Pós-emergência da soja: hora de controlar plantas daninhas

Agronegócio

Pós-emergência da soja: hora de controlar plantas daninhas

Entre as plantas daninhas mais preocupantes está a buva
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Quando se pensa em controlar plantas daninhas na cultura da soja, o ideal é que este procedimento seja iniciado antes da semeadura, para que esta ocorra em lavoura “limpa”. Após a emergência da soja, o momento de controle de plantas daninhas dependerá das características da infestação da área, normalmente devendo ser realizado de 15 a 20 dias depois da emergência e, se necessário, cerca de 20 dias após a primeira aplicação.

De acordo com o pesquisador da Embrapa Agropecuária Oeste (Dourados, MS), Germani Concenço, essas medidas devem levar em consideração os fatores climáticos, a época de semeadura, as plantas daninhas presentes e a densidade em que ocorrem. Ele destaca que no monitoramento da lavoura deve ser observado o estádio de desenvolvimento da planta daninha. “Quanto mais velhas, menos suscetíveis são aos herbicidas. Por isso o ideal é controlar cedo”, orienta.

Além disso, o controle químico em estádios mais iniciais de desenvolvimento das invasoras maximiza a eficiência dos herbicidas sobre espécies daninhas com maior tolerância, como é o caso da trapoeraba, capim amargoso, falso rhodes e corda de viola em relação ao herbicida glifosato.


Buva

Entre as plantas daninhas mais preocupantes está a buva, que infesta as lavouras, especialmente as de soja, resultando em diminuição drástica de produtividade, e tem apresentado aumento de incidência significativo em Mato Grosso do Sul, principalmente, no Sul do Estado.

“Como a buva se tornou resistente ao glifosato, o ideal é que seja feito um manejo adequado pré-semeadura, ou os custos com o controle durante o cultivo serão maiores”, explica Germani. Segundo ele, em áreas de soja transgênica com presença de buva resistente, pode ser necessária a mistura de herbicidas eficientes no controle da espécie.

Os cuidados a serem tomados com a tecnologia de aplicação dos herbicidas incluem: estado de conservação do pulverizador, regulagem adequada e cálculo correto das doses dos herbicidas. Também é necessário observar as condições climáticas adequadas de aplicação. O ideal é aplicar o herbicida em períodos com temperatura mais amena e umidade mais alta, ou seja, no início da manhã e fim da tarde.

De acordo com o pesquisador da Embrapa Soja (Londrina, PR), Fernando Adegas, a buva (nome comum dado a um grupo de plantas daninhas do gênero Conyza, que reúne mais de 50 espécies) tem se tornado um dos principais problemas da cultura de soja no Brasil. Ele diz que a planta tem uma adaptação ampla e, por ter sementes muito pequenas, a disseminação delas é muito fácil. “Existem situações em que uma planta de buva pode produzir próximo de 200 mil sementes”, destaca Adegas.

Atualmente, existem na população desta planta daninha, biótipos considerados resistentes ao glifosato. “Vale lembrar que herbicidas não provocam a resistência, mas sim o uso continuado de um mesmo produto ou de produtos com o mesmo mecanismo de ação e ou dose abaixo da indicada. Esse problema tem sido verificado mais no Sul do País, mas a tendência é que se torne um problema em Mato Grosso do Sul também”, informa.

Observações mostram que uma boa cobertura de solo, com palhada, diminui muito a disseminação da buva, assim como a rotação de culturas e a utilização de herbicidas de diferentes mecanismos de ação. “O controle químico é facilitado se a planta estiver pequena, porque é mais difícil controlar a buva depois que ela cresce”, conclui Fernando Adegas.

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