No Rio Grande do Sul, o plantio de soja alcançou 23% da área projetada para a safra 2026/27, impulsionado por dias secos, redução da umidade excessiva na superfície do solo e temperaturas diurnas mais elevadas. Segundo dados divulgados pela Emater/RS-Ascar no Informativo Conjuntural desta quinta-feira (5), as condições favoreceram a retomada da semeadura, embora a baixa umidade superficial em algumas áreas, especialmente na Fronteira Oeste, exija atenção dos produtores.
A estimativa estadual aponta uma área de 6.645.384 hectares cultivados com soja e produtividade média de 3.183 quilos por hectare. As operações avançam em ritmos diferentes entre as regiões, conforme a disponibilidade de máquinas e a conclusão da colheita das culturas de inverno.
Segundo dados divulgados pela Emater/RS-Ascar, a sequência de dias sem precipitação permitiu reduzir o excesso de umidade na camada superficial do solo e ampliar as áreas semeadas, inclusive em talhões anteriormente ocupados por culturas de inverno. A melhora do balanço hídrico também possibilitou retomar as operações de dessecação pré-semeadura em áreas que estavam encharcadas. As primeiras lavouras implantadas apresentam emergência uniforme, estandes satisfatórios e estabelecimento inicial adequado.
Apesar do avanço, a disponibilidade de umidade nos primeiros centímetros do solo já era limitada em algumas áreas em 1º de novembro, principalmente na Fronteira Oeste. A expectativa de chuvas intensas também mantém os produtores cautelosos quanto à continuidade dos trabalhos.
Plantio de soja na região de Bagé tem avanço desigual
Na região administrativa de Bagé, o tempo seco favoreceu a colheita das culturas de inverno e a implantação das lavouras de soja. Em Itacurubi, a semeadura alcançou 64% dos 12.700 hectares previstos. Em Maçambará, chegou a 45% dos 55 mil hectares, enquanto São Borja registrou 20% dos 105 mil hectares projetados.
Em São Gabriel, parte dos produtores optou por substituir sementes próprias, reservadas da safra anterior, por sementes adquiridas, após identificar baixo vigor e germinação no material armazenado.
Na Campanha, o plantio permanece em fase inicial. Em Dom Pedrito, foram semeados 5% dos 170 mil hectares previstos. A germinação e o estabelecimento das primeiras lavouras são considerados satisfatórios.
Já em Hulha Negra, áreas anteriormente utilizadas para pastoreio apresentam compactação do solo e baixa cobertura vegetal, o que exige operações de preparo. Os produtores também adotam o plantio escalonado para minimizar riscos diante da escassez de umidade superficial e da expectativa de chuvas intensas.
Na região administrativa de Caxias do Sul, a sequência de dias sem chuva e a manutenção de umidade adequada no solo permitiram avanço expressivo da semeadura. As primeiras lavouras implantadas apresentam boa uniformidade de emergência.
Em Ijuí, o plantio chegou a 22% da área prevista. As lavouras apresentam emergência satisfatória, estandes bem estabelecidos e bom estado fitossanitário. Também prosseguem as operações de dessecação, controle de plantas daninhas e, em algumas áreas, aplicação de fungicidas.
Na região de Pelotas, a semeadura corresponde a 10% da área projetada. As condições são favoráveis à implantação, e novembro é considerado o período preferencial de plantio, quando se concentra a maior parte dos trabalhos.
Em Santa Maria, o plantio ultrapassou 15% da área prevista, mas a continuidade das operações depende da manutenção de uma sequência de dias sem chuva.
Na região de Santa Rosa, a semeadura alcançou 29% da área projetada. As lavouras implantadas apresentam boa emergência e estabelecimento. A liberação de áreas após a colheita do trigo também contribuiu para o avanço dos trabalhos. Nas áreas em sucessão à canola, o plantio ocorre de forma mais gradual devido ao intervalo entre culturas adotado pelos produtores.
Em Soledade, a semeadura chegou a 37% da área prevista, com intensificação dos trabalhos na segunda metade do período. As lavouras implantadas apresentam germinação, emergência e estabelecimento inicial satisfatórios.
Umidade do solo exige atenção na continuidade da semeadura
O avanço do plantio de soja no Rio Grande do Sul depende da combinação entre as condições de umidade do solo, a disponibilidade de máquinas e a liberação das áreas ocupadas pelas culturas de inverno.
Embora o tempo seco tenha favorecido a retomada das operações, a redução da umidade superficial em algumas regiões exige cautela. Ao mesmo tempo, a previsão de chuvas intensas pode interferir no ritmo dos trabalhos e no planejamento das operações.
Com 23% da área estadual projetada já semeada, a evolução da safra 2026/27 seguirá condicionada às condições meteorológicas e ao avanço da colheita de inverno, fatores que determinam a disponibilidade de áreas para implantação da oleaginosa.