O plantio de soja no Rio Grande do Sul alcançou 10% da área projetada para a safra, segundo dados divulgados pela Emater/RS-Ascar. O avanço é irregular devido à elevada umidade do solo, às baixas temperaturas e à pouca luminosidade, que reduzem as janelas de trabalho no campo. A estimativa estadual é de 6,64 milhões de hectares cultivados, com produtividade de 3.183 kg/ha.
A semeadura está mais avançada na porção Oeste do Estado, enquanto diferentes regiões enfrentam dificuldades para a entrada de máquinas nas lavouras. Apesar do ritmo lento em parte do território gaúcho, as áreas já implantadas apresentam, em geral, emergência satisfatória e estandes uniformes.
As condições de umidade do solo têm sido determinantes para o andamento dos trabalhos. Em áreas encharcadas, além da restrição à trafegabilidade, o excesso de água pode comprometer o estabelecimento das plantas.
Na região administrativa de Bagé, na Fronteira Oeste, as chuvas limitaram o avanço da semeadura. Em Maçambará, foram plantados 12 mil dos 55 mil hectares previstos. Em São Borja, o cultivo alcançou 10,5 mil hectares, diante de uma expectativa de 105 mil hectares. Já em Manoel Viana, foram semeados 8 mil dos 58 mil hectares projetados.
Na Campanha, o início dos trabalhos também enfrenta limitações. Em Hulha Negra, produtores se mobilizam para realizar o tratamento de sementes salvas nas propriedades. O crédito restrito oferecido por bancos e empresas de insumos tem contribuído para a redução prevista no uso de fertilizantes. Há relatos de agricultores que avaliam realizar a semeadura sem adubação de base.
Na região de Caxias do Sul, o plantio está no início na Serra e nos Campos de Cima da Serra. O avanço permanece lento devido às poucas oportunidades de operação com umidade adequada do solo.
Segundo dados divulgados pela Emater/RS-Ascar, o percentual de área plantada varia entre as regiões administrativas do Estado. Em Erechim, a semeadura alcança 10% da área prevista, enquanto em Frederico Westphalen chega a 8%.
Na região de Ijuí, o plantio atingiu 7%. Parte das operações ocorreu com umidade do solo acima do ideal, diante da preocupação dos produtores com a disponibilidade de janelas de trabalho nas próximas semanas.
Em Passo Fundo, a semeadura corresponde a 5% da área projetada. Neste início de ciclo, as atividades se concentram principalmente na dessecação e na preparação das áreas para receber a cultura.
Na região de Pelotas, o plantio alcança 1% da área prevista. Os primeiros trabalhos foram realizados em Canguçu, São Lourenço do Sul, Santana da Boa Vista, Pedro Osório, Jaguarão e Herval.
Santa Maria apresenta avanço superior a 15% da área projetada. A continuidade das operações, porém, depende de uma sequência de dias sem chuva. Em Santa Rosa, a semeadura chega a 10%. O solo encharcado restringe a entrada de máquinas, embora as áreas já implantadas apresentem, em geral, emergência uniforme. Em alguns pontos com excesso de água, podem ocorrer dificuldades no estabelecimento das plantas.
Na região de Soledade, o plantio alcançou 17% da área prevista, favorecido por uma sequência de 11 dias de tempo firme.
O preço médio da soja no Rio Grande do Sul permaneceu em R$ 138,00 por saca de 60 quilos, segundo o levantamento semanal de preços divulgado pela Emater/RS-Ascar. Na Bolsa de Cereais de Cruz Alta, o produto disponível foi cotado a R$ 144,00 por saca de 60 quilos.
O avanço da semeadura nas próximas semanas dependerá da melhora das condições de umidade e de trafegabilidade das áreas, além da ocorrência de períodos sem chuva que permitam a entrada das máquinas no campo.