Prática de cartel continua no suco de laranja, diz Associtrus

Agronegócio

Prática de cartel continua no suco de laranja, diz Associtrus

Processo que está na 9ª Vara Criminal da Capital retomou seu curso neste mês. Porte de armas pode levar dono de Indústria para cadeia
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Suspenso desde 2006, o processo que trata de suposto crime de cartel praticado por fabricantes de suco de laranja que está na 9ª Vara Criminal da Capital retomou seu curso neste mês por decisão do juiz Gláucio Roberto Brittes de Araújo, segundo a Folha apurou.

Com a revogação da suspensão do processo, José Luis Cutrale, sócio-proprietário da Cutrale, fabricante de suco de laranja, reassume a condição de réu no processo em que é acusado por crime de formação de cartel. Se for condenado, estará sujeito a uma pena de dois a cinco anos de prisão.

O que motivou a retomada do processo foi o fato de Cutrale estar sendo processado pela Justiça Federal por posse ilegal de armas de fogo em outra ação. Armas e munições foram encontradas em seu gabinete durante cumprimento de mandado de busca e apreensão de documentos em indústrias de suco de laranja, na chamada Operação Fanta, em 2006, por policias federais e técnicos da Secretaria de Direito Econômico. A SDE investiga essa suposta prática no setor há três anos. Procurada pela Folha, a Cutrale não se manifestou.

Denúncias de produtores de laranja levaram o Ministério Público de São Paulo a iniciar uma nova investigação no setor neste ano. Citricultores paulistas afirmam em representação feita ao Ministério Público que as indústrias combinam preços para a compra de laranja e fazem divisão de produtores -quem vende a fruta para uma indústria não vende para outra.

Flávio Viegas, presidente da Associtrus (Associação Brasileira de Citricultores), afirmou ontem que a prática de cartel de fabricantes de suco ainda continua. "Toda a política de preços das indústrias é sincronizada, elas fazem alterações de preços simultaneamente."

O custo da caixa de laranja de 40,8 quilos, segundo ele, varia de R$ 14 a R$ 17 em São Paulo, mas as indústrias estão pagando R$ 3, por caixa. "Por esse preço, que mal cobre os custos de colheita e frete, o citricultor está doando a fruta à indústria e assumindo os riscos trabalhistas e de acidentes na contratação do pessoal de colheita e no transporte da fruta."

A recomendação da Associtrus, segundo Viegas, é que o produtor deixe a fruta apodrecer no pomar, "pois, ao entregar a fruta por esse preço, estará fortalecendo ainda mais a indústria e, consequentemente, enfraquecendo-se", afirma.

OUTRO LADO

Christian Lohbauer, diretor-presidente da CitrusBR (Associação Nacional dos Exportadores de Sucos Cítricos), diz que o Brasil exporta 98% do suco de laranja que produz. "Trata-se de uma commodity, com preço determinado pelo mercado internacional." Para ele, "desde 2001, o consumo mundial de suco de laranja caiu cerca de 17% devido à concorrência com outras bebidas. E, desde 2005, os estoques na Flórida, na Europa e no Brasil vêm aumentando. O resultado é a queda no preço da laranja."

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