Pesquisadores do Projeto Biomas fazem diagnósticos no Cerrado

Agronegócio

Pesquisadores do Projeto Biomas fazem diagnósticos no Cerrado

Solo e vegetação são analisados para identificar características do bioma
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Solo e vegetação são analisados para identificar características do bioma. A iniciativa irá fornecer instrumentos técnicos científicos de pesquisa que propiciem uma atividade rural sustentável no País

No meio da plantação de milho da fazenda Entrerios, a 64 quilômetros do centro de Brasília, trabalhadores abrem uma pequena trincheira. Em seguida, um pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) entra na abertura, mede a profundidade do lugar e observa rapidamente algumas características, como a cor da terra, a espessura, a umidade, a capacidade de infiltração, entre outras. Passa algumas informações para outro pesquisador, que anota tudo cuidadosamente, e coleta várias amostras do solo, que passarão por uma avaliação mais detalhada futuramente. Depois, a trincheira é fechada. O mesmo é feito em outros pontos da propriedade. Enquanto isso, outro grupo de pesquisadores identifica a vegetação em diferentes locais da fazenda.

Este trabalho tem por objetivo traçar um diagnóstico de solo e vegetação no Cerrado e consiste em uma das etapas do Projeto Biomas, desenvolvido pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e pela Embrapa. A iniciativa irá fornecer instrumentos técnicos científicos de pesquisa que propiciem uma atividade rural sustentável no País, a partir da introdução de mais árvores nativas e exóticas nas propriedades rurais, incorporando-as ao sistema produtivo. O projeto também conta com o apoio do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), John Deere e Monsanto. Até o final da semana, os pesquisadores da Embrapa Florestas, unidade da estatal que está á frente do projeto, estarão na propriedade para fazer o mapeamento de solo e vegetação da propriedade Entrerios, que servirá de vitrine tecnológica no bioma Cerrado.

“É um trabalho que ajudará a identificar as zonas de produção e preservação. Faremos esse mapeamento em todo o Brasil”, explica o pesquisador Gustavo Curcio, coordenador do Projeto Biomas. “Dividimos as trincheiras para identificarmos as partes superficial, média e inferior do solo”, completa o consultor da Embrapa Florestas, Renato Dedesek. O trabalho de identificação do solo não é simples. Exige o máximo de atenção e é minucioso, o que justifica a necessidade de realizá-lo em vários pontos da propriedade. Depende, também, da colaboração de fatores como o clima, entre outros fatores. “Se chover antes de coletar as amostras, prejudica o trabalho e pode até voltar para a estaca zero”, diz o técnico florestal Marcos Wigo.

Na parte da vegetação, identificar as características da região, aliadas às condições do solo, é fundamental para a recomposição de vegetação a partir da introdução do componente arbóreo nas propriedades, ou seja, as árvores nativas e exóticas. Desta forma, um grupo de pesquisadores ficará responsável por observar as espécies nativas existentes na região em diferentes pontos da propriedade. “A vegetação próxima aos cursos d’água não é necessariamente a mesma vegetação em uma área mais longe dos rios”, esclarece Alexandre Ulhmann, pesquisador da Embrapa Florestas e um dos que está à frente da execução do Projeto Biomas. Com o diagnóstico da vegetação no Cerrado, será possível a recuperar áreas afetadas pelo desequilíbrio ecológico.

Uma das conseqüências do desequilíbrio ecológico é a incidência de formigas cortadeiras, que podem atacar boa parte da produção rural e das plantas existentes em uma propriedade. Segundo o engenheiro agrônomo Wilson Reis, um dos maiores especialistas em formigas no País, é preciso adotar um controle rigoroso destes insetos, para evitar a destruição da vegetação e das lavouras e a formação dos formigueiros, formados a partir da danificação de áreas afetadas pela erosão. “Quanto maior o desequilíbrio ecológico, maior a incidência das formigas. Se a vegetação original estiver intacta, dificilmente as formigas cortadeiras atacarão”, afirma.
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