Plantio segue lento nos EUA devido à excessiva umidade do solo

Agronegócio

Plantio segue lento nos EUA devido à excessiva umidade do solo

De olho nas lavouras norte-americana
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Atraso no plantio de grãos pode favorecer MT, que entra no mercado para suprir a lacuna de uma entressafra maior

A quatro meses do início da nova temporada de plantio, os produtores mato-grossenses vivem momentos de expectativa ante a possibilidade de um ganho em decorrência do clima frio e úmido que poderá atrasar o período de semeadura nos Estados Unidos, maior produtor mundial de soja e milho e principal concorrente do Brasil. Estima-se que a safra de grãos norte-americana, que geralmente abastece o mercado internacional a partir de agosto, será colhida mais tarde neste ano, ampliando o período de entressafra no maior exportador mundial de grãos.

O atraso deve obrigar os importadores a buscar fornecedores alternativos para suprir seu consumo até que a oferta norte-americana se regularize e, segundo analistas, Brasil e Argentina tendem a preencher esse espaço.

Para Celidônio, o produtor tem de estar “antenado” ao mercado, analisando a evolução do plantio nos Estados Unidos e a demanda por soja na China, principal parceiro comercial de Mato Grosso.

“A leitura que se faz hoje é de que a intempérie nos EUA pode gerar oportunidades para os produtores brasileiros, já que a previsão é de que o plantio sofra atraso, pressionando principalmente a semeadura do milho, cultura de ciclo mais longo e plantada mais cedo em solo norte-americano”, explica o superintendente do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), Otávio Celidônio.

Após chuvas excessivas em abril, o clima frio dificulta a secagem do solo, prejudica a germinação das sementes e ameaça a safra norte-americana de soja e milho. O plantio atrasado deve retardar a colheita no país e assim, favorecer as exportações brasileiras.

“Os produtores devem ficar atentos a esta nova situação, pois as intempéries climáticas poderão ter impacto direto no planejamento da safra norte-americana, com o milho cedendo espaço e favorecendo uma ampliação na área de soja”, analisa Celidônio. Se a expectativa se confirmar, haverá inversão em relação ao tamanho das lavouras de soja e de milho, sendo este último, a preferência daquele país. Nos Estados Unidos, 55% da área destinada à agricultura são geralmente ocupadas por milho e, 45%, pela soja.

Segundo ele, outro fator que deve ser avaliado é que os norte-americanos têm elevada capacidade de plantio e colheita. “Em um período de uma semana eles podem plantar tudo ou colher tudo, por isso fica difícil fazer agora uma projeção do que poderá ocorrer em relação à próxima safra”.

Ele diz que a umidade e o frio dificultam a germinação das sementes. “Se o frio vier mais cedo, com neve, os produtores norte-americanos podem ter sérias dificuldades e poderá ocorrer inclusive uma quebra de safra, beneficiando diretamente os produtores brasileiros”.

NO CAMPO - Este ano, o excesso de umidade fez com que o plantio da safra 10/11 evoluísse com lentidão nos Estados Unidos. Na virada de abril para maio, apenas 13% da área prevista para o milho havia sido semeada no país e o plantio da soja sequer havia começado. Normalmente, as plantadeiras já deveriam ter passado por 40% das lavouras do cereal e cerca de 10% das plantações da oleaginosa.

Uma pausa nas precipitações nas últimas duas semanas, entretanto, permitiu a retomada dos trabalhos de campo, mas não eliminou os riscos. As chuvas comprometeram também o trabalho dos poucos produtores que conseguiram avançar com as máquinas no mês passado. De acordo com informações, as chuvas de abril deixaram cerca de 1,2 milhão de hectares de soja e milho debaixo d´água, obrigando agricultores a replantar lavouras danificadas ou até abandoná-las.

De acordo com o último boletim do Imea, os estoques mundiais continuam apertados, apesar do resultado altista do quadro de oferta e demanda. Na sexta-feira, o mercado recuou por conta de incertezas quanto ao plantio de milho nos Estados Unidos. Mas, no geral, a semana foi boa para a soja, que variou positivamente 12,50 pontos.

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