Pelo quarto mês consecutivo, o contrato de 1º vencimento da soja em Chicago fechou com valorização. Em fevereiro, a soja subiu 1,1% ante janeiro no mercado internacional, se mantendo acima dos US$ 15/bushel. Já nos primeiros vinte dias de março, o preço em Chicago tem apresentado queda frente ao mesmo período do mês passado, na média de US$ 15,07/bu. A despeito da grande safra do Brasil, a condição irregular das lavouras na Argentina, com seguidos cortes nas projeções de produção do país, impediram quedas mais acentuadas dos preços.
Apesar da evolução do preço no mercado externo, no Brasil, as cotações da soja voltaram a se desvalorizar em fevereiro. Em Sorriso, a soja caiu 3% sobre janeiro, na média do mês a R$ 146/saca. Em março, a oleaginosa segue com a trajetória de queda, recuando 3,3% nos primeiros vinte dias. Os prêmios também apresentam retração, com valores negativos no porto de Paranaguá, como há tempos não era observado, diante da grande oferta e do cenário de déficit logístico.
As exportações do grão seguem abaixo do registrado no primeiro bimestre do ano passado. O aumento da disponibilidade, com o avanço da colheita, permitiu maior exportação em fevereiro ante janeiro, com 5,2 milhões de toneladas embarcadas. Porém, no acumulado dos dois primeiros meses do ano, as 6 milhões de toneladas exportadasficaram 31% abaixo do mesmo período de 2022.
Para 2022/23, o USDA projetou embarques brasileiros da oleaginosa de 92,7milhões de toneladas. Na Argentina, o clima seco e quente continuou prejudicando as lavouras. Fevereiro foi mais um mês com chuvas abaixo da média sobre o país, o que segue acontecendo neste mês de março. Segundo a Bolsa de Cereales, 71% dos campos de soja estão em condição ruim, 27% em condição média e somente 2% em boa condição. As perdas podem seguir aumentando caso não haja melhora do clima a frente.
No último relatório de oferta & demanda, o USDA fez importante ajuste na produção da Argentina. O documento de março trouxe um corte de 8 milhões de toneladas, algo que já era esperado, uma vez que o USDA estava atrás do mercado em seus números. Além disso, o órgão americano fez ajustes nos números de produção, consumo e estoques globais, o que manteve a relação estoque/uso mundial em 27%, a despeito da grande quebra da Argentina.
A previsão de quebra da safra argentina deve diminuir a disponibilidade de farelo e óleo de soja. A quebra projetada até o momento, de 25% na safra do grão (2022/23 sobre 2021/22), deve afetar a disponibilidade de farelo e óleo de soja do principal exportador mundial dos dois produtos. Com redução do esmagamento projetada em 9% ante a safra passada e exportações do farelo caindo 6,4%, os preços tendem a se manter em alta no mercado internacional. A valorização do preço do farelo em fevereiro em Chicago foi de 1,6%.
Em reunião no último dia 17, o Governo brasileiro decidiu aumentar para 12% (B12) a mistura obrigatória de biodiesel ao diesel. Ficou decidido que, a partir de abril desse ano, o aumento do biocombustível ao combustível fóssil será de 1% ao ano, atingindo 15% (B15) em abril de 2026. Segundo cálculos da Consultoria Agro, a demanda adicional de soja para esmagamento para cumprir o aumento da mistura em 2023 será da ordemde 4,1milhões de toneladas.
Após três safras seguidas com La Niña, podemos migrar para um El Niño no segundo semestre. A NOAA decretou o fim da La Niña e começa a indicar a possibilidade de um El Niño no segundo semestre. Com isso, o panorama climático para a safra americana deve ficar mais favorável. A curva futura invertida em Chicago corrobora com esse cenário de maior aperto agora e folga no balanço após a metade do ano. Podemos ver alguma correção da curva futura se o clima sinalizar problemas durante o plantio e desenvolvimentoda safra no Hemisfério Norte.
A análise é da Consultoria Agro itaú.