Plantio de soja transgênica teve avanço de 24% no Piauí
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Agronegócio

Plantio de soja transgênica teve avanço de 24% no Piauí

Já há sementes transgênicas mais adaptadas às microrregiões do cerrado
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Na safra 2008/09, a área plantada com soja transgênica no Brasil deve alcançar 58% de um total de 21 milhões de hectares, de acordo com pesquisa realizada pela alemã Kleffmann da qual participaram 2.277 produtores de 14 Estados do país. Na safra passada, a 2007/08, o percentual destinado ao plantio de soja geneticamente modificada foi de 53%, conforme o levantamento AMIS - Agribusiness Marketing Information System, realizado pela empresa de pesquisas alemã.

O crescimento da área de soja transgênica já foi mais rápido de uma safra para outra. Em 2005/06, os transgênicos ocupavam 32% das terras com soja no país; no ciclo seguinte, a área cultivada com sementes modificadas cresceu para 51%, sempre conforme a empresa.

"Se pensarmos na velocidade [de crescimento] no Sul do Brasil, era de se esperar um crescimento mais rápido no oeste", reconhece Lars Schobinger, presidente da Kleffmann no Brasil. É, pode-se dizer, o menor sucesso da soja transgênica na região do cerrado brasileiro que explica o ritmo menos acelerado no incremento da área com soja modificada nas duas últimas safras no país.

O interesse menor pelas variedades transgênicas nessa região está relacionado à produtividade. No cerrado, a soja convencional tem sido mais produtiva que a modificada. "O desafio das empresas é inserir os genes [de resistência ao herbicida glifosato] nas variedades mais produtivas. Isso não aconteceu até aqui", comenta.

Schobinger afirma que já há sementes transgênicas mais adaptadas às microrregiões do cerrado. Contudo, elas "não são percebidas como as variedades mais produtivas".

Ele observa também que, diferentemente dos produtores dos Estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, os da região Centro-Oeste do país são mais focados em produtividade que em custos. "No Sul, devido ao quadro de margens apertadas, o custo é o foco, mesmo que a produtividade seja menor", afirma.

Outra razão para o menor entusiasmo em relação à soja transgênica (RR) resistente ao glifosato no Estados do cerrado é que na região o chamado "quadro" de ervas daninhas exige mais doses do herbicida (Roundup). Enquanto no Sul, são necessários dois litros por hectare, no cerrado são três litros.

A adoção da soja transgênica também foi mais rápida no Sul do país porque as variedades plantadas - no começo trazidas ilegalmente da Argentina - se adaptaram bem à região.

Levantamento da Kleffmann referente à safra 2007/08 mostra que no Rio Grande do Sul, 100% da soja plantada foi transgênica. Em Santa Catarina, alcançou 88% da área. No Mato Grosso, maior produtor de soja do país, a área com sementes modificadas foi de 28% na safra que acaba de ser colhida e no Mato Grosso do Sul, de 75%. Apesar de estar no Sul do país, a adoção da soja transgênica também é mais lenta no Paraná porque no Estado existem materiais convencionais muito produtivos, segundo Schobinger.

A pesquisa mostra ainda que o plantio de soja modificada alcançou 25% na Bahia na safra passada. Na região do chamado Mapito, o plantio ficou em 23% a 24% no Maranhão e Piauí e em 40% no Tocantins.

O levantamento revelou ainda que, em 2007/08, produtores que plantavam 71% da área de soja do Brasil já tinham uma parte de sua propriedade cultivada com transgênico. Com isso, o percentual de terras destinada à semente modificada ficou em 53%. Além disso, na safra 2007/08, a produtividade média da soja transgênica no país foi 5% menor (o equivalente a três sacas) que a do produto convencional.


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