda é mais difícil”.

Prando disse que essa é uma situação difícil de administrar por se tratar de uma questão climática, porém recomendou aos produtores o escalonamento de plantio, o que também vai gerar períodos diferentes de colheita. 

Em relação às variedades mais tolerantes, os pesquisadores da Embrapa apresentaram o Gralha Azul e o Pardela, porém Prando destacou que “não são totalmente resistentes”.

O pesquisador do Iapar de Londrina, Luiz Campos, explicou que praticamente todas as empresas que trabalham com melhoramento genético hoje estão voltadas para atender à indústria, sendo que cerca de 75% da farinha produzida ou comercializada no Brasil é destinada para o pão francês. “Ainda, no Brasil, os moinhos tem que importar o cereal para destinar para massas e produtos que necessitam de uma farinha de maior qualidade”, disse o pesquisador.

Segundo Campos, uma vez que os fatores climáticos possuem grande influência no produto final da lavoura, os investimentos de pesquisa estão fortemente voltados para esse fator. “As pesquisas estão voltadas para obtermos variedades de trigo melhoradas, que tenha o mesmo comportamento de produtividade nas diversas regiões produtoras”.

Lembrando que as diferentes variedades de trigo possuem comportamentos distintos nas quatro regiões que produzem trigo no Brasil, Campos disse que há fatores, como períodos de semeadura, que são constantemente testados nos 23 pontos de pesquisa, distribuídos em quatro estados, em que a Fundação Meridional atua.

Biodiesel

A atividade de campo também apresentou o trabalho que o Iapar vem desenvolvendo, visando o potencial produtivo de biodiesel.

De acordo com o pesquisador do instituto da unidade de Londrina, Pedro Mario de Araújo, as pesquisas na estação experimental de Pato Branco, que apresentam cultivares de canola, cártamo, crambe, camelina, linhaça e nabo forrageiro, já iniciaram há algum tempo.

Segundo Araújo, as culturas estudadas em Pato Branco são as mais frequentes, porém o Iapar também realiza pesquisas em culturas perenes e outras espécies. “No caso da estação [Pato Branco], nosso foco está em culturas de outono/inverno, de cultivos anuais, que se encaixem no período de entressafra da soja”.

Ele também lembrou que a aceitação do cultivo de plantas para biodiesel tropeça em entraves. “Este é um processo bem difícil, uma vez que no Brasil são cultivos novos e que esbarram até mesmo em questões políticas”.

Conforme dados do Iapar, atualmente cerca de 70% do biodiesel brasileiro é feito com óleo de soja, 20% com sebo de boi e as outras culturas somam uma parcela bastante reduzida. É neste volume comprimido que a canola se destaca.
Sendo a cultivar de maior expressão dentre as alternativas para o período de outono/inverno e produção de biodiesel, Araújo afirmou que a produtividade da canola chega a 1.600 quilos por hectare, o que tem equilibrado os custos de produção. “Mas é evidente que ainda existem gargalos tecnológicos para ter um incremento dessa cultura no país”, disse
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