Pouco avanço nas negociações comerciais entre EUA e China esfriaram o mercado da soja

Chicago

Pouco avanço nas negociações comerciais entre EUA e China esfriaram o mercado da soja

Exportações de soja estadunidense foram boas na semana encerrada em 7 de março
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Com o primeiro mês cotado em Chicago passando a ser Maio, as cotações da soja se elevaram um pouco nesta semana. O fechamento desta quinta-feira (21) atingiu a US$ 9,10/bushel, contra US$ 8,98 uma semana antes, também para o mês de maio. Houve recuperação nas cotações do farelo, com o mesmo fechando o dia 21/03 em US$ 315,30/tonelada curta, após US$ 296,70 no dia 11/03.

De forma geral, o pouco avanço nas negociações comerciais entre EUA e China esfriaram o mercado. Principalmente agora que o indicativo de reunião entre os presidentes dos dois países estaria ficando para abril. Ao mesmo tempo, o clima positivo na maioria da região produtora sul-americana ainda permite estimar uma safra maior do que a do ano passado, embora a redução na produção brasileira anunciada pela Conab ainda na semana anterior.

Em paralelo, o excesso de chuvas nas regiões produtoras dos EUA começa a preocupar o mercado já que começa a se desenhar uma reversão no quadro do futuro plantio. Ou seja, em chuvas continuando, o mercado cogita uma redução na área semeada com milho em favor da soja, já que o milho é plantado mais cedo do que a oleaginosa e tal atividade começa a ser atingida pela chuva, atrasando o processo. Dito isso, é bom lembrar que seguidamente esse sentimento vem à tona nesta época nos EUA e, depois, a situação se acomoda.

Por outro lado, as exportações de soja estadunidense foram boas na semana encerrada em 7 de março, atingindo a 1,91 milhão de toneladas para o ano comercial 2018/19. A China foi o maior comprador, adquirindo 1,7 milhão de toneladas. Somando com as 3.000 toneladas do ano 2019/20, o total superou o que o mercado esperava. Já as inspeções de exportação estadunidenses somaram 841.888 toneladas na semana encerrada no dia 14/03, acumulando 27,7 milhões de toneladas no atual ano comercial, iniciado em 1º de setembro, contra 40,2 milhões no ano anterior na mesma época. Nota-se que no acumulado as inspeções de exportação deste ano estão 31% abaixo do volume registrado no ano anterior.

Ao mesmo tempo, a Associação Norte-Americana dos Processadores de Óleos Vegetais (NOPA) informou que o esmagamento de soja nos EUA chegou a 4,2 milhões de toneladas em fevereiro, ficando abaixo das 4,67 milhões de janeiro. O volume de fevereiro ficou abaixo, inclusive, das expectativas do mercado, servindo como contraponto aos bons números de exportação.

Enfim, os operadores em Chicago, além de um possível acordo comercial entre EUA e China, se atentam cada vez mais para o relatório de intenção de plantio naquele país, previsto para o dia 29/03.

Vale ainda destacar que a manutenção do juro básico estadunidense entre 2,2% e 2,5% enfraqueceu o dólar. Isso deixa os produtos de exportação dos EUA mais competitivos, fato que ajudou na pequena firmeza da soja em Chicago nos últimos dias desta semana.

No Brasil, os preços médios da oleaginosa melhoraram um pouco, embora o câmbio tenha se mantido ao redor de R$ 3,77 na segunda parte da semana. A média gaúcha no balcão ficou em R$ 71,47/saco, enquanto os lotes giraram entre R$ 71,50 e R$ 72,00. Nas demais praças, os lotes oscilaram entre R$ 62,50 em Sorriso (MT) e R$ 78,00/saco em Campos Novos (SC), passando por R$ 72,00 no centro e norte do Paraná, R$ 68,00 em São Gabriel (MS), R$ 66,00 em Goiatuba (GO), R$ 68,00 em Pedro Afonso (TO) e R$ 69,00/saco em Uruçuí (PI).

Auxiliou nesta melhoria a leve recuperação no valor médio dos prêmios nos portos nacionais, com os fechando a semana entre US$ 0,08 e US$ 0,47/bushel.

Enfim, a colheita da soja no Brasil, até o dia 15/03, atingia a 62% da área a ser colhida, contra 55% na média histórica. No Rio Grande do Sul a mesma chegava a 16%, no Paraná 69%, no Mato Grosso 97%, no Mato Grosso do Sul 89%, em Goiás 67%, em São Paulo 63%, em Minas Gerais 57%, na Bahia 22%, em Santa Catarina 18% e nos demais estados produtores 36%. 
 


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