Agronegócio

Plantio de algodão transgênico ocupará 50% da área

Mas o índice de semente legalizada cobrirá apenas 10% da superfície plantada
Por: -Neila Baldi
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No primeiro ano do plantio legal de algodão transgênicos, metade da área cultivada utilizará sementes geneticamente modificadas. Mas o índice de semente legalizada cobrirá apenas 10% da superfície plantada da fibra. Não houve tempo suficiente para a multiplicação da variedade transgênica - acredita-se que todas as 25 mil sacas oferecidas já tenham sido comercializadas. O restante, é fruto da entrada ilegal, nos últimos cincos anos, de sementes vindas da Argentina, Austrália e Estados Unidos.

Até o momento, apenas 5% da fibra foi cultivada, com plantios no Paraná e em São Paulo. O forte da semeadura ocorre no próximo mês, no Centro-Oeste e Bahia, regiões que devem concentrar o emprego dos transgênicos. O Brasil deve plantar cerca de 1 milhão de hectares de algodão, segundo estimativas do setor.

Neste ano, os produtores podem cultivar apenas a semente transgênica resistente a insetos - está em análise na Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) a liberação do produto resistente a herbicidas. E é justamente esta a mais cultivada ilegalmente no País - com sementes não certificadas. Na última safra, o fiscalização do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento detectou transgenia somente de material resistente à herbicida.

"Todos querem plantar para experimentar", avalia Cláudio Manuel da Silva, diretor setorial para algodão da Associação Brasileira de Sementes e Mudas (Abrasem). Nos cálculos do setor, apesar de a semente transgênica custar o dobro da convencional, haverá redução de custo de até 15% devido à menor aplicação de inseticidas. "O mais importante é a menor agressão ao meio-ambiente", avalia Silva. Para o analista Miguel Biegai Júnior, da Safras & Mercado, este primeiro cultivo legal servirá para mostrar as vantagens e desvantagens do emprego da tecnologia no País. "Não sabemos ao certo como será o comportamento em termos de redução de plantio e de resposta em produtividade", avalia Biegai Júnior.

O produtor Orcival Guimarães, de Lucas do Rio Verde (MT) também pretende experimentar o algodão transgênico. Mas a área a ser cultivada com a variedade será insignificante perto de toda a sua lavoura: 388 hectares ante a 15 mil hectares. "Como eu ainda não domino a tecnologia, não sei como a semente pode responder em grande escala. Era melhor não arriscar", diz Guimarães. Ele acredita que poderá ter redução de custos com o emprego de transgênicos e também assegura que haverá um menor impacto ambiental.

Tecnologia

O algodão transgênico resistente a insetos, da Monsanto, foi aprovado pela CTNBio em março do ano passado. A variedade geneticamente modificada visa proteger as lavouras do ataque das pragas mais comuns (lagarta-da-maçã, curuquerê do algodoeiro e lagarta rosada), graças à inserção em seu código genético do gene da proteína do Bacillus thuringiensis (Bt), uma bactéria encontrada naturalmente no solo, que possui ação inseticida.

Além do algodão resistente a insetos, a Monsanto também desenvolveu uma variedade tolerante a herbicidas à base de glifosato, já plantada na Argentina, China, Filipinas, Canadá, Estados Unidos e Austrália, e que aguarda no Brasil a aprovação da CTNBio.

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