Pode faltar crédito para custeio das lavouras de inverno

ANÁLISE

Pode faltar crédito para custeio das lavouras de inverno

Restam apenas R$ 83 bilhões para o resto do ano, para todo o país
Por: -Leonardo Gottems
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Na visão do analista Luiz Fernando Pacheco, da T&F Consultoria Agroeconômica, pode faltar crédito para custeio das lavouras de inverno. “Desde a semana passada este assunto tem nos preocupado muito. Todos os indicadores projetam um significativo aumento nas áreas e plantio de trigo para a safra 2019/20 (algo ao redor de 25% na área, com repressão sobre a produção) e de aproximadamente 31% na área de milho safrinha”, afirma.

Em função disso, Pacheco alerta que toda essa expansão “corre perigo se não houver crédito suficiente para os agricultores plantarem”. O especialista em crédito rural da Ocepar, Marcos Zanella, porém, nos disse que, dos R$ 193 bilhões alocados para esta finalidade para 2019, R$ 110 bilhões já foram tomados, restando R$ 83 bilhões para o resto do ano, para todo o país (para o próximo verão, tudo terá que ser renegociado).

Além disso, complementa o analista da T&F, o estado do Paraná encaminhou à Ministra da Agricultura um pedido de mais R$ 7 bilhões para as suas culturas de curto prazo, o que pode garantir crédito aos agricultores. “De qualquer maneira, daqui para frente, é nossa plena convicção de que o sistema barter vai aumentar sua importância e uso”, conclui.

FUNDAMENTOS: ESTADOS UNIDOS

Ainda de acordo com o analista Luiz Fernando Pacheco, nos próximos dez anos a área de trigo dos Estados Unidos será menor, mas o rendimento, os custos e o lucro serão maiores. “Nos surpreendeu a mais recente projeção sobre o desenvolvimento da área, produtividade e produção de trigo no país, de 2017/18 a 2028/29”.

De acordo com ele, o rendimento nos EUA deverá aumentar significativamente: 51,4 bushels/acre contra a média atual de 48,95 bushels/acre. A produção deverá passar de 1,74 bilhão de bushels (47,35 MT) para 2,09 bb (56,87MT), e o uso total de trigo (interno e externo) deverá aumentar 12,12%, passando de 1,98bb (53,88MT) para 2,22bb (60,42MT);

As exportações deverão aumentar 13,76%, passando de 24,52MT (901mb) para 27,89MT (1,025bb), enquanto os estoques finais deverão reduzir 14,01%, de 1,1bb para 945mb. Os preços pagos aos produtores deverão permanecer praticamente inalterados ao redor de US$ 5/bushel, mas os custos de produção deverão aumentar 16,51% de $109/acre para $127/acre. A previsão de retorno (lucro) sobre os custos deverão passar de US$ 110 para $ 130/acre, um aumento de 18,18%.

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